14 de novembro de 2013

SALINENSE EXPERT EM CULTIVARES DE CANA-DE-AÇÚCAR

O mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes é coordenador do
Curso Superior de Tecnologia de Cachaça do IFNMG - Campus Salinas. 

O trabalho do salinense mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes do Instituto Federal Norte de Minas Gerais (IFNMG) - Campus Salinas, expert em cultivares de cana-de-açúcar é digno de registro no blog História de Salinas pela relevância que o assunto merece. Com suas pesquisas se tornou numa das maiores autoridades sobre o assunto. É coordenador do Curso Superior de Tecnologia de Cachaça do IFNMG em Salinas.

Em seus trabalhos de pesquisa com cultivares de cana-de-açúcar, época de plantio, e análise físico-química de cachaça nos cursos de mestrado e doutorado chegou as seguintes conclusões: 

A cana-de-açúcar na modalidade de plantio de inverno, abrangendo os meses de junho, julho e agosto, mostrou-se uma excelente opção para a região de Salinas onde a irrigação suplementar se torna imprescindível para este cultivo. Neste sistema de plantio, colhe-se a matéria-prima de “12 meses” (cana-de-ano), com excelentes indicadores de qualidade e produtividade.

Em um primeiro experimento onde o plantio ocorreu em julho, foram avaliados parâmetros de produtividade e verificou-se que a produção total por hectare aos 352 dias após o plantio foi de 256,35; 205,00; 247,5; 185,43 e 292,50 t/ha das cultivares RB72454, SP79-1011, SP80-1842, JAVA e RB765541, respectivamente.

Em um segundo experimento onde o plantio também ocorreu em julho, verificou-se a interferência da qualidade da matéria-prima em função das épocas de colheita (junho, agosto e outubro) e o tipo de variedade de cana-de-açúcar na composição físico-química das cachaças produzidas nas três épocas supracitadas.

Os resultados apresentados indicaram que a qualidade da matéria-prima das cultivares de cana-de-açúcar, RB72454, SP79-1011, SP80-1842, JAVA e RB765418, não expressaram diferenças significativas quanto ao grau de maturação dentro de cada época de colheita (junho, agosto e outubro), porém todas apresentaram nível de maturação significativamente melhor, para os parâmetros de maturação analisados (Brix do caldo, pol da cana, pureza aparente e açúcares redutores da cana) na segunda e terceira época de colheita (agosto e outubro). 

Os resultados qualitativos das análises físico-químicas por cromatografia gasosa de compostos voláteis das amostras de cachaças apontaram que o tipo de cultivar não interferiu na formação de compostos presentes na cachaça, o que não ocorreu ao avaliar os mesmos compostos por época de colheita, principalmente no que se refere à acidez volátil e álcool n-butílico. Tais substâncias apresentaram um perfil qualitativo significativamente maior na primeira época de colheita (junho) em relação às outras épocas.

Através destes estudos, pode-se atestar que a época de colheita da cana-de-açúcar é determinante para se obter matéria-prima de qualidade e que esta interfere na formação de ácidos durante o processo fermentativo, sendo importante parâmetro para a melhoria das qualidades químicas desta bebida.

Para quem se interessar sobre o assunto e queira saber mais sobre a especialidade do mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes, o e-mail de contato é: oscarwbf@gmail.com.

23 de outubro de 2013

CACHAÇA DE SALINAS RECEBE REGISTRO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

Registro de Indicação Geográfica nº IG200908
concedido pelo INPI.
O Instituto Nacional de Propriedade Nacional (INPI) concedeu à Associação de Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs) , entidade representativa dos produtores de Salinas, registro de Indicação Geográfica (IG200908) - espécie Indicação de Procedência (IP) - para a cachaça com a denominação "Região de Salinas".

A área geográfica compreende 2.541,99 km². Abrange a totalidade dos municípios de Salinas e Novorizonte e parte dos municípios de Taiobeiras, Rubelita, Santa Cruz de Salinas e Fruta de Leite, todos inseridos na microrregião de Salinas, Norte de Minas Gerais.

Assim, a cachaça artesanal produzida nesta região demarcada alcança novo patamar de valorização no mercado, mas também se impõe uma série de responsabilidades. A Apacs fica responsável pela emissão de selos Indicação de Procedência (IP) para os produtores que atenderem os requisitos exigidos para comercializar  seu produto com o selo Indicação de Procedência.

O blog História de Salinas parabeniza a Apacs e seus associados por esta conquista que enche de orgulho o povo de Salinas e região. Um brinde à cachaça da "Região de Salinas".

Selo de Indicação de Procedência.

22 de outubro de 2013

VIRGÍNIA CELESTINA SANTIAGO


VIRGÍNIA CELESTINA SANTIAGO (1882-1965), natural de Urandi, Bahia, é a matriarca da família Santiago no município de Salinas. Filha de Antônio e Severa, teve seis irmãos: Benício, João, José, Júlia, Rita e Sebastiana. Casou-se com José Santiago (1873-1944) em Medina, Vale do Jequitinhonha, no dia 11 de julho de 1896. Dois anos depois, em 1898, o casal chegou a Salinas, final do século XIX, iniciando a saga dos Santiago no município. Saiba mais no
link: http://www.robertocmsantiago.com/visualizar.php?idt=2241201.

15 de setembro de 2013

O PRIMEIRO PREFEITO DE SALINAS

Antônio dos Anjos da Silva 
Sobrinho, primeiro prefeito 
(agente executivo) da 
história de Salinas no
período de 1883-1886.
Por Roberto Carlos Morais Santiago


Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho marcou seu nome na história de Salinas no final do século XIX. Foi um dos sete primeiros vereadores da história do município eleitos que tomou posse na instalação da 1ª. Câmara Municipal ocorrida em Rio Pardo de Minas no dia 19 de janeiro de 1883. O município fora criado pela Lei Provincial nº. 2.725, de 18 de dezembro de 1880.


O vereador Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho foi escolhido presidente da Câmara de Vereadores e, em consequência, também escolhido agente executivo (cargo equivalente a prefeito atualmente) para o período de 1883-1886. 


O fato confere a Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho como o primeiro presidente da Câmara de Vereadores e o primeiro prefeito (agente executivo) da história de Salinas constituindo-se no primeiro mandatário político local sob a égide de município emancipado.


Ressalta-se que até 1932, final do período da República Velha, os municípios brasileiros eram administrados pelos presidentes da Câmara de Vereadores com o apoio de uma junta de conselheiros.

28 de abril de 2013

DISTRITO DE BOM JARDIM DAS TAIOBEIRAS

Antigo mercado de Taiobeiras.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

Até a primeira década do século XX o povoado de Bom Jardim das Taiobeiras pertencia ao território do município de Rio Pardo de Minas. Estrategicamente localizado, funcionava como entrocamento de rota de tropeiros no transporte de mercadorias para Araçuaí, Montes Claros, Teófilo Otoni, Salinas e sertão da Bahia.

Com isso o povoado cresceu e foi elevado à categoria de distrito pela Lei Estadual nº. 556, de 30 de agosto de 1911 e incorporado ao território do município de Salinas. Como a divisa territorial entre Salinas e Rio Pardo de Minas passava dentro do antigo povoado onde hoje existe a avenida Contorno, moradores lutaram pela incorporação ao território salinense por acharem ser mais vantajoso sob o ponto de vista econômico e político.

Com o passar dos anos o distrito teve grande crescimento e a população local passou a reivindicar sua emancipação de Salinas. Foi um processo lento, pois a política de Salinas não permitia. Em 1943 a emancipação quase ocorreu. Já aprovada pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, precisava de sanção do governador. 

Cel. Idalino Ribeiro, líder político de Salinas, solicitou ao governador que não aprovasse pelo fato que terras da povoação de Matrona seria incorporada ao novo município. Salinas não aceitaria pois seria uma das melhores terras do município salinense.

Carta do Cel. Idalino Ribeiro ao governador confirma o imbróglio. Vejamos:

"Senhor Governador,

Saúde,

Regressando ao Norte do Estado, peço ao prezado amigo e chefe, não consentir que o distrito de Taiobeiras, sem renda, sem gente, sem território e sem nenhum melhoramento, seja elevado a município.

Principalmente, querendo tomar a melhor faixa de terra no que existe no município de nossa Salinas, no nosso distrito da cidade, o melhor que temos.

Abraço, agradecimentos do velho amigo admirador.

Idalino

Capital, 16/11/43"

O pedido do Cel. Idalino Ribeiro foi aceito pelo governador e a emancipação de Taiobeiras não ocorreu gerando enorme insatisfação do povo taiobeirense. Entretanto, o lento processo de emancipação continuou e concretizou-se uma década depois por meio da Lei Estadual nº.1.039, de 12 de dezembro de 1953, que teve o apoio do emergente político de Salinas, Geraldo Paulino Santanna, que fazia oposição ao Cel. Idalino Ribeiro.

Centro histórico de Taiobeiras.

A efetivação da emancipação deu-se no dia 1º. de janeiro de 1954, com a posse do intendente (administrador) Lídio Ituassu, nomeado pelo governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek. 

Assim, Taiobeiras foi o segundo distrito a se emancipar de Salinas. O primeiro foi o distrito de Fortaleza (atual município de Pedra Azul) ocorrido em 1911.

Para quem quer conhecer mais sobre a história da região de Salinas o blog História de Salinas recomenda leitura do excelente livro do escritor taiobeirense Avay Miranda intitulado "Taiobeiras: seus fatos históricos". O livro aborda aspectos sociais e políticos de Salinas e Taiobeiras.
__________

Referência bibliográfica:

MIRANDA, Avay. Taiobeiras: seus fatos históricos. Brasília: Thesaurus, 1997, vol. I e II.
SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de volta - A travessia do deserto. Belo Horizonte, 2005, 2ª. edição.

1 de março de 2013

CENSO APURA POPULAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS EM 1920

Segundo Censo de 1920 realizado pelo Estado de Minas Gerais, a população absoluta do município de Santo Antônio de Salinas foi apurada em 53.666 habitantes em área geográfica de 6.742,98 quilômetros quadrados, assim distribuídos:

POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SALINAS EM 1920

Salinas (sede): 31.651

Santa Cruz: 5.846

Água Vermelha: 10.197

Passagem da Vereda: 5.972

TOTAL: 53.666
__________
Fonte: LISBOA, Abdênago. Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas. Belo Horizonte: Canaã, 1992.

25 de novembro de 2012

ANTIGO CINEMA DE SALINAS É RESTAURADO

Cine Teatro Salinas "João Costa".
O antigo Cine Salinas foi reinaugurado com festa e pompa na sexta-feira de 23 de novembro de 2012. Um dia histórico para cultura local. Com capacidade para 284 lugares, foi reformado mantendo suas características originais. Recebeu ainda ar condicionado e nova e moderna aparelhagem de projeção de som e imagem. Com justiça recebe nova denominação Cine Teatro Salinas “João Costa”, em homenagem ao saudoso e maior historiador e divulgador da cultura de Salinas: João Costa (1928-2009). Originalmente o cinema foi inaugurado em 1956 e funcionou até meados da década de 1980. O cinema de Salinas faz parte do imaginário salinense. O blog História de Salinas parabeniza o prefeito José Prates pela reforma. O novo cinema resgata parte da história salinense.

14 de março de 2012

PRIMEIROS AUTOMÓVEIS DE SALINAS

Primeiros automóveis de Salinas, final da década de 1920, século XX. 
Ao fundo prédio da primeira sede do poder-executivo de Salinas.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

Por Roberto Carlos Morais Santiago
editor do blog História de Salinas

O primeiro automóvel a chegar na capital mineira, Belo Horizonte, foi um modelo Popp-Hart Ford, da empresa Trajano de Medeiros, em 1908, no início do século XX. Era símbolo da modernidade e provocou mudança no cenário urbano da capital mineira.

Em Salinas, Norte de Minas, o primeiro automóvel chegou no dia 16 de junho de 1925. Foi um acontecimento histórico de grande impacto na época. Até então o transporte de mercadorias e pessoas era feito por meio animais e carroças com dificuldades de toda ordem. O automóvel foi um Ford oriundo de Brejo das Almas (atual município de Francisco Sá). Custou quatro contos de réis adquirido por Domingos Português. Estava com Domingos o seu patrício Anibal.

O vereador Mendo Correia apresentou projeto na Câmara e fez aprovar lei decretando feriado municipal pelo acontecimento histórico.

A chegada do primeiro automóvel em Salinas foi o fim de um ciclo de uma sociedade e economia que não conseguia prosperar pela falta de contato com o mundo exterior em face da enorme dificuldade de locomoção. Até então produtos chegavam por meio de tropas.

O primeiro automóvel em Salinas foi, também, o início de um novo ciclo de desenvolvimento e prosperidade. Em 1928 deu-se início a construção de estrada de rodagem ligando Salinas a Brejo das Almas (atual Francisco Sá). A iniciativa foi do Coronel Idalino Ribeiro (1879-1973), chefe político e Agente Executivo (equivalente ao atual cargo de prefeito) do município. A estrada ficou pronta em 1929.

O governador de Minas, Olegácio Dias Maciel, refez a estrada entre 1931 e 1933. Com a estrada a região de Salinas passou por radical transformação com grande impacto na economia, cultura e sociedade. Verdadeira revolução de costumes graças ao primeiro automóvel em Salinas em 1925, dirigido por Domingo Português e seu patrício Aníbal.

Atualmente, o único veículo remanescente da primeira metade do século XX existente em Salinas é o velho caminhão Chevrolet Lordmaster, ano 1947, de propriedade da família de Anísio Santiago (1912-2002). Encontra-se em excelente estado de conservação na fazenda Havana. O velho caminhão é testemunha de uma época de ouro que se foi no tempo. Restam apenas lembranças dos mais velhos que tiveram o privilégio de viver uma época de deslumbramento.

1 de fevereiro de 2012

GERALDO PAULINO SANTANNA

Geraldo Paulino Santanna.
O salinense Geraldo Paulino Santanna foi um dos mais expoentes políticos da história de Minas Gerais. A sua trajetória política se iniciou em Salinas ao derrotar nas urnas em 1958, para prefeito, candidato apoiado pelo até então líder político da região, Cel. Idalino Ribeiro.


Por Roberto Carlos Morais Santiago
editor do blog História de Salinas


Durante mais de meio século o político salinense Geraldo Paulino Santanna testemunhou os bastidores da política de Salinas e Minas Gerais. Foi vereador, prefeito, deputado estadual e secretário de estado. Serviu vários governadores de Minas Gerais, muitos deles adversários entre si. Cumpriu missões sigilosas, fez arranjos e alianças políticas. Foi um autêntico político de bastidor e teve participação em importantes momentos da política mineira.

Filho de Olyntho Prediliano Santanna e Dinorah Paulino Santana, Geraldo Paulino Santanna nasceu em Salinas no dia 28 de novembro de 1925. Nasceu numa época em que o Brasil e Minas Gerais respiravam a República Velha. O governador de Minas Gerais era Fernando de Melo Viana (1924-26). No interior de Minas se praticava a velha política coronelista. Em Salinas e região o chefe político era o Coronel Idalino Ribeiro (1879-1973), por mais de 40 anos.

Ainda jovem Geraldo Santanna cursou o primário em Salinas, na Escola Estadual “Dr. João Porfírio”, entre 1934-37. Estudou o ginásio no “Dom Silvério”, em Sete Lagoas, entre 1938-42. O científico foi concluído no tradicional “Afonso Arinos”, em Belo Horizonte, nos anos de 1943-44.

Retornou para Salinas como contínuo e funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Logo foi transferido para Curvelo, onde deixou o emprego e retornou à terra natal.

Novamente em Salinas, com a ajuda do avô Basílio Ferreira Paulino, passou a exercer atividade rural no ramo de compra de animais na região para revender em Itabuna, Bahia. O avô Basílio foi importante na sua vida, uma vez que foi co-responsável pela sua criação, educação, trabalho e lhe deu suporte em suas ações. Era fazendeiro e militar. Em 1911 foi agraciado com o título de Capitão Cirurgião da Guarda Nacional, concedido pelo presidente da República, Hermes da Fonseca.

Em 1946, aos 21 anos, casou-se com Maria (...) com quem teve seis filhos. Após o nascimento do primeiro filho, o avô Basílio resolveu passar para o neto a fazenda Bela Vista, distante seis quilômetros de Salinas, que dividia, pelo rio Salinas, com a fazenda Barreiro, de propriedade do deputado Chaves Ribeiro, filho do Coronel Idalino Ribeiro, chefe político de Salinas e região.

Certo dia, com a intenção de ir até a sede da fazenda Barreiro, deparou-se com a porteira da fazenda destruída e havia ali uma cerca de arame farpado impedindo passagem de transeuntes. Entendeu que o acesso àquela fazenda estava fechado.

Naquele período, todos viviam em torno do conceito de orientação do Coronel Idalino Ribeiro, cuja palavra era derradeira para todos. O jovem Geraldo Santanna dirigiu-se ao coronel e relatou o fato da porteira quebrada na entrada da fazenda do filho Chaves Ribeiro no que impedia o trânsito de pessoas pela estrada velha. O coronel prometeu resolver o problema.

Entretanto, o jovem Geraldo Santanna ficou desconfiado e achou que a interdição da estrada por meio do bloqueio da porteira da fazenda Barreiro tinha sido obra do próprio coronel. Não satisfeito e desconfiado, pouco tempo depois resolveu vender a fazenda Bela Vista ao primo Moacir Ribeiro, também sobrinho do coronel Idalino Ribeiro.

O episódio da porteira da fazenda Barreiro foi determinante na vida do jovem Geraldo Santanna. Passou a observar os bastidores da política local e os seus principais atores como Coronel Bernardino Costa, Coronel Procópio Cardoso, Coronel Moisés Ladeia e o próprio Coronel Idalino Ribeiro. Certa vez foi chamado pelo Coronel para uma repreensão, pois este ficara sabendo de sua simpatia pela atividade política do Coronel Procópio Cardoso. Não obstante as ameaças e próximo o pleito eleitoral, resolveu se candidatar a vereador pela oposição.

Eleito vereador e empossado (1951-55) iniciou atividade parlamentar fazendo forte oposição à política situacionista chefiada pelo Coronel Idalino Ribeiro, cujo prefeito de Salinas era Miguel de Almeida (1951-55). O seu primeiro grande ato político foi o pedido de transcrição nos anais da Câmara Municipal de Salinas de carta do Coronel Idalino Ribeiro ao governador Benedito Valadares pedindo para não consentir a emancipação do distrito de Taiobeiras. Eis o teor da carta:

“Sr. Governador,

Saúde,

Regressando ao norte até 22 corrente, peço ao prezado amigo, não consentir que o distrito de Taiobeiras, sem renda, sem gente, sem território bom, e sem nenhum melhoramento, seja elevado a município. Principalmente, querendo tomar a melhor faixa de terreno que existe no município de nossa Salinas, a melhor que temos.

Abraços agradecimento do velho amigo admirador,

Idalino

Capital, 16/11/43.”

__________
(Fonte: SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto. Belo Horizonte: 2004, página 69).



A emancipação de Taiobeiras ocorreu em 1953, com o apoio da Câmara Municipal de Salinas e da liderança do jovem vereador Geraldo Santanna. O episódio demonstrou novo contorno na política coronelista de Salinas que teria muitos desdobramentos a partir de então.

Alguns anos depois, foi eleito prefeito de Salinas (1959-63) sucedendo o prefeito Cândido José da Costa (1955-59). Surgia no município nova liderança política que resultou na decadência política do então todo poderoso político local, o temido Coronel Idalino Ribeiro, que até então reinava absoluto com mãos de ferro a política de Salinas e região por mais de quarenta anos a partir de 1918 até meados da década de 1950. O jovem político Geraldo Santanna encerrava o ciclo dos políticos coronéis.

A sua trajetória política foi intensa. Em Salinas foi vereador (1951-55) e prefeito por duas vezes (1959-63 e 2000-03). No plano estadual foi deputado por três vezes (1967-71, 1991-95 e 1995-99), chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas (1956); diretor-superintendente da Cemig (1964); assessor do governador pela Secretaria de Estado de Assuntos Municipais (1963-64 e 1983-85), secretário de estado da Secretária Extraordinário de Estado para Assuntos Políticos (1986-87), secretário de estado da Secretaria de Estado de Minas e Energia (1987), presidente da Cemig (1987-88), secretário de estado da Secretaria de Estado de Assuntos Municipais (1989-90).

Teve participação no alto escalão dos governos de Bias Fortes (1956-60), Magalhães Pinto (1961-66), Israel Pinheiro (1966-71), Rondon Pacheco (1971-75), Aureliano Chaves (1975-78), Francelino Pereira (1979-83), Tancredo Neves (1983-84), Hélio Garcia (1984-87), Newton Cardoso (1987-91), Hélio Garcia (1992-96), Eduardo Azeredo (1996-99) e Itamar Franco (1999-00).

Como homem público foi condecorado com a Ordem do Mérito Legislativo, Medalha Santos Dumont, Medalha da Inconfidência, Medalha de Mérito da Defesa Civil de Minas Gerais, Medalha Alferes Tiradentes e Diploma de Colaborador Emérito do Exército nacional.

O seu último ato político foi ser prefeito de Salinas pela segunda vez (2000-05) em coligação política nunca admitida em Salinas com o rival Péricles Ferreira dos Anjos. Não completou o mandato. Renunciou ao cargo no dia 13 de janeiro de 2003 e passa o cargo ao vice-prefeito Péricles Ferreira dos Anjos. Encerra-se ciclo político de um dos homens mais influentes de Minas Gerais da segunda metade do século XX. O último ato político foi mensagem ao presidente da Câmara Municipal de Salinas:

“Salinas, 13 de janeiro de 2003.

Excelentíssimo senhor vereador presidente da Câmara Municipal de Salinas,

1. Da Renúncia

Venho renunciar, como de fato renunciado tenho, ao mandato de prefeito municipal de Salinas, cujo término seria em janeiro de 2005.
Ato unilateral, resultante de vontade própria, independe de apreciação dessa E. Casa, cujo término seria em janeiro de 2005.

2. Da declaração de Bens – Acompanha a presente Declaração de Bens, na forma do que escreve a lei. Permito-me ressaltar que, se comparada à afeita por ocasião de minha posse, há de se concluir que, embora em pequena escala, meu patrimônio decresceu.

3. Das grandes obras – Ao assumir em fevereiro de 1959 a prefeitura de Salinas, o fiz com a missão, reiteradamente reclamada por Bernardino Costa, de lutar pela implantação e consolidação da “liberdade” em nossa região, a que logramos ter relativo êxito ao final daquele nosso mandato. A aquisição agora do Edifício Cel. Idalino Ribeiro para sede da prefeitura, a par de seu grande valor material, foi inspirada sobretudo no seu valor histórico, pois dali emanava o poder absoluto e incontestável de uma época.

Ao assumir em 2000 a candidatura a prefeito de Salinas, o fiz para atender ao clamor da população, bem interpretado na convocação do ilustre deputado Péricles Ferreira dos Anjos, juntos, estabelecer um “basta” ao vendaval de corrupção que abateu a moral e a ética na sucessão de responsáveis pela administração municipal, cujos desvios de conduta e de conceitos se transformaram repentinamente numa ‘cultura’. Não descuramos da difícil tarefa e a própria sociedade, na sua grande maioria, já dá sinais de que nos entendeu e aplaude seus primeiros resultados. Por isso e também por ser titular da iniciativa o deputado Péricles Ferreira, todos confiamos em que, certamente, ele completará a missão de restabelecer a moralidade e o respeito à coisa pública em nossa região (...).

3.2 No campo das realizações materiais, ao longo desses anos que se passaram, a par das obras de esgoto sanitário que só agora se desencadeiam na cidade, dotamos nossa terra de água doce e energia elétrica em abundância, de comunicação telefônica e rodoviária com o País, e, com a construção das primeiras passarelas sobre o rio Salinas, e o projeto de avenidas sanitárias ao longo de nossos rios; e, sem descuidarmos da recuperação e preservação de nossos mananciais, e com a perspectiva de construção de grande e moderno mercado na Praça ‘São Miguel’, do bairro São Geraldo, completamos a ‘sinalizar’ da direção para a qual a cidade deva também se desenvolver, não estando fora de propósito, com isso, a inserção da área que contorna a grande barragem sobre o rio Salinas, no seu contexto.

4 . Afinal, aos Senhores vereadores que entenderam e colaboraram aos que também não o fizeram por terem pleitos pessoais por nós contrariados, às novas lideranças e à sociedade em geral, nossa esperança é a de que como parte de um pensamento novo, ou melhor, ‘contemporâneo do futuro’, caminharão na busca do Poder, sem que dele pretendam se servir, mas para servir ao bem comum, e assim, inibindo, pela ação rejuvenescida e corajosa, aos que dele só pretendem gozar e usufruir.

Atenciosamente,

GERALDO PAULINO SANTANNA”

Encerrado o ciclo político, escreveu livro de memórias sobre a sua vida e os bastidores da política. O livro é um raro documentário sobre a intimidade do poder político em Salinas e Minas Gerais em suas várias facetas.

Geraldo Paulino Santanna foi um político de raras habilidades. O seu livro revela a intensidade e magnitude de sua vida pública em detalhes e sem pudor. Foi um dos mais emblemáticos personagens da política contemporânea mineira dos últimos tempos. José Monteiro de Castro, por quem Geraldo Paulino Santana tinha especial apreço sintetiza o político salinense ao fazer o seguinte comentário:

Acompanho a vida pública e particular, o comportamento e o trabalho do Santanna há muitos anos; senão o melhor, está entre os mais completos auxiliares que um Governador de Minas já conheceu; posso testemunhar que ele não se permite intimidades com nenhum governante a que serve, por mais tentado que seja; soube tratá-los, a cada um deles, de forma quase institucional, com extrema lealdade, respeito, dedicação e competência, com independência equilibrada, o que lhe permite ser sempre franco, mesmo quando precisa advertir o governante sobre as conseqüências desfavoráveis de algum ato; por tudo isso é ouvido com atenção e igual respeito. O comportamento de Santanna como auxiliar de governadores diversos, até opositores entre si, é a comprovação do que enfatizou a Rainha Vitória (Inglaterra), quando encerrou suas homenagens ao falecido Disraeli: ‘Les róis aiment celui qui parle juste’ (Os reis amam aqueles que lhes dizem a verdade na hora justa, na hora certa)”.

Autobiografia de Geraldo Paulino Santanna.
O livro de memórias “O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto” (Belo Horizonte: 2005, 444 páginas, 2ª edição), de autoria de Geraldo Paulino Santanna é um raro e interessantíssimo documentário para quem deseja entender os bastidores da política do município de Salinas e Minas Gerais a partir da década de 1950. Eis alguns depoimentos do livro:


Geraldo Santanna é uma singular figura de cidadão e homem público. Tem dado a Minas Gerais, com dedicação, sobriedade, coragem, correção e argúcia, nos postos mais distintos, contribuição inestimável, que não se resume à sua Salinas inolvidável, mas alcança todo o Estado”. (OSCAR DIAS CORRÊA, Ministro aposentado do STF, professor de Economia Política pela UFMG e UFRJ, membro da Academia Brasileira de Letras).

Foi na vida pública que conheci Geraldo Santanna, tenaz combatente que prestou eficientes serviços ao governo do saudoso companheiro José de Magalhães Pinto. Nesta fase pude testemunhar a sua capacidade de aglutinação política, com inteligente e arguta coordenação para conciliar tendências partidárias concorrentes, tendo em vista o objetivo maior de conquistar espaço, consolidar apoios e prestigiar Minas Gerais”. (RONDON PACHECO, Governador de Minas Gerais, 1971-1975).

Li, de uma só sentada, o livro ‘O Caminho de Volta’. Conheço poucas obras que relatam com tão ricos detalhes a história política de Minas Gerais (...). Poucos políticos vivos podem relatar com riqueza de detalhes (...) a história dos últimos 50 anos do nosso Estado”. (LUIZ TADEU LEITE, Prefeito de Montes Claros).

Momentos decisivos da história do Brasil foram protagonizados por homens que, a partir de Minas, e com peculiar competência, fizeram inicialmente a política de âmbito municipal. É no município que está guardado o interesse fundamental das pessoas a quem um governo deve servir; a partir daí, aprende-se lidar com os problemas sociais na órbita estadual e federal. Os bons políticos levam para os cargos públicos, conhecimento do que deve ser feito na busca do progresso, mas também sentimentos e aspirações, às vezes dolorosas, do povo. Sua atitude na vida pública não busca interesse pessoal, repleta que deve estar desse patriotismo que somente as lembranças da terra da infância sabem construir. Geraldo Paulino Santanna fez esse caminho para a vida pública. Saindo de Salinas para o centro do poder no Estado, manteve a obrigação de comportar-se como sertanejo autêntico, de trato ladino e bem humorado”. (OSWALDO ANTUNES, Jornalista).

..........
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta - A Travessia do Deserto. Belo Horizonte: 2004, 2ª. Edição, 444 páginas.




21 de outubro de 2011

A EPOPÉIA DA ESCOLA ESTADUAL CEL. IDALINO RIBEIRO

Por Roberto Carlos Morais Santiago


A construção do prédio da atual Escola Estadual "Cel. Idalino Ribeiro" (antigo Instituto Nossa Senhora Aparecida - INSA) foi épica. Foi iniciada em 1953 pelas irmãs franciscanas tendo como líder a irmã Narcisa Chamone e concluída por etapas. Contou com a colaboração da população salinense e de pessoas influentes como os deputados Clemente Medrado e José Chaves Ribeiro, Geraldo Paulino Santana, Abdênago Lisboa - diretor da Escola Agrícola -  que  cedia o caminhão da escola, dirigido por Anísio Guimarães, para carregar material de construção. Enfim, foi uma construção coletiva em prol da educação. A cidade entrou no espírito solidário para a construção do colégio.

A ideia da construção do colégio se deu em conversa entre Mendo Correa, Dr. Olinto e outros, com a presença do frei Joaquim, da paróquia de Salinas. Chegaram a conclusão que o local ideal seria em terreno dos herdeiros de Catolino Gomes.

O frei Joaquim entrou na conversa e desafiou os participantes a conseguirem o terreno que daria um jeito de construir o colégio. Por fim o terreno logo foi comprado. Frei Joaquim, que era tido como "doido" recorreu à Irmã Noêmia, Superiora Geral da Ordem Franciscana, conseguindo autorização, recursos e estímulo para a grande obra.

A irmã Narcisa Chamone, que chegou a Salinas em 1950, levou adiante o glorioso empreendimento sob orientação da Ordem Franciscana. Com jeito e determinação atraiu para a obra a atenção do povo salinense que deu valiosa contribuição, principalmente as mulheres, que não deixavam faltar nada para as irmãs responsáveis pelo empreendimento. O prédio foi concluído e inaugurado no início da década de 1960 e recebeu o pomposo e justo nome de Instituto Nossa Senhora Aparecida, popularmente conhecido por "INSA" em homenagem às franciscanas.

O "INSA" deu grande impulso na edução no município de Salinas. Ali estudaram gerações de alunos que era administrado pelas irmãs franciscanas. No dia 13 de outubro de 1969, o governador Israel Pinheiro Silva aprova Lei Estadual nº. 5.296 denominando o colégio de "Instituto Nossa Senhora Aparecida" atendendo projeto de iniciativa do deputado estadual Geraldo Paulino Santana.

Por razões políticas o "INSA", até então administrado pelas irmãs franciscanas, foi estadualizado no início da década de 1980. Tanto que no dia 8 de outubro de 1982 foi aprovada Lei Estadual nº. 8.288, assinado pelo governador Francelino Pereira dos Santos,  alterando o nome do estabelecimento de ensino para "Escola Estadual Cel. Idalino Ribeiro de 1º. e 2º. Graus" em homenagem ao grande político da primeira metade do século XX que por mais de 40 anos foi o principal político mandatário na região de Salinas (leia artigo sobre Cel. Idalino Ribeiro no blog).

Encerrado o ciclo das irmãs franciscanas, a nova escola estadual continuou com sua importância histórica no processo de inclusão de saber e cultura da juventude salinense. Atualmente é uma das maiores escolas estaduais de toda a região norte-mineira com mais de dois mil alunos. O legado das irmãs franciscanas continua.

4 de outubro de 2011

LEI PROVINCIAL Nº. 3.485 QUE ELEVOU À CATEGORIA DE CIDADE A VILA DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS FAZ 124 ANOS

Salinas na década de 1920. A casa da esquina foi a antiga residência do Coronel Idalino Ribeiro com o famoso jenipapeiro à sua frente. (fonte da imagem: Abdênago Lisboa)










Hoje é dia de festa em Salinas. Comemora-se 124 anos de elevação da Vila de Santo Antônio de Salinas à categoria de cidade. Foi no dia de 4 de outubro de 1887, no final do século XIX, ainda no II Império de D. Pedro II. Embora não seja a data mais importante esta é reconhecida pelo poder público municipal de Salinas como a data da emancipação de Salinas o que é um erro histórico. A data oficial deveria ser 19/01/1883, quando da instalação da 1ª. Câmara Municipal ou 18/12/1880, quando da criação do município pela Lei Provincial nº. 2.725.

De qualquer forma a data é digna de registro pela sua importância histórica. O reconhecimento de cidade veio do governo da província de Minas Gerais através da Lei Provincial nº. 3.485, de 4/10/1887, assinada pelo presidente da Província, Luiz Eugênio Horta Barbosa, em Ouro Preto, na então capital mineira.


VILA DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS
É ELEVADA A CATEGORIA DE CIDADE

O Dr. Luiz Eugênio Horta Barbosa, Presidente da Província de Minas Gerais: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou, e eu, sancionei a Lei seguinte:

Art. 1º - A cidade do Calhau denominar-se-á cidade do “Araçuaí”.

Art. 2º - A sede da freguesia de Morrinhos, município da Januária, fica transferida para a povoação e distrito de Santo Antônio da Manga, no mesmo município.

Art. 3º - Ficam elevadas a categoria de cidade as vilas da Boa Vista do Tremedal, da comarca do Rio Pardo, e Santo Antônio de Salinas, da de Grão Mogol.

Art. 4º - Fica transferida da freguesia de Santana de Contendas, município de Montes Claros, para a de Nossa Senhora das Dores da Januária, a fazenda do “Bom Sucesso”, pertencente aos herdeiros do tenente coronel Manoel Caetano de Souza e Silva e de Francisco de Paula Fogaça.

Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir, tão inteiramente como nela se contém.

O Secretário desta província a faça imprimir, publicar e correr.

Dada no Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais, aos 4 de outubro de 1887.

Luiz Eugênio Horta Barbosa
Presidente do Estado

__________

31 de julho de 2011

RUA RAUL SOARES

Rua Raul Soares, região central de Salinas, década de 1980.
Ao fundo o novo mercado recém construído.

26 de julho de 2011

Tributo à Salinas

Manoel Alves dos Anjos.
O blog História de Salinas recebeu de Manoel Alves dos Anjos, 72 anos, pedido especial no sentido de publicar poema, de sua autoria, em homenagem à Salinas, sua terra natal.

Nasceu em Salinas no dia 15 de dezembro de 1939, na primeira metade do século XX. É filho de João Pedro de Bessa (in memmorian) e Teodomira Alves de Jesus. Quando jovem foi professor em uma escola pública em Salinas. Nos momentos de lazer, foi um bom “tocador” de viola. Seguindo os passos de milhares de salinenses em busca de uma vida melhor, em 1969 se mudou para São Paulo para nunca mais voltar. Casou e constituiu família. Após 42 anos de ausência, desconfiado de que não teria outra oportunidade de rever sua amada terra fez belíssimo poema em homenagem à Salinas. Parafraseando o escritor salinense Danilo Borges, quem deixa Salinas esquece sua alma na amada terra. O poema do Sr. Manoel está aí para confirmar a tese. Boa leitura!


**********

Lembranças de minha querida Salinas

(Manoel Alves dos Anjos)


Sou filho do Norte de Minas Gerais, a terra do ouro e dos cafezais, oh Minas querida você é demais, és rica em ferro e outros metais, seus rios e campos e coqueirais, são coisas da infância que não voltam mais!

Eu me lembro à casinha onde eu morava, os amigos de infância com quem brincava a primeira escolinha onde eu estudava minha professora que eu tanto adorava.

Depois fui crescendo na zona rural, brincando na areia do rio bananal, à água branquinha parecia cristal, os pássaros cantando como se fosse um recital.

Eu amava tanto aquele lugar que nem percebia o tempo passar, se eu pudesse fazer o tempo parar, de novo eu queria recomeçar...

Às vezes o destino, é cheio de maldade, às coisas da infância transformam em saudade, a lembrança de tudo dói mais com a idade, principalmente distante da realidade...

Eu nunca esqueço o povo mineiro, pois é um povo hospitaleiro, você almoça e janta não precisa dinheiro, ali está o exemplo do bom brasileiro!

O doce de leite, o queijo mineiro, se tornara conhecido até no estrangeiro, quem que não gosta do feijão tropeiro, do requeijão, e do bolo caseiro?..

Ai que saudade da terra querida, onde á alegria faz parte da vida, eu sinto saudade até da comida, a carne de sol, rapadura e batida...

A terra querida, onde nascemos, é algo na vida, que nunca esquecemos, foi ali que nascemos, e ali crescemos, os bons momentos que lá vivemos os amigos de infância jamais esquecemos...

Eu sinto saudade daqueles amigos, que há muito tempo, ali eu deixei, o tempo passa não volta mais, mas com saudade eu te lembrarei da minha casinha e dos meus amigos e da mocidade que ali passei.

Eu montava a cavalo, e ali passeava das festas juninas, é que gostava, em todas as festas em que chegava, a namoradinha ali já estava, minha prenda querida que tanto adorava, a noite inteira, com ela eu dançava.

Adeus Salinas, terra onde nasci, minha linda cidade onde vivi, suas praças e ruas eu não esqueci, tudo isto é saudade que eu sinto de ti.

Hoje estou vivendo aqui bem distante, do meu recanto, eu recordarei, quando a saudade afoga o meu peito, não tem outro jeito, eu te lembrarei e você Salinas querida, no meu coração te guardarei.

Ó Salinas querida, eu quero dizer que esta homenagem eu fiz prá você e nunca na vida vou esquecer, esse berço adorado que me viu nascer.

3 de julho de 2011

Falece produtor da cachaça Teixeirinha

A cachaça Teixeirinha,
do produtor Felismino Teixeira
Costa, foi produzida em Salinas
na década de 1970.
Faleceu em Montes Claros, dia 29 de junho de 2011, aos 79 anos, o produtor da antiga cachaça Teixeirinha, Felismino Teixeira Costa. Natural de Salinas, nasceu no dia 23 de abril de 1932, filho de Paulo Teixeira Costa e Josefa Maria do Rosário. Separado de Carlota Auxiliadora Brito, deixou os filhos Felismino Teixeira Costa Filho, Geraldo Cesar Costa, Maria Auxiliadora Costa, e Paulo Raimundo Costa. Foi enterrado no cemitério municipal de Salinas no dia 30 de junho de 2011. 

O blog História de Salinas externa condolências à família pela enorme perda.

19 de junho de 2011

Cachaça Havana retorna para família de Anísio Santiago



Por Roberto Carlos Morais Santiago

Justiça seja feita! Em ato histórico a justiça federal por meio do juiz da 8ª. Vara Federal em Belo Horizonte, Dr. Renato Martins Prates, proferiu sentença favorável, publicada no Diário Oficial da União, de 07/06/2011, restabelecendo direito de uso da marca Havana ao produtor de cachaça Indústria e Comércio de Aguardente Menago (Havana) Ltda. que pertence a família de Anísio Santiago (1912-2002). Trata-se de decisão histórica uma vez que a disputa judicial pela marca Havana tinha como oponente a empresa multinacional Havana Club Holding produtora do rum Havana Club que pertence ao grupo francês Pernot Ricad, um dos maiores produtores de bebidas do mundo. A família de Anísio Santiago já vinha comercializando a cachaça como o nome Havana desde 2005, por meio de liminar concedida pela justiça estadual expedida pelo juiz da Comarca de Salinas, Dr. Evando Cangussu Melo. Desde então a disputa pela marca Havana foi parar na justiça federal que culminou em setença favorável aos herdeiros de Anísio Santiago, embora ainda caiba recurso.

A cachaça Havana é pioneira em Salinas. Surgiu em 1946 com o produtor Anísio Santiago, primeiro produtor de cachaça de Salinas a formalizar a produção de cachaça com a marca Havana, constituindo-se, desde então, na mais famosa marca de cachaça artesanal brasileira em face de sua qualidade e notoriedade. Tornou-se produto lendário no mercado de bebidas no Brasil.

Osvaldo Santiago exalta eufórico a conquista do direito de reaver a marca Havana em caráter definitivo. O sucessor de Anísio Santiago diz que “A marca Havana é um patrimônio econômico e cultural da família que luta para manter a tradição do patriarca Anísio Santiago. Temos um pacto de família em manter inalterado o processo de produção e comercialização da cachaça produzida na fazenda Havana que vem desde a época do meu pai.”

Em face do imblóglio da marca Havana, desde 2001 a marca Havana também é comercializada sob a marca Anísio Santiago. Agora, a família de Anísio Santiago possui duas marcas dignas representantes da mais genuína bebida basileira: a cachaça.

O jornal Estado de Minas traz reportagem do jornalista Luiz Ribeiro contando a saga da família de Anísio Santiago para reaver a marca Havana em definitivo. Também o jornal O Tempo traz interessante reportagm da jornalista Helenice Laguardia abordando o assunto. Vale conferir.

18 de junho de 2011

Literatura da região de Salinas

O livro aborda interessantes
aspectos da história e cultura da região.

Acabo de ler o interessantíssimo livro "Corografia do Município do Rio Pardo", de autoria de Antonino da Silva Neves, lançado pelo Arquivo Público Mineiro em 1908, relançado em 2008, comemorando o centenário da edição original do livro.


Trata-se de livro que aborda a história, cultura, relevo, povoamento e geografia da região do Alto Rio Pardo (atual microrregião de Salinas) até o início do século XX.


O livro é pouco conhecido do público. Com o relançamento bem que poderia ser distribuído em bibliotecas municipais e estaduais dos municípios da região com intuito de levar ao público jovem informações históricas e culturais.


O autor Antonino da Silva Neves foi pessoa de cultura refinada. Natural de Lençóis do Rio Verde (atual município de Espinosa) morou em vários países (Egito, Grécia, Índia, Japão, México, Turquia). Faleceu em Calcutá (Índia) a 31 de março de 1928, onde está sepultado. Seguramente foi um dos homens mais inteligentes da região norte-mineira.

14 de junho de 2011

Centro antigo de Salinas

Centro antigo de Salinas em 1959. Ao fundo o prédio do Fórum.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa/Apolo Heringer)
Praça do mercado velho, década de 1930.

Praça do mercado velho de Salinas em 1959. 
A imagem diz tudo: nostalgia de uma época de ouro. Ah! Salinas!
Fonte da imagem: Abdênago Lisboa/Apolo Heringer.



13 de junho de 2011

Leitor elogia blog História de Salinas

Caro leitor, abaixo mensagem de elogio ao blog História de Salinas enviada pelo salinense Eduardo Duarte e Araújo, graduando em Comunicação Social (Relações Públicas) no Centro Universitário Newton Paiva, em Belo Horizonte:
__________

Caro Roberto Santiago,

É com grande prazer e admiração que escrevo este e-mail felicitando-lhe e me sentindo feliz, também, por saber que Salinas conta com um blog tão rico quanto o seu. Antes, devo me apresentar: me chamo Eduardo, tenho 22 anos e sou salinense, embora hoje more em Belo Horizonte, onde curso Comunicação Social (habilitação em Relações Públicas) pelo Centro Universitário Newton Paiva.

Por ter apenas 22 anos, sinto uma carência em informações sobre os tempos mais antigos da nossa cidade, uma vez que as próprias informações disponíveis por lá são de difícil acesso. Sempre busquei saber um pouco mais sobre a história política e econômica de nossa Salinas e sentia uma lacuna muito grande em termos de acesso a informação. Lacuna esta que veio a ser preenchida por seu blog e seus textos, que além de muito ricos em detalhes, são também bem escritos e organizados. Eu, enquanto graduando em comunicação, sempre tive interesse em blogs e sites, assim como tenho interesse em escrever, algo que faço com frequência, embora em outro viés, o esportivo, com três blogs ao qual colaboro.

Deixo meus votos para que siga trilhando este caminho e nos brindando com a história de Salinas, tão arraigada à própria história de sua família.

Ao ler os textos do seu blog, fico imaginando porque nas nossas escolas municipais não podemos ter uma matéria sobre a história de Salinas? Seria de grande mais-valia para a formação de nossos cidadãos o conhecimento acerca da história de nosso município, pois um povo que conhece e valoriza sua história é um povo que tende a andar pra frente, respeitando o passado e construindo um futuro melhor, algo que espero para Salinas.

Meu cumprimentos,


Eduardo Duarte e Araújo