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| Cel. Idalino Ribeiro (1879-1973). (Fonte da imagem: Abdênago Lisboa) |
Por Roberto Carlos Morais Santiago
editor do blog História de Salinas
editor do blog História de Salinas
Coronel Idalino Ribeiro é o maior personagem político da história de Salinas. Foi chefe político de fato e direito na região de Salinas por quase meio século. Pouco se sabe sobre sua pessoa. Há poucos registros. Poucos livros abordam sobre sua trajetória política como "Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas", de autoria de Abdênago Liboa, e "O Caminho de Volta - A travessia do Deserto", de autoria de Geraldo Paulino Santana. São dois livros interessantes que o blog História de Salinas recomenda para quem deseja entender os meandros da política salinense no século XX.
Idalino Ribeiro, filho de João Nepomuceno e Benevinda Costa Ribeiro, nasceu em Salinas no dia 3 de maio de 1879, no final do século XIX. Sua família é uma das pioneiras de Salinas com raízes em Rio Pardo de Minas. Em 11 de julho de 1904 se casou com Laudelina Chaves, filha única do rico fazendeiro e político José Chaves. Da união teve quatro filhos: Odete Chaves Ribeiro, José Chaves Ribeiro, Osmane Ribeiro e Severina Chaves Ribeiro.
Ainda jovem, com o apoio do deputado Edmundo Blum, que representava a região do Alto Rio Pardo, foi nomeado fiscal de impostos de consumo do Estado com salário de 120$000 réis e mais 5% da renda. A sua área de fiscalização era imensa alcançando os municípios de Salinas, Grão Mogol, Araçuaí, Pedra Azul, Jequitinhonha, até o Salto da Divisa. Ganhou, ainda, patente para negociar fumo. Em sua vida firmou-se como pessoa influente, comerciante e político.
Foi chefe político em Salinas por quase meio século. De 1918 a 1930 foi Agente Executico (cargo equivalente a prefeito atual) que era ocupado pelo presidente da Câmara de Vereadores. De 1930 a 1959, impôs todos os prefeitos (nomeados ou eleitos) do município, quando seu candidato foi derrotado pelo sobrinho e emergente político emergente Geraldo Paulino Santanna. A partir daí entrou em dacadência política.
Em 1923, foi responsável pela construção e inauguração de ponte de madeira ligando o centro ao bairro São Geraldo. O construtor responsável foi o carpinteiro Viroti, de Jequitaí, que ganhava 15$000 por dia, muito dinheiro para a época.
| (Fonte da imagem: Abdênago Lisboa) |
Em 1933, como forma de de demonstração de poder e prestígio político, construiu palacete residencial especialmente para receber o governador Benedito Valadares, que veio participar da inaugração da reforma da estrada que liga Salinas a Brejo das Almas.
No período em que esteve no poder, todos em Salinas, diretamente ou indiretamente, eram influenciados pelo coronel Idalino Ribeiro. A sua palavra era derradeira e decisiva. Por respeito ou medo todos o reverenciavam. Existiam outros coronéis em Salinas em sua época como Bernadino Costa, Procópio Cardoso, Moysés Ladeia. Entretanto, Cel. Idalino Ribeiro estava acima de todos. Dizem que sua ascenção ao poder político em Salinas foi à força com o apoio de jagunços e parte a elite local. O fato é que representou fielmente, na região de Salinas, o papel de chefe oligárquico numa época em que oligarquias familiares eram células importantes no xadrez político da República Velha no Brasil (1889-1930) e da era Getúlio Vargas (1930-1945).


3 comentários:
Dizem que o homem era forte mesmo!
quem era o candidato que Geraldo Santana derrotou nesta eleição? Como estava a insastifação política com o coronel neste momento?
Coronel Idalino era o chefe político de JK em toda a região.
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