11 de setembro de 2017

POEMA SOBRE SALINAS

A advogada salinense Beatriz Morais de Sá, atualmente morando na capital mineira, envia belíssimo poema sobre Salinas que o blog torna público. Vale uma leitura e um momento de reflexão sobre a alma salinense.



Salinas

Por Beatriz Morais de Sá


Nos dias de manga pouca,

o sol vai a pino e a galope.


Nada fica sem seu toque,

e as jazidas às margens do Rio Salinas
fazem sussurrar sua gente.
É 1880.


Já se foram décadas.
Os jovens volteiam a "Praça do Mercado Velho",
e a pequena multidão celebra o alimento que vem da terra.


Uma cortina de fumaça espanta os inimigos e os maus presságios.

A "Coluna Prestes" é vencida pelo fogo e pela fé.



Uma atmosfera salobra percorre pulmões,
tempera frutos do cerrado
e faz humilde a mão que acolhe.


Em Santo Antônio, o hálito da misericórdia.

O padroeiro abençoa aquele que fica,
e acompanha pela ponte de madeira,
aquele que se vai e ainda assim permanece.



É novamente janeiro.
Ela celebra parto de duas datas.