27 de julho de 2015

EFEMÉRIDES SALINENSES


Por Roberto Carlos Morais Santiago

02/01/1842 - Falece José da Costa Neves, com testamento solene, na fazenda São Pedro, localizada no distrito de Santo Antônio de Salinas. Natural de Porto, Portugal, era filho de Manuel da Costa e Francisca Caetana da Silva.

09/01/1844 - O padre Bernardino Ferreira da Costa, vereador de Rio Pardo, representante do distrito de Santo Antônio de Salinas, pede exoneração do cargo alegando morar no distrito de Salinas, distante 16 léguas de Rio Pardo, ter mais de sessenta anos e padecer de moléstia de supressão de urina. A Câmara de Rio Pardo concedeu a exoneração aceitando os motivos alegados.

09/01/1845 - José Joaquim de Almeida e o 3º Alferes José Pereira de Oliveira e Melo tomam posse no cargo de Juiz de Paz (1845-1849) no distrito de Santo Antônio de Salinas.

09/01/1849 - Claudino Barbosa de Oliveira, Januário da Fonseca Magalhães, José Machado Junior e Ponciano José Esteves tomam posse no cargo de Juiz de Paz (1849-1853) no distrito de Santo Antônio de Salinas.

30/03/1853 - Falece em Minas Novas aos setenta anos o Sr. Hilário, natural de Santo Antônio de Salinas e escravo de Manuel Lopes Penedo. No dia 17 de julho de 1851 foi condenado às galés perpétuas pelo assassinato de Antônio Cardoso de Araújo com uma pancada de machado, crime cometido no dia 12 de março do mesmo ano.

12/02/1858 - Toma posse no cargo de Subdelegado de Polícia do distrito de Santo Antônio de Salinas, Claudino Barbosa de Oliveira.

09/01/1867 - Falece no sítio da Matrona, distrito de Santo Antônio de Salinas, Domingos Moreira de Souza com sessenta e nove anos, casado com Juliana Maria da Conceição. Era natural de Porto, Portugal e filho do Guarda-Mor Lucas Mendes Lourenço e Josefa Maria da Conceição.

19/01/1883 - Desmembrado do município de Rio Pardo pela Lei Provincial nº 2.275, de 18 de dezembro de 1880,  instala-se a 1ª Câmara Municipal de Santo Antônio de Salinas. Eis a ata da instalação: "Termo de juramento e posse aos sete vereadores da Câmara Municipal da Vila de Santo Antônio de Salinas. Aos dezenove dias do mês de janeiro de mil e oitocentos e oitenta e três do ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, às quatro horas da tarde sob a presidência do vereador da Câmara Municipal de Rio Pardo, Conrado Gomes Caldeira, compareceram os Srs. Cap. Carlos Dias Torres, Tte. Donério Ferreira de Araújo, Luiz Ferreira Moneiro, Antônio dos Anjos Silva Sobrinho, Avelino Ferreira de Almeida, Honofre Valente Franco e Mudesto José da Silva, vereadores eleitos para o futuro quadriênio de 1883-1886, com fez certo pelos seus respectivos diplomas, e prestarão sobre o Livro dos Santos Evangelhos, o juramento com as formalidades legais, prometento cumprir com bôa e sã consciência os deveres de seu cargo de vereadores, do qual tomarão posse. E de como assim dicerão, para constar lavrei este termo. Eu, José Cândido Moreira e Souza, secretário interino desta Câmara que este fiz e subscrevi.

04/01/1886 - Nasce no município de Santo Antônio de Salinas, Antônio Alexandrino Borges (Tunico), filho de Clementino Alexandrino Borges e Braselina Perpétua Borges

09/02/1926 - Falece em Conceição do Mato Dentro, Minas, no dia 9 de fevereiro de 1926, o Juiz de Direito aposentado Bazílio da Silva Santiago. Filho de Caetano José da Silva Santiago e Maria José da Silva Maia Santiago, nasceu no dia 2 de março de 1857, na Freguesia do Sacramento da Boa Vista do Recife, Pernambuco. No dia 14 de junho de 1879 casou-se com Elvira de Morais e Silva, em Recife. Formou em Direito em Recife colando grau no dia 11 de novembro de 1882. Aos 31 de janeiro de 1883, entrou em exercício de Promotro de Justiça em Cabrobó, Pernambuco. Aos 29 de novembro de 1886, tornou-se Juiz de Direito da Vila do Calhau (atual município de Araçuaí, Minas). Em Rio Pardo toma posse de Juiz de Direito aos 12 de junho de 1892. Pede sua transferência para a Comarca de Santo Antônio de Salinas, concedida em agosto de 1894. Fica viúvo em 1896. Em junho de 1900 é removido para a Comarca de Januária, mas não aceita a remoção. Desejando ficar mais perto da capital mineira, permutou com o Juiz de Direito de Conceição de Mato Dentro, Dário Augusto Ferreira da Silva. O povo de Salinas tomando conhecimento de sua remoção reúne-se em frente de sua residência, numa manifestação de apreço, pede para que não saia de Salinas. Comovido com tal manifestação de apoio e amizade, diz que Salinas lhe era muito querida, pois ali se achava o túmulo de sua esposa e o berço da segunda (casara-se novamente com Melinda Ferreira Santiago). Deu-lhes permissão de em seu nome, telegrafar desistindo da permuta. Quando foi realizada a transmissão, após longa viagem a Montes Claros, estação mais próxima, o decreto de remoção já havia sido assinado pelo governador de Minas Gerais. Com isso, saiu de Salinas a cavalo com a família no dia 27 de março de 1908, chegando a Conceição do Mato Dentro no dia 21 de abril, vinte e quatro dias depois. Ali exerceu as suas funções de Juiz de Direito até 24 de junho de 1924, quando se aposentou por invalidez.

12/01/1932 - Falece em Rio Pardo o salinense Alvim Alexandrino Borges, filho de Dâmaso Alexandrino Borges e Clemência Pereira Borges. Era solteiro e alfaiate. Foi Escrivão de Paz interino em Rio Pardo.

14/02/1957 - Falece em Salinas aos sessenta e sete anos o Dr. Manuel Agostinho de Oliveira Morais, filho de Torquato José de Oliveira Morais e Ana Florinda de Oliveira Morais. Natural de Mariana (MG), estudou no Seminário de Mariana e formou-se na Faculdade de Direito de Belo Horizonte em 1924. Casou-se em Mariana com Cecília Carvalho Morais e, ficando viúvo, transfere-se para o distrito de Fortaleza de Salinas (atual município de Pedra Azul), depois para o município de Salinas, onde se casou com Clemência Miranda de Morais no dia 12 de fevereiro de 1929. Advogou na Comarca de Salinas de 1931 a 1940. Deixou viúva e os filhos Antônio Filomeno de Oliveira Morais, Ivo Miranda de Morais, Silvia de Oliveira Morais, Célia Miranda de Morais, Murilo Morais, Maria de Lourdes Morais, Aliete Ione Morais, José Miranda de Morais, Lívia Miranda de Morais e Elmo Miranda de Morais.

10 de fevereiro de 2015

O BELÍSSIMO LIVRO "QUASE VERDADE"

Capa do livro.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

O livro "Quase Verdade" (Belo Horizonte: Editora Alfstudio, 2009) é uma belíssima obra literária do escritor salinense Marcos Rodrigues Borges que merece leitura de todo salinense e não salinense. Aborda causos de sua infância e juventude e também da sociedade salinense com um humor extremamente inteligente.

Marcos Borges é filho de Geraldo Borges e Maria Nelly Borges, casado com Valéria Santiago Queiróz Borges e pai dos filhos Artur e Pedro. Atualmente mora em Belo Horizonte, onde fixou raízes. 

O blog História de Salinas parabeniza o autor pela obra literária que engrandece a História do município, como também recomenda o livro pelos incríveis relatos. Quem tiver interesse, entrar em contato com o autor no e-mail mrb.borges@uol.com.br. Imperdível!

JOSÉ AMERICANO MENDES

José Americano Mendes.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

A noite de quarta-feira, de 30 de dezembro de 1970, não foi tranquila para os moradores da pacata Salinas, norte de Minas Gerais, que vivia sob a batuta do regime militar. Dias antes participara de eleições para escolha de seus representantes. A cidade não tinha energia elétrica e sua iluminação noturna era muito precária. Depois de certa hora, a cidade imergia na escuridão total. 

Foi nesse clima que o então delegado de polícia do município, José Americano Mendes, fora assassinado com vários tiros na ponte que liga o centro ao bairro São Geraldo. Os autores do terrível crime foram Oséas de Almeida e o filho Evaristo de Almeida. O crime assustou a sociedade salinense e repercutiu no país. Tanto, que foi objeto de reportagem da revista VEJA na época (edição nº. 122, página 14, de 6/1/1971). Eis o teor da reportagem:

“NORTE BRAVIO - Os tiros que se ouviram na noite de quarta-feira da semana passada em Salinas não foram de banditismo comum. Foram tiros de vingança política, disparados por Oséas de Almeida, 56 anos e seu filho Evaristo de Almeida, 22 anos, contra o delegado de polícia local, José Americano Mendes. Das oito balas de revólver calibre 32, cinco atingiram certeiramente o coração do delegado e trouxeram para a população de Salinas lembranças das antigas e violentas guerras de jagunços que decidiram a política local.

A razão direta do assassinato parece ter sido a aposentadoria e demissão dos matadores, pai e filho, dos postos que ocupavam no hospital público local. Eles perderam seus empregos três dias depois das eleições e atribuíram o fato às ligações que mantinham com o deputado eleito Sylo Costa, candidato adversário do deputado Geraldo Santana, poderoso chefe político do município e amigo do delegado assassinado. Em virtude da sua atuação política, José Americano Mendes havia sido afastado da delegacia durante o período eleitoral, mas retornou logo em seguida e, segundo Oséas, foi o causador da sua aposentadoria e também o autor de diversas ameaças contra ele e o filho.

Mas essa não é a única explicação que apareceu para o crime: de acordo com vários depoimentos, Oséas era metido a valentão e teria sido ameaçado pelo delegado por causa da forma como comemorou o seu Natal, trocando placas de casas comerciais e defecando em automóveis.”

14 de abril de 2014

"OCTACILÍADA: UMA ODISSÉIA DO NORTE DE MINAS" REGISTRA HISTÓRIA DA REGIÃO DE SALINAS

Capa do livro.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

O raro livro "Octacilíada: Uma odisséia do Norte de Minas", autoria do salinense Abdênago Lisboa (1916-1977) foi lançado em 1992 pelo filho Apolo Heringer Lisboa. Aborda a trajetória de sua de sua família tendo como epicentro o pai Octacílio Lisboa, bem como revela aspectos históricos e culturais de Salinas e região desde os tempos do Império até meados da década de 1970. O livro possui, ainda, fotos históricas e diversas árvores genealógicas de famílias salinenses e outras regiões do Norte de Minas. O blog História de Salinas recomenda leitura a todo salinense que queira conhecer um pouco a história de sua terra... imperdível. O livro merece nova edição pelo seu valor histórico e cultural. O autor Abdênago Lisboa, além de pesquisador, escritor e poeta, foi o primeiro diretor da Escola Agrícola de Salinas.

19 de fevereiro de 2014

PONTE DE MADEIRA SOBRE O RIO SALINAS

A gravura acima, de autoria do pintor salinense Lúcio Carlos Soares, tendo a ponte em primeiro plano,
dá uma dimensão de como era o bairro São Geraldo na década de 1920,
tendo ao centro a avenida Antônio Carlos.

Por Roberto Carlos Morais Santiago


A ponte histórica de madeira sobre o rio Salinas, de cerca de 100 metros, que liga o centro ao bairro São Geraldo foi construída em 1922 e inaugurada em janeiro de 1923, na primeira metade do século XX, pelo Cel. Idalino Ribeiro, então chefe político e agente executivo (equivalente ao cargo de prefeito atual).

O construtor da ponte foi o carpinteiro Viroti, oriundo de Jequitaí, indicado pelo engenheiro do Estado, o francês Leo Gilot. Os ajudantes na construção foram José Guimarães, Almerindo Costa e Agripino Costa.

A ponte de madeira foi um grande acontecimento de grande apelo popular. Possibilitou a integração do centro à região do São Geraldo que ficava isolada e de difícil acesso. Na década de 1960 foi demolida e construída nova ponte (atual) por Geraldo Paulino Santana cuja inauguração teve a presença do governador Magalhães pinto.

Abaixo, imagem histórica de inauguração da ponte com participação da população local. 

Inauguração da ponte de madeira sobre o rio Salinas em janeiro de 1923.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

16 de dezembro de 2013

SALINAS EM 1932/1933

1932 - Milicianos de Salinas.

1932 - Milicianas de Salinas.
1933 - Tenente E. Mendonça e o escrivão Eleotério na Delegacia de Salinas.

SALINAS EM 1922

1922 - Inauguração de ponte de madeira sobre o rio Salinas.

1922 - Inauguração de ponte de madeira sobre o rio Salinas.
1922 - Cadeia velha de Salinas.

14 de novembro de 2013

SALINENSE EXPERT EM CULTIVARES DE CANA-DE-AÇÚCAR

O mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes é coordenador do
Curso Superior de Tecnologia de Cachaça do IFNMG - Campus Salinas. 

O trabalho do salinense mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes do Instituto Federal Norte de Minas Gerais (IFNMG) - Campus Salinas, expert em cultivares de cana-de-açúcar é digno de registro no blog História de Salinas pela relevância que o assunto merece. Com suas pesquisas se tornou numa das maiores autoridades sobre o assunto. É coordenador do Curso Superior de Tecnologia de Cachaça do IFNMG em Salinas.

Em seus trabalhos de pesquisa com cultivares de cana-de-açúcar, época de plantio, e análise físico-química de cachaça nos cursos de mestrado e doutorado chegou as seguintes conclusões: 

A cana-de-açúcar na modalidade de plantio de inverno, abrangendo os meses de junho, julho e agosto, mostrou-se uma excelente opção para a região de Salinas onde a irrigação suplementar se torna imprescindível para este cultivo. Neste sistema de plantio, colhe-se a matéria-prima de “12 meses” (cana-de-ano), com excelentes indicadores de qualidade e produtividade.

Em um primeiro experimento onde o plantio ocorreu em julho, foram avaliados parâmetros de produtividade e verificou-se que a produção total por hectare aos 352 dias após o plantio foi de 256,35; 205,00; 247,5; 185,43 e 292,50 t/ha das cultivares RB72454, SP79-1011, SP80-1842, JAVA e RB765541, respectivamente.

Em um segundo experimento onde o plantio também ocorreu em julho, verificou-se a interferência da qualidade da matéria-prima em função das épocas de colheita (junho, agosto e outubro) e o tipo de variedade de cana-de-açúcar na composição físico-química das cachaças produzidas nas três épocas supracitadas.

Os resultados apresentados indicaram que a qualidade da matéria-prima das cultivares de cana-de-açúcar, RB72454, SP79-1011, SP80-1842, JAVA e RB765418, não expressaram diferenças significativas quanto ao grau de maturação dentro de cada época de colheita (junho, agosto e outubro), porém todas apresentaram nível de maturação significativamente melhor, para os parâmetros de maturação analisados (Brix do caldo, pol da cana, pureza aparente e açúcares redutores da cana) na segunda e terceira época de colheita (agosto e outubro). 

Os resultados qualitativos das análises físico-químicas por cromatografia gasosa de compostos voláteis das amostras de cachaças apontaram que o tipo de cultivar não interferiu na formação de compostos presentes na cachaça, o que não ocorreu ao avaliar os mesmos compostos por época de colheita, principalmente no que se refere à acidez volátil e álcool n-butílico. Tais substâncias apresentaram um perfil qualitativo significativamente maior na primeira época de colheita (junho) em relação às outras épocas.

Através destes estudos, pode-se atestar que a época de colheita da cana-de-açúcar é determinante para se obter matéria-prima de qualidade e que esta interfere na formação de ácidos durante o processo fermentativo, sendo importante parâmetro para a melhoria das qualidades químicas desta bebida.

Para quem se interessar sobre o assunto e queira saber mais sobre a especialidade do mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes, o e-mail de contato é: oscarwbf@gmail.com.

23 de outubro de 2013

CACHAÇA DE SALINAS RECEBE REGISTRO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

Registro de Indicação Geográfica nº IG200908
concedido pelo INPI.
O Instituto Nacional de Propriedade Nacional (INPI) concedeu à Associação de Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs) , entidade representativa dos produtores de Salinas, registro de Indicação Geográfica (IG200908) - espécie Indicação de Procedência (IP) - para a cachaça com a denominação "Região de Salinas".

A área geográfica compreende 2.541,99 km². Abrange a totalidade dos municípios de Salinas e Novorizonte e parte dos municípios de Taiobeiras, Rubelita, Santa Cruz de Salinas e Fruta de Leite, todos inseridos na microrregião de Salinas, Norte de Minas Gerais.

Assim, a cachaça artesanal produzida nesta região demarcada alcança novo patamar de valorização no mercado, mas também se impõe uma série de responsabilidades. A Apacs fica responsável pela emissão de selos Indicação de Procedência (IP) para os produtores que atenderem os requisitos exigidos para comercializar  seu produto com o selo Indicação de Procedência.

O blog História de Salinas parabeniza a Apacs e seus associados por esta conquista que enche de orgulho o povo de Salinas e região. Um brinde à cachaça da "Região de Salinas".

Selo de Indicação de Procedência.

22 de outubro de 2013

VIRGÍNIA CELESTINA SANTIAGO


VIRGÍNIA CELESTINA SANTIAGO (1882-1965), natural de Urandi, Bahia, é a matriarca da família Santiago no município de Salinas. Filha de Antônio e Severa, teve seis irmãos: Benício, João, José, Júlia, Rita e Sebastiana. Casou-se com José Santiago (1873-1944) em Medina, Vale do Jequitinhonha, no dia 11 de julho de 1896. Dois anos depois, em 1898, o casal chegou a Salinas, final do século XIX, iniciando a saga dos Santiago no município. Saiba mais no
link: http://www.robertocmsantiago.com/visualizar.php?idt=2241201.

15 de setembro de 2013

O PRIMEIRO PREFEITO DE SALINAS

Antônio dos Anjos da Silva 
Sobrinho, primeiro prefeito 
(agente executivo) da 
história de Salinas no
período de 1883-1886.
Por Roberto Carlos Morais Santiago


Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho marcou seu nome na história de Salinas no final do século XIX. Foi um dos sete primeiros vereadores da história do município eleitos que tomou posse na instalação da 1ª. Câmara Municipal ocorrida em Rio Pardo de Minas no dia 19 de janeiro de 1883. O município fora criado pela Lei Provincial nº. 2.725, de 18 de dezembro de 1880.


O vereador Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho foi escolhido presidente da Câmara de Vereadores e, em consequência, também escolhido agente executivo (cargo equivalente a prefeito atualmente) para o período de 1883-1886. 


O fato confere a Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho como o primeiro presidente da Câmara de Vereadores e o primeiro prefeito (agente executivo) da história de Salinas constituindo-se no primeiro mandatário político local sob a égide de município emancipado.


Ressalta-se que até 1932, final do período da República Velha, os municípios brasileiros eram administrados pelos presidentes da Câmara de Vereadores com o apoio de uma junta de conselheiros.

28 de abril de 2013

DISTRITO DE BOM JARDIM DAS TAIOBEIRAS

Antigo mercado de Taiobeiras.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

Até a primeira década do século XX o povoado de Bom Jardim das Taiobeiras pertencia ao território do município de Rio Pardo de Minas. Estrategicamente localizado, funcionava como entrocamento de rota de tropeiros no transporte de mercadorias para Araçuaí, Montes Claros, Teófilo Otoni, Salinas e sertão da Bahia.

Com isso o povoado cresceu e foi elevado à categoria de distrito pela Lei Estadual nº. 556, de 30 de agosto de 1911 e incorporado ao território do município de Salinas. Como a divisa territorial entre Salinas e Rio Pardo de Minas passava dentro do antigo povoado onde hoje existe a avenida Contorno, moradores lutaram pela incorporação ao território salinense por acharem ser mais vantajoso sob o ponto de vista econômico e político.

Com o passar dos anos o distrito teve grande crescimento e a população local passou a reivindicar sua emancipação de Salinas. Foi um processo lento, pois a política de Salinas não permitia. Em 1943 a emancipação quase ocorreu. Já aprovada pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, precisava de sanção do governador. 

Cel. Idalino Ribeiro, líder político de Salinas, solicitou ao governador que não aprovasse pelo fato que terras da povoação de Matrona seria incorporada ao novo município. Salinas não aceitaria pois seria uma das melhores terras do município salinense.

Carta do Cel. Idalino Ribeiro ao governador confirma o imbróglio. Vejamos:

"Senhor Governador,

Saúde,

Regressando ao Norte do Estado, peço ao prezado amigo e chefe, não consentir que o distrito de Taiobeiras, sem renda, sem gente, sem território e sem nenhum melhoramento, seja elevado a município.

Principalmente, querendo tomar a melhor faixa de terra no que existe no município de nossa Salinas, no nosso distrito da cidade, o melhor que temos.

Abraço, agradecimentos do velho amigo admirador.

Idalino

Capital, 16/11/43"

O pedido do Cel. Idalino Ribeiro foi aceito pelo governador e a emancipação de Taiobeiras não ocorreu gerando enorme insatisfação do povo taiobeirense. Entretanto, o lento processo de emancipação continuou e concretizou-se uma década depois por meio da Lei Estadual nº.1.039, de 12 de dezembro de 1953, que teve o apoio do emergente político de Salinas, Geraldo Paulino Santanna, que fazia oposição ao Cel. Idalino Ribeiro.

Centro histórico de Taiobeiras.

A efetivação da emancipação deu-se no dia 1º. de janeiro de 1954, com a posse do intendente (administrador) Lídio Ituassu, nomeado pelo governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek. 

Assim, Taiobeiras foi o segundo distrito a se emancipar de Salinas. O primeiro foi o distrito de Fortaleza (atual município de Pedra Azul) ocorrido em 1911.

Para quem quer conhecer mais sobre a história da região de Salinas o blog História de Salinas recomenda leitura do excelente livro do escritor taiobeirense Avay Miranda intitulado "Taiobeiras: seus fatos históricos". O livro aborda aspectos sociais e políticos de Salinas e Taiobeiras.
__________

Referência bibliográfica:

MIRANDA, Avay. Taiobeiras: seus fatos históricos. Brasília: Thesaurus, 1997, vol. I e II.
SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de volta - A travessia do deserto. Belo Horizonte, 2005, 2ª. edição.

1 de março de 2013

CENSO APURA POPULAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS EM 1920

Segundo Censo de 1920 realizado pelo Estado de Minas Gerais, a população absoluta do município de Santo Antônio de Salinas foi apurada em 53.666 habitantes em área geográfica de 6.742,98 quilômetros quadrados, assim distribuídos:

POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SALINAS EM 1920

Salinas (sede): 31.651

Santa Cruz: 5.846

Água Vermelha: 10.197

Passagem da Vereda: 5.972

TOTAL: 53.666
__________
Fonte: LISBOA, Abdênago. Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas. Belo Horizonte: Canaã, 1992.

25 de novembro de 2012

ANTIGO CINEMA DE SALINAS É RESTAURADO

Cine Teatro Salinas "João Costa".
O antigo Cine Salinas foi reinaugurado com festa e pompa na sexta-feira de 23 de novembro de 2012. Um dia histórico para cultura local. Com capacidade para 284 lugares, foi reformado mantendo suas características originais. Recebeu ainda ar condicionado e nova e moderna aparelhagem de projeção de som e imagem. Com justiça recebe nova denominação Cine Teatro Salinas “João Costa”, em homenagem ao saudoso e maior historiador e divulgador da cultura de Salinas: João Costa (1928-2009). Originalmente o cinema foi inaugurado em 1956 e funcionou até meados da década de 1980. O cinema de Salinas faz parte do imaginário salinense. O blog História de Salinas parabeniza o prefeito José Prates pela reforma. O novo cinema resgata parte da história salinense.

14 de março de 2012

PRIMEIROS AUTOMÓVEIS DE SALINAS

Primeiros automóveis de Salinas, final da década de 1920, século XX. 
Ao fundo prédio da primeira sede do poder-executivo de Salinas.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

Por Roberto Carlos Morais Santiago
editor do blog História de Salinas

O primeiro automóvel a chegar na capital mineira, Belo Horizonte, foi um modelo Popp-Hart Ford, da empresa Trajano de Medeiros, em 1908, no início do século XX. Era símbolo da modernidade e provocou mudança no cenário urbano da capital mineira.

Em Salinas, Norte de Minas, o primeiro automóvel chegou no dia 16 de junho de 1925. Foi um acontecimento histórico de grande impacto na época. Até então o transporte de mercadorias e pessoas era feito por meio animais e carroças com dificuldades de toda ordem. O automóvel foi um Ford oriundo de Brejo das Almas (atual município de Francisco Sá). Custou quatro contos de réis adquirido por Domingos Português. Estava com Domingos o seu patrício Anibal.

O vereador Mendo Correia apresentou projeto na Câmara e fez aprovar lei decretando feriado municipal pelo acontecimento histórico.

A chegada do primeiro automóvel em Salinas foi o fim de um ciclo de uma sociedade e economia que não conseguia prosperar pela falta de contato com o mundo exterior em face da enorme dificuldade de locomoção. Até então produtos chegavam por meio de tropas.

O primeiro automóvel em Salinas foi, também, o início de um novo ciclo de desenvolvimento e prosperidade. Em 1928 deu-se início a construção de estrada de rodagem ligando Salinas a Brejo das Almas (atual Francisco Sá). A iniciativa foi do Coronel Idalino Ribeiro (1879-1973), chefe político e Agente Executivo (equivalente ao atual cargo de prefeito) do município. A estrada ficou pronta em 1929.

O governador de Minas, Olegácio Dias Maciel, refez a estrada entre 1931 e 1933. Com a estrada a região de Salinas passou por radical transformação com grande impacto na economia, cultura e sociedade. Verdadeira revolução de costumes graças ao primeiro automóvel em Salinas em 1925, dirigido por Domingo Português e seu patrício Aníbal.

Atualmente, o único veículo remanescente da primeira metade do século XX existente em Salinas é o velho caminhão Chevrolet Lordmaster, ano 1947, de propriedade da família de Anísio Santiago (1912-2002). Encontra-se em excelente estado de conservação na fazenda Havana. O velho caminhão é testemunha de uma época de ouro que se foi no tempo. Restam apenas lembranças dos mais velhos que tiveram o privilégio de viver uma época de deslumbramento.

1 de fevereiro de 2012

GERALDO PAULINO SANTANNA

Geraldo Paulino Santanna.
O salinense Geraldo Paulino Santanna foi um dos mais expoentes políticos da história de Minas Gerais. A sua trajetória política se iniciou em Salinas ao derrotar nas urnas em 1958, para prefeito, candidato apoiado pelo até então líder político da região, Cel. Idalino Ribeiro.


Por Roberto Carlos Morais Santiago
editor do blog História de Salinas


Durante mais de meio século o político salinense Geraldo Paulino Santanna testemunhou os bastidores da política de Salinas e Minas Gerais. Foi vereador, prefeito, deputado estadual e secretário de estado. Serviu vários governadores de Minas Gerais, muitos deles adversários entre si. Cumpriu missões sigilosas, fez arranjos e alianças políticas. Foi um autêntico político de bastidor e teve participação em importantes momentos da política mineira.

Filho de Olyntho Prediliano Santanna e Dinorah Paulino Santana, Geraldo Paulino Santanna nasceu em Salinas no dia 28 de novembro de 1925. Nasceu numa época em que o Brasil e Minas Gerais respiravam a República Velha. O governador de Minas Gerais era Fernando de Melo Viana (1924-26). No interior de Minas se praticava a velha política coronelista. Em Salinas e região o chefe político era o Coronel Idalino Ribeiro (1879-1973), por mais de 40 anos.

Ainda jovem Geraldo Santanna cursou o primário em Salinas, na Escola Estadual “Dr. João Porfírio”, entre 1934-37. Estudou o ginásio no “Dom Silvério”, em Sete Lagoas, entre 1938-42. O científico foi concluído no tradicional “Afonso Arinos”, em Belo Horizonte, nos anos de 1943-44.

Retornou para Salinas como contínuo e funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Logo foi transferido para Curvelo, onde deixou o emprego e retornou à terra natal.

Novamente em Salinas, com a ajuda do avô Basílio Ferreira Paulino, passou a exercer atividade rural no ramo de compra de animais na região para revender em Itabuna, Bahia. O avô Basílio foi importante na sua vida, uma vez que foi co-responsável pela sua criação, educação, trabalho e lhe deu suporte em suas ações. Era fazendeiro e militar. Em 1911 foi agraciado com o título de Capitão Cirurgião da Guarda Nacional, concedido pelo presidente da República, Hermes da Fonseca.

Em 1946, aos 21 anos, casou-se com Maria (...) com quem teve seis filhos. Após o nascimento do primeiro filho, o avô Basílio resolveu passar para o neto a fazenda Bela Vista, distante seis quilômetros de Salinas, que dividia, pelo rio Salinas, com a fazenda Barreiro, de propriedade do deputado Chaves Ribeiro, filho do Coronel Idalino Ribeiro, chefe político de Salinas e região.

Certo dia, com a intenção de ir até a sede da fazenda Barreiro, deparou-se com a porteira da fazenda destruída e havia ali uma cerca de arame farpado impedindo passagem de transeuntes. Entendeu que o acesso àquela fazenda estava fechado.

Naquele período, todos viviam em torno do conceito de orientação do Coronel Idalino Ribeiro, cuja palavra era derradeira para todos. O jovem Geraldo Santanna dirigiu-se ao coronel e relatou o fato da porteira quebrada na entrada da fazenda do filho Chaves Ribeiro no que impedia o trânsito de pessoas pela estrada velha. O coronel prometeu resolver o problema.

Entretanto, o jovem Geraldo Santanna ficou desconfiado e achou que a interdição da estrada por meio do bloqueio da porteira da fazenda Barreiro tinha sido obra do próprio coronel. Não satisfeito e desconfiado, pouco tempo depois resolveu vender a fazenda Bela Vista ao primo Moacir Ribeiro, também sobrinho do coronel Idalino Ribeiro.

O episódio da porteira da fazenda Barreiro foi determinante na vida do jovem Geraldo Santanna. Passou a observar os bastidores da política local e os seus principais atores como Coronel Bernardino Costa, Coronel Procópio Cardoso, Coronel Moisés Ladeia e o próprio Coronel Idalino Ribeiro. Certa vez foi chamado pelo Coronel para uma repreensão, pois este ficara sabendo de sua simpatia pela atividade política do Coronel Procópio Cardoso. Não obstante as ameaças e próximo o pleito eleitoral, resolveu se candidatar a vereador pela oposição.

Eleito vereador e empossado (1951-55) iniciou atividade parlamentar fazendo forte oposição à política situacionista chefiada pelo Coronel Idalino Ribeiro, cujo prefeito de Salinas era Miguel de Almeida (1951-55). O seu primeiro grande ato político foi o pedido de transcrição nos anais da Câmara Municipal de Salinas de carta do Coronel Idalino Ribeiro ao governador Benedito Valadares pedindo para não consentir a emancipação do distrito de Taiobeiras. Eis o teor da carta:

“Sr. Governador,

Saúde,

Regressando ao norte até 22 corrente, peço ao prezado amigo, não consentir que o distrito de Taiobeiras, sem renda, sem gente, sem território bom, e sem nenhum melhoramento, seja elevado a município. Principalmente, querendo tomar a melhor faixa de terreno que existe no município de nossa Salinas, a melhor que temos.

Abraços agradecimento do velho amigo admirador,

Idalino

Capital, 16/11/43.”

__________
(Fonte: SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto. Belo Horizonte: 2004, página 69).



A emancipação de Taiobeiras ocorreu em 1953, com o apoio da Câmara Municipal de Salinas e da liderança do jovem vereador Geraldo Santanna. O episódio demonstrou novo contorno na política coronelista de Salinas que teria muitos desdobramentos a partir de então.

Alguns anos depois, foi eleito prefeito de Salinas (1959-63) sucedendo o prefeito Cândido José da Costa (1955-59). Surgia no município nova liderança política que resultou na decadência política do então todo poderoso político local, o temido Coronel Idalino Ribeiro, que até então reinava absoluto com mãos de ferro a política de Salinas e região por mais de quarenta anos a partir de 1918 até meados da década de 1950. O jovem político Geraldo Santanna encerrava o ciclo dos políticos coronéis.

A sua trajetória política foi intensa. Em Salinas foi vereador (1951-55) e prefeito por duas vezes (1959-63 e 2000-03). No plano estadual foi deputado por três vezes (1967-71, 1991-95 e 1995-99), chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas (1956); diretor-superintendente da Cemig (1964); assessor do governador pela Secretaria de Estado de Assuntos Municipais (1963-64 e 1983-85), secretário de estado da Secretária Extraordinário de Estado para Assuntos Políticos (1986-87), secretário de estado da Secretaria de Estado de Minas e Energia (1987), presidente da Cemig (1987-88), secretário de estado da Secretaria de Estado de Assuntos Municipais (1989-90).

Teve participação no alto escalão dos governos de Bias Fortes (1956-60), Magalhães Pinto (1961-66), Israel Pinheiro (1966-71), Rondon Pacheco (1971-75), Aureliano Chaves (1975-78), Francelino Pereira (1979-83), Tancredo Neves (1983-84), Hélio Garcia (1984-87), Newton Cardoso (1987-91), Hélio Garcia (1992-96), Eduardo Azeredo (1996-99) e Itamar Franco (1999-00).

Como homem público foi condecorado com a Ordem do Mérito Legislativo, Medalha Santos Dumont, Medalha da Inconfidência, Medalha de Mérito da Defesa Civil de Minas Gerais, Medalha Alferes Tiradentes e Diploma de Colaborador Emérito do Exército nacional.

O seu último ato político foi ser prefeito de Salinas pela segunda vez (2000-05) em coligação política nunca admitida em Salinas com o rival Péricles Ferreira dos Anjos. Não completou o mandato. Renunciou ao cargo no dia 13 de janeiro de 2003 e passa o cargo ao vice-prefeito Péricles Ferreira dos Anjos. Encerra-se ciclo político de um dos homens mais influentes de Minas Gerais da segunda metade do século XX. O último ato político foi mensagem ao presidente da Câmara Municipal de Salinas:

“Salinas, 13 de janeiro de 2003.

Excelentíssimo senhor vereador presidente da Câmara Municipal de Salinas,

1. Da Renúncia

Venho renunciar, como de fato renunciado tenho, ao mandato de prefeito municipal de Salinas, cujo término seria em janeiro de 2005.
Ato unilateral, resultante de vontade própria, independe de apreciação dessa E. Casa, cujo término seria em janeiro de 2005.

2. Da declaração de Bens – Acompanha a presente Declaração de Bens, na forma do que escreve a lei. Permito-me ressaltar que, se comparada à afeita por ocasião de minha posse, há de se concluir que, embora em pequena escala, meu patrimônio decresceu.

3. Das grandes obras – Ao assumir em fevereiro de 1959 a prefeitura de Salinas, o fiz com a missão, reiteradamente reclamada por Bernardino Costa, de lutar pela implantação e consolidação da “liberdade” em nossa região, a que logramos ter relativo êxito ao final daquele nosso mandato. A aquisição agora do Edifício Cel. Idalino Ribeiro para sede da prefeitura, a par de seu grande valor material, foi inspirada sobretudo no seu valor histórico, pois dali emanava o poder absoluto e incontestável de uma época.

Ao assumir em 2000 a candidatura a prefeito de Salinas, o fiz para atender ao clamor da população, bem interpretado na convocação do ilustre deputado Péricles Ferreira dos Anjos, juntos, estabelecer um “basta” ao vendaval de corrupção que abateu a moral e a ética na sucessão de responsáveis pela administração municipal, cujos desvios de conduta e de conceitos se transformaram repentinamente numa ‘cultura’. Não descuramos da difícil tarefa e a própria sociedade, na sua grande maioria, já dá sinais de que nos entendeu e aplaude seus primeiros resultados. Por isso e também por ser titular da iniciativa o deputado Péricles Ferreira, todos confiamos em que, certamente, ele completará a missão de restabelecer a moralidade e o respeito à coisa pública em nossa região (...).

3.2 No campo das realizações materiais, ao longo desses anos que se passaram, a par das obras de esgoto sanitário que só agora se desencadeiam na cidade, dotamos nossa terra de água doce e energia elétrica em abundância, de comunicação telefônica e rodoviária com o País, e, com a construção das primeiras passarelas sobre o rio Salinas, e o projeto de avenidas sanitárias ao longo de nossos rios; e, sem descuidarmos da recuperação e preservação de nossos mananciais, e com a perspectiva de construção de grande e moderno mercado na Praça ‘São Miguel’, do bairro São Geraldo, completamos a ‘sinalizar’ da direção para a qual a cidade deva também se desenvolver, não estando fora de propósito, com isso, a inserção da área que contorna a grande barragem sobre o rio Salinas, no seu contexto.

4 . Afinal, aos Senhores vereadores que entenderam e colaboraram aos que também não o fizeram por terem pleitos pessoais por nós contrariados, às novas lideranças e à sociedade em geral, nossa esperança é a de que como parte de um pensamento novo, ou melhor, ‘contemporâneo do futuro’, caminharão na busca do Poder, sem que dele pretendam se servir, mas para servir ao bem comum, e assim, inibindo, pela ação rejuvenescida e corajosa, aos que dele só pretendem gozar e usufruir.

Atenciosamente,

GERALDO PAULINO SANTANNA”

Encerrado o ciclo político, escreveu livro de memórias sobre a sua vida e os bastidores da política. O livro é um raro documentário sobre a intimidade do poder político em Salinas e Minas Gerais em suas várias facetas.

Geraldo Paulino Santanna foi um político de raras habilidades. O seu livro revela a intensidade e magnitude de sua vida pública em detalhes e sem pudor. Foi um dos mais emblemáticos personagens da política contemporânea mineira dos últimos tempos. José Monteiro de Castro, por quem Geraldo Paulino Santana tinha especial apreço sintetiza o político salinense ao fazer o seguinte comentário:

Acompanho a vida pública e particular, o comportamento e o trabalho do Santanna há muitos anos; senão o melhor, está entre os mais completos auxiliares que um Governador de Minas já conheceu; posso testemunhar que ele não se permite intimidades com nenhum governante a que serve, por mais tentado que seja; soube tratá-los, a cada um deles, de forma quase institucional, com extrema lealdade, respeito, dedicação e competência, com independência equilibrada, o que lhe permite ser sempre franco, mesmo quando precisa advertir o governante sobre as conseqüências desfavoráveis de algum ato; por tudo isso é ouvido com atenção e igual respeito. O comportamento de Santanna como auxiliar de governadores diversos, até opositores entre si, é a comprovação do que enfatizou a Rainha Vitória (Inglaterra), quando encerrou suas homenagens ao falecido Disraeli: ‘Les róis aiment celui qui parle juste’ (Os reis amam aqueles que lhes dizem a verdade na hora justa, na hora certa)”.

Autobiografia de Geraldo Paulino Santanna.
O livro de memórias “O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto” (Belo Horizonte: 2005, 444 páginas, 2ª edição), de autoria de Geraldo Paulino Santanna é um raro e interessantíssimo documentário para quem deseja entender os bastidores da política do município de Salinas e Minas Gerais a partir da década de 1950. Eis alguns depoimentos do livro:


Geraldo Santanna é uma singular figura de cidadão e homem público. Tem dado a Minas Gerais, com dedicação, sobriedade, coragem, correção e argúcia, nos postos mais distintos, contribuição inestimável, que não se resume à sua Salinas inolvidável, mas alcança todo o Estado”. (OSCAR DIAS CORRÊA, Ministro aposentado do STF, professor de Economia Política pela UFMG e UFRJ, membro da Academia Brasileira de Letras).

Foi na vida pública que conheci Geraldo Santanna, tenaz combatente que prestou eficientes serviços ao governo do saudoso companheiro José de Magalhães Pinto. Nesta fase pude testemunhar a sua capacidade de aglutinação política, com inteligente e arguta coordenação para conciliar tendências partidárias concorrentes, tendo em vista o objetivo maior de conquistar espaço, consolidar apoios e prestigiar Minas Gerais”. (RONDON PACHECO, Governador de Minas Gerais, 1971-1975).

Li, de uma só sentada, o livro ‘O Caminho de Volta’. Conheço poucas obras que relatam com tão ricos detalhes a história política de Minas Gerais (...). Poucos políticos vivos podem relatar com riqueza de detalhes (...) a história dos últimos 50 anos do nosso Estado”. (LUIZ TADEU LEITE, Prefeito de Montes Claros).

Momentos decisivos da história do Brasil foram protagonizados por homens que, a partir de Minas, e com peculiar competência, fizeram inicialmente a política de âmbito municipal. É no município que está guardado o interesse fundamental das pessoas a quem um governo deve servir; a partir daí, aprende-se lidar com os problemas sociais na órbita estadual e federal. Os bons políticos levam para os cargos públicos, conhecimento do que deve ser feito na busca do progresso, mas também sentimentos e aspirações, às vezes dolorosas, do povo. Sua atitude na vida pública não busca interesse pessoal, repleta que deve estar desse patriotismo que somente as lembranças da terra da infância sabem construir. Geraldo Paulino Santanna fez esse caminho para a vida pública. Saindo de Salinas para o centro do poder no Estado, manteve a obrigação de comportar-se como sertanejo autêntico, de trato ladino e bem humorado”. (OSWALDO ANTUNES, Jornalista).

..........
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta - A Travessia do Deserto. Belo Horizonte: 2004, 2ª. Edição, 444 páginas.




21 de outubro de 2011

A EPOPÉIA DA ESCOLA ESTADUAL CEL. IDALINO RIBEIRO

Por Roberto Carlos Morais Santiago


A construção do prédio da atual Escola Estadual "Cel. Idalino Ribeiro" (antigo Instituto Nossa Senhora Aparecida - INSA) foi épica. Foi iniciada em 1953 pelas irmãs franciscanas tendo como líder a irmã Narcisa Chamone e concluída por etapas. Contou com a colaboração da população salinense e de pessoas influentes como os deputados Clemente Medrado e José Chaves Ribeiro, Geraldo Paulino Santana, Abdênago Lisboa - diretor da Escola Agrícola -  que  cedia o caminhão da escola, dirigido por Anísio Guimarães, para carregar material de construção. Enfim, foi uma construção coletiva em prol da educação. A cidade entrou no espírito solidário para a construção do colégio.

A ideia da construção do colégio se deu em conversa entre Mendo Correa, Dr. Olinto e outros, com a presença do frei Joaquim, da paróquia de Salinas. Chegaram a conclusão que o local ideal seria em terreno dos herdeiros de Catolino Gomes.

O frei Joaquim entrou na conversa e desafiou os participantes a conseguirem o terreno que daria um jeito de construir o colégio. Por fim o terreno logo foi comprado. Frei Joaquim, que era tido como "doido" recorreu à Irmã Noêmia, Superiora Geral da Ordem Franciscana, conseguindo autorização, recursos e estímulo para a grande obra.

A irmã Narcisa Chamone, que chegou a Salinas em 1950, levou adiante o glorioso empreendimento sob orientação da Ordem Franciscana. Com jeito e determinação atraiu para a obra a atenção do povo salinense que deu valiosa contribuição, principalmente as mulheres, que não deixavam faltar nada para as irmãs responsáveis pelo empreendimento. O prédio foi concluído e inaugurado no início da década de 1960 e recebeu o pomposo e justo nome de Instituto Nossa Senhora Aparecida, popularmente conhecido por "INSA" em homenagem às franciscanas.

O "INSA" deu grande impulso na edução no município de Salinas. Ali estudaram gerações de alunos que era administrado pelas irmãs franciscanas. No dia 13 de outubro de 1969, o governador Israel Pinheiro Silva aprova Lei Estadual nº. 5.296 denominando o colégio de "Instituto Nossa Senhora Aparecida" atendendo projeto de iniciativa do deputado estadual Geraldo Paulino Santana.

Por razões políticas o "INSA", até então administrado pelas irmãs franciscanas, foi estadualizado no início da década de 1980. Tanto que no dia 8 de outubro de 1982 foi aprovada Lei Estadual nº. 8.288, assinado pelo governador Francelino Pereira dos Santos,  alterando o nome do estabelecimento de ensino para "Escola Estadual Cel. Idalino Ribeiro de 1º. e 2º. Graus" em homenagem ao grande político da primeira metade do século XX que por mais de 40 anos foi o principal político mandatário na região de Salinas (leia artigo sobre Cel. Idalino Ribeiro no blog).

Encerrado o ciclo das irmãs franciscanas, a nova escola estadual continuou com sua importância histórica no processo de inclusão de saber e cultura da juventude salinense. Atualmente é uma das maiores escolas estaduais de toda a região norte-mineira com mais de dois mil alunos. O legado das irmãs franciscanas continua.

4 de outubro de 2011

LEI PROVINCIAL Nº. 3.485 QUE ELEVOU À CATEGORIA DE CIDADE A VILA DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS FAZ 124 ANOS

Salinas na década de 1920. A casa da esquina foi a antiga residência do Coronel Idalino Ribeiro com o famoso jenipapeiro à sua frente. (fonte da imagem: Abdênago Lisboa)










Hoje é dia de festa em Salinas. Comemora-se 124 anos de elevação da Vila de Santo Antônio de Salinas à categoria de cidade. Foi no dia de 4 de outubro de 1887, no final do século XIX, ainda no II Império de D. Pedro II. Embora não seja a data mais importante esta é reconhecida pelo poder público municipal de Salinas como a data da emancipação de Salinas o que é um erro histórico. A data oficial deveria ser 19/01/1883, quando da instalação da 1ª. Câmara Municipal ou 18/12/1880, quando da criação do município pela Lei Provincial nº. 2.725.

De qualquer forma a data é digna de registro pela sua importância histórica. O reconhecimento de cidade veio do governo da província de Minas Gerais através da Lei Provincial nº. 3.485, de 4/10/1887, assinada pelo presidente da Província, Luiz Eugênio Horta Barbosa, em Ouro Preto, na então capital mineira.


VILA DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS
É ELEVADA A CATEGORIA DE CIDADE

O Dr. Luiz Eugênio Horta Barbosa, Presidente da Província de Minas Gerais: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou, e eu, sancionei a Lei seguinte:

Art. 1º - A cidade do Calhau denominar-se-á cidade do “Araçuaí”.

Art. 2º - A sede da freguesia de Morrinhos, município da Januária, fica transferida para a povoação e distrito de Santo Antônio da Manga, no mesmo município.

Art. 3º - Ficam elevadas a categoria de cidade as vilas da Boa Vista do Tremedal, da comarca do Rio Pardo, e Santo Antônio de Salinas, da de Grão Mogol.

Art. 4º - Fica transferida da freguesia de Santana de Contendas, município de Montes Claros, para a de Nossa Senhora das Dores da Januária, a fazenda do “Bom Sucesso”, pertencente aos herdeiros do tenente coronel Manoel Caetano de Souza e Silva e de Francisco de Paula Fogaça.

Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir, tão inteiramente como nela se contém.

O Secretário desta província a faça imprimir, publicar e correr.

Dada no Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais, aos 4 de outubro de 1887.

Luiz Eugênio Horta Barbosa
Presidente do Estado

__________