História de Salinas

História de Salinas

18 de dezembro de 2014

MUNICÍPIO DE SALINAS FAZ 134 ANOS


Por Roberto Carlos Morais Santiago

A data mais importante da história de Salinas figura em seu brasão,
mas nunca foi comemoradas pelas autoridades e pelo povo salinense.
Hoje, dia 18 de dezembro de 2014, Salinas faz 134 anos de existência como município. A data é histórica e digna de registro. 

O município foi criado pela Lei Provincial nº 2.725, de 18 de dezembro de 1880, assinada pelo vice-presidente da província de Minas Gerais, Cônego Joaquim José de Sant'Anna, na então capital Ouro Preto, cujo imenso território foi desmembrado da Vila de Rio Pardo. Nesta data vivia-se o Brasil imperial de D. Pedro II. 

Trata-se da mais importante data da história de Salinas que vem desde 1790, no final do século XVIII, quando chegaram os pioneiros e iniciaram o primeiro núcleo urbano  para exploração de sal gema, produto muito precioso na época.

Infelizmente, data tão importante nunca foi comemorada pelas autoridades e pelo povo salinense. Equivocadamente, o município comemora como sendo sua data oficial o dia 4 de outubro de 1887 (feriado municipal) em razão da Lei Provincial nº. 3.485. Não se questiona a importância desta data, pois esta foi somente o reconhecimento da vila de Santo Antônio de  Salinas como cidade. Nesta data, o município já existia, inclusive com instalação de sua 1ª. Câmara Municipal  no dia 18 de janeiro de 1883.

Como povoado, Salinas surgiu por volta de 1790, no final do século XVIII, ainda no período colonial lusitano. Considerando-se o período de surgimento do povoado, Salinas tem hoje 224 anos de história e, inacreditável, quase ninguém se dá conta disso, principalmente as autoridades constituídas. De 1790 a 1833 foi povoado e integrava o Termo de Minas Novas do Fanado (atual município de Minas Novas). De 1833 a 1880, foi distrito de Rio Pardo de Minas. De 1880 até os dias atuais como município.

Salinas, década de 1930.
Salinas possui quatro datas importantes na sua história dignas de registro: 1790 (surgimento do povoado),  1880 (criação do município), 1883 (instalação da 1ª. Câmara Municipal) e 1887 (vila elevada a cidade). Somente a última é comemorada oficialmente. Assim, a data oficial do município de Salinas deveria ser 18 de dezembro de 1880, ou, na pior hipótese, 18 de janeiro de 1883, data de instalação da 1ª Câmara Municipal. 

Algum vereador de Salinas com lucidez histórica deveria propor projeto de lei alterando a data oficial do município. É o mínimo que se faria aos antepassados salinenses que lutaram pela emancipação da Vila de Rio Pardo.

Do seio de Salinas foram criados vários municípios ao longo de sua história: Pedra Azul (1911), Taiobeiras (1953), Águas Vermelhas (1962), Rubelita (1962), Fruta de Leite (1995), Novorizonte (1995) e Santa Cruz de Salinas (1995).


Figura como principal economia da microrregião de Salinas composta por dezessete municípios. A epopeia do povo salinense é digna de registro. Lembrar o passado salinense é dar o devido valor aos seus antepassados que tanto contribuíram para a Salinas de hoje ser o que é no cenário nacional, inclusive com o título invejável de Capital Mundial da Cachaça de Alambique.

Abaixo texto original da Lei nº. 2.725, de 18 de dezembro de 1880, que criou o município de Santo Antônio de Salinas (em 1923 o município passou a se chamar somente Salinas - Lei Estadual nº. 843, de 7 de setembro de 1923 - tal como é até hoje):

................


LEI Nº. 2725, de 18/12/1880
(texto original)

Cria o Município de Santo Antônio de Salinas

O Cônego Joaquim José de Sant’Anna, Comendador da Ordem de Cristo e Vice-Presidente da Província de Minas Gerais: Faço saber a todos os seus habitantes, que a Assembléia Legislativa Provincial decretou, e eu, sancionei a Lei seguinte:

Art. 1º - Fica elevado à categoria de vila o arraial de Santo Antônio de Salinas, devendo ser a mesma instalada, depois que seus habitantes houverem oferecido à província os edifícios com as acomodações necessárias para câmara, cadeia e escolas de instrução primária. 


§ 1º - O município desta vila se comporá das freguesias de Santo Antônio de Salinas, sua sede, e de Água Vermelha, ambas desmembradas do termo do Rio Pardo; ficará pertencendo à comarcado Grão Mogol, e terá todos os ofícios de justiça criados por lei geral. 


§ 2º - As divisas da freguesia de Água Vermelha serão asmesmas do antigo distrito deste nome, compreendendo os lugares denominados Catinga e Pajão.

Art. 2º - Ficam revogadas as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimentoe execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém.

O Secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr.

Dada no Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais, aos 18 de dezembro de 1880.

Joaquim José de Sant’Anna
Presidente da Província.

23 de julho de 2014

CENTENÁRIO GRUPO ESCOLAR DR. JOÃO PORFÍRIO

O grupo escolar
leva o nome do
deputado estadual
João Porfírio Machado,
representante político
da região de Salinas no
inicio do século XX.

Por Roberto Carlos Morais Santiago


O centenário Grupo Escolar Dr. João Porfírio foi construído entre os anos de 1908 e 1910, onde atualmente está instalada agência do Banco do Brasil, ao custo de cerca de cinco contos de réis do governo mineiro, somados à contribuição do povo salinense que muito queria uma unidade de ensino na cidade. A escola foi instalada no dia 23 de setembro de 1911. Poucas décadas depois, interesses econômicos e políticos levaram à demolição do antigo prédio da escola que, dizem, tinha grande valor histórico. Uma nova sede foi construída na década de 1940 em frente à praça do mercado velho onde funciona até hoje. É a mais antiga escola da região de Salinas. Ali estudaram milhares de salinenses. O valor histórico e social da escola é incalculável e foi de suma importância para o desenvolvimento de Salinas e região na formação cultural de gerações de salinenses. No dia 23 de setembro de 2011 a escola completou 100 anos de existência, um feito espetacular comemorado com toda pompa. Abaixo algumas imagens atuais da escola que encontra-se em excelente estado de conservação. 


Fachada atual da escola.

Fachada da escola na década de 1950.

14 de abril de 2014

"OCTACILÍADA: UMA ODISSÉIA DO NORTE DE MINAS" REGISTRA HISTÓRIA DA REGIÃO DE SALINAS

Capa do livro.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

O raro livro "Octacilíada: Uma odisséia do Norte de Minas", autoria do salinense Abdênago Lisboa (1916-1977) foi lançado em 1992 pelo filho Apolo Heringer Lisboa. Aborda a trajetória de sua de sua família tendo como epicentro o pai Octacílio Lisboa, bem como revela aspectos históricos e culturais de Salinas e região desde os tempos do Império até meados da década de 1970. O livro possui, ainda, fotos históricas e diversas árvores genealógicas de famílias salinenses e outras regiões do Norte de Minas. O blog História de Salinas recomenda leitura a todo salinense que queira conhecer um pouco a história de sua terra... imperdível. O livro merece nova edição pelo seu valor histórico e cultural. O autor Abdênago Lisboa, além de pesquisador, escritor e poeta, foi o primeiro diretor da Escola Agrícola de Salinas.

CORONEL IDALINO RIBEIRO

Cel. Idalino Ribeiro (1879-1973).
Por Roberto Carlos Morais Santiago


Coronel Idalino Ribeiro é um dos maiores personagens políticos da história de Salinas. Foi chefe político de fato e direito na região de Salinas por quase meio século. Pouco se sabe sobre sua pessoa. Há poucos registros. Poucos livros abordam sua trajetória política, como "Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas", de autoria de Abdênago Liboa, e "O Caminho de Volta - A travessia do Deserto", autoria de Geraldo Paulino Santana. São dois livros interessantes que o blog História de Salinas recomenda para quem deseja entender os meandros da política salinense no século XX.

Idalino Ribeiro, filho de João Nepomuceno e Benevinda Costa Ribeiro, nasceu em Salinas no dia 3 de maio de 1879, final do século XIX. Sua família é uma das pioneiras de Salinas com raízes em Rio Pardo de Minas. Em 11 de julho de 1904 se casou com Laudelina Chaves, filha única do rico fazendeiro e político José Chaves. Da união teve quatro filhos: Odete Chaves Ribeiro, José Chaves Ribeiro, Osmane Ribeiro e Severina Chaves Ribeiro.

Ainda jovem, com o apoio do deputado Edmundo Blum, que representava a região do Alto Rio Pardo, foi nomeado fiscal de impostos de consumo do Estado com salário de 120$000 réis e mais 5% da renda. A sua área de fiscalização era imensa alcançando os municípios de Salinas, Grão Mogol, Araçuaí, Pedra Azul, Jequitinhonha, até o Salto da Divisa. Ganhou, ainda, patente para negociar fumo. Em vida se firmou como pessoa influente, comerciante e político.

Foi chefe político em Salinas por quase meio século. De 1918 a 1930 foi Agente Executico (cargo equivalente a prefeito atual) que era ocupado pelo presidente da Câmara de Vereadores. De 1930 a 1959, impôs todos os prefeitos (nomeados ou eleitos) do município, quando seu candidato foi derrotado pelo sobrinho e emergente político emergente Geraldo Paulino Santanna. A partir daí entrou em dacadência política.

Em 1923, foi responsável pela construção e inauguração de ponte de madeira ligando o centro ao bairro São Geraldo. O construtor responsável foi o carpinteiro Viroti, de Jequitaí, que ganhava 15$000 por dia, muito dinheiro para a época.

Em 1928, com a chegada dos primeiros automóveis em Salinas, promoveu a construção da estrada de rodagem de Salinas a Brejo das Almas (atual Francisco Sá) ficando pronta em 1929. O governador Olegário Maciel Dias, de 1931 a 1933, refez a estrada, pagando o conto de réis por quilômetro com intuito de dar serviço para grande número de desempregados que estavam criando problemas para o Estado. O Coronel Idalino Ribeiro financiava a construção sendo reembolsado pelo Governo de Minas posteriormente.

Palacete especialmente construído em 1933 pelo Cel. Idalino Ribeiro
para receber o governador Benedito Valadares.
Em 1933, como forma de demonstração de poder e prestígio político construiu palacete residencial especialmente para receber o governador Benedito Valadares que veio participar da inauguração da reforma da estrada que liga Salinas a Brejo das Almas. Por muitos anos a política salinense foi articulada nas salas deste palacete.

No período em que esteve no poder, toda população de Salinas e região, diretamente ou indiretamente, era influenciada pelo Cel. Idalino Ribeiro. A sua palavra era derradeira e decisiva. Por respeito ou medo todos o reverenciavam. Existiam outros coronéis em Salinas de menor expressão em sua época como Bernadino Costa, Procópio Cardoso, Moysés Ladeia. É fato inconteste que o  Cel. Idalino Ribeiro estava acima de todos. Dizem que sua ascensão ao poder político em Salinas foi à força e contou com apoio de jagunços baianos e parte da elite local. 

Representou fielmente na região de Salinas o papel de chefe oligárquico numa época em que oligarquias familiares eram células importantes no xadrez político da República Velha no Brasil (1889-1930) e da era Getúlio Vargas (1930-1945).

Cel. Idalino Ribeiro faleceu em Belo Horizonte no dia 28 de outubro de 1973, aos noventa e quatro anos. Seguramente figura no rol dos homens mais importantes da história de Salinas.


Artur Mendes, Cel. Idalino Ribeiro, Dr. Anthero Ruas e Antônio Neves.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

11 de março de 2014

PRIMEIRO JORNAL DE SALINAS FOI FUNDADO EM 1895

Fonte: Arquivo Histórico de João Costa.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

O primeiro jornal do município foi "Cidade de Salinas", fundado em 1895, final do século XIX. Circulou na região de Salinas até 1915. Acima imagem da edição nº. 14, de 20 de dezembro de 1896, que possui quatro páginas. Uma verdadeira relíquia histórica obtida junto ao Acervo Histórico de João Costa (1928-2009). 

O jornal foi fundado por Antônio Castro, baiano de Lavras Diamantinas. Em Salinas, além de jornalista, foi farmacêutico prático, negociador de pedras preciosas e político. Foi vereador por duas legislaturas e indicado agente executivo (cargo equivalente ao de prefeito atualmente) por duas vezes (1892-1896 e 1916-1918). Dentre suas importantes realizações foi o responsável pela aprovação do Primeiro Código de Posturas do município no dia 27 de outubro de 1892.

10 de março de 2014

CEMITÉRIO DE SALINAS FAZ 105 ANOS

O cemitério foi construído em 1909.
O atual cemitério de Salinas está localizado no centro da cidade em terreno doado por Dona Ana Maria de Araújo, no dia 15 de fevereiro de 1858, início da segunda metade do século XIX, quando Salinas era distrito da Vila de Rio Pardo. Entretanto, o cemitério somente foi construído em 1909 a mando dos políticos mandatários Virgìlio Avelino Grão Mogol e João Porfírio Machado. Até então os mortos eram enterrados ao lado de igreja que ficava edificada em terreno onde está localizada a atual Escola Estadual Dr. João Pórfírio, em frente à antiga praça do mercado velho. O cemitério de Salinas não comporta mais novos sepultamentos. Ainda assim precisa ser preservado pois grande parte de sua história está ali enterrada. Preservar a memória dos mortos é preservar a própria história.

19 de fevereiro de 2014

PONTE DE MADEIRA SOBRE O RIO SALINAS

A gravura acima, de autoria do pintor salinense Lúcio Carlos Soares, tendo a ponte em primeiro plano,
dá uma dimensão de como era o bairro São Geraldo na década de 1920,
tendo ao centro a avenida Antônio Carlos.

Por Roberto Carlos Morais Santiago


A ponte histórica de madeira sobre o rio Salinas, de cerca de 100 metros, que liga o centro ao bairro São Geraldo foi construída em 1922 e inaugurada em janeiro de 1923, na primeira metade do século XX, pelo Cel. Idalino Ribeiro, então chefe político e agente executivo (equivalente ao cargo de prefeito atual).

O construtor da ponte foi o carpinteiro Viroti, oriundo de Jequitaí, indicado pelo engenheiro do Estado, o francês Leo Gilot. Os ajudantes na construção foram José Guimarães, Almerindo Costa e Agripino Costa.

A ponte de madeira foi um grande acontecimento de grande apelo popular. Possibilitou a integração do centro à região do São Geraldo que ficava isolada e de difícil acesso. Na década de 1960 foi demolida e construída nova ponte (atual) por Geraldo Paulino Santana cuja inauguração teve a presença do governador Magalhães pinto.

Abaixo, imagem histórica de inauguração da ponte com participação da população local. 

Inauguração da ponte de madeira sobre o rio Salinas em janeiro de 1923.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

19 de janeiro de 2014

CÂMARA MUNICIPAL DE SALINAS FAZ 131 ANOS

Atual sede da Câmara Municipal de Salinas.

Por Roberto Carlos Morais Santiago


Data importante na história de Salinas digna de registro e comemoração  passou despercebida, mais uma vez. É que a Câmara Municipal de Salinas fez 131 anos no dia 19 de janeiro de 2014, tendo em vista a instalação da sua 1ª Câmara Municipal ocorrida no dia 19 de janeiro de 1883, final do século XIX, ainda no II Império de D. Pedro II. 

Assim, efetivou-se de fato e direito a emancipação política e administrativa do município de Santo Antônio de Salinas, criado pela pela Lei Provincial nº. 2.275, de 18 de dezembro de 1880. Os primeiros vereadores eleitos de Santo Antônio de Salinas tomaram posse na Câmara Municipal de Rio Pardo, onde foi instalada. 


Na posse, o vereador Antônio dos Anjos Silva Sobrinho foi eleito presidente da 1ª Câmara de Salinas e Agente Executivo (cargo equivalente a prefeito atualmente) tornando-se no primeiro mandatário político do novo município.
 
Eis o teor da ata de instalação da 1ª. Câmara Municipal do Município de Santo Antônio de Salinas, para o quadriênio 1883-1886:



ATA DE INSTALAÇÃO DO MUNICÍPIO DE
SANTO ANTÔNIO DE SALINAS


“Termo de juramento e posse aos sete vereadores da Câmara Municipal da
Vila de Santo Antônio de Salinas

Aos dezenove dias do mês de janeiro de 1883, às quatro horas da tarde, sob a presidência do Vereador da Câmara de Rio Pardo de Minas, Conrado Gomes Caldeira, compareceram os senhores Cap. Carlos Dias Torres, Tte. Donério Ferreira de Araújo, Luiz Ferreira Monteiro, Antônio dos Anjos Silva Sobrinho, Avelino Ferreira de Almeida, Honofre Valente Franco e Mudesto José da Silva, vereadores eleitos para o futuro quadriênio de 1883 a 1886, como fez certo pelo seus respectivos diplomas, e prestarão sobre o Livro dos Santos Evangelhos, o juramento com as formalidades legais, prometendo cumprir com bôa e sã consciência os deveres do cargo de vereadores, do qual tomarão posse. E de como assim dicerão, para constar lavrei este ermo. Eu, José Cândido Moreira e Souza, secretário interino desta Câmara que este fiz e subscrevi.”

__________
Referência bibliográfica:

ÂNGELIS, Newton. Efemérides Riopardenses. Salinas: 1998, pág. 49.

21 de dezembro de 2013

SALINAS, DÉCADA DE 1940


1943 - Antigo prédio da prefeitura de Salinas na rua Barão do Rio Branco
onde atualmente existe uma agência bancária do Banco do Nordeste do Brasil.

1943 - Feirantes no antigo mercado velho.

1943 - Antigo mercado velho.
1943 - Caminhão transportando mercadorias e pessoas na estrada de rodagem Salinas - Montes Claros.
1943 - Acidente entre caminhão e dois carros na estrada de rodagem Salinas - Montes Claros.
1943 - Carro atolado na estrada de rodagem Salinas - Montes Claros.
1943 - Visita do Secretário Estadual de Obras Públicas, Demerval José Pimenta 
(sexto da esquerda para direita) a Salinas.

17 de dezembro de 2013

ANTIGO GRUPO ESCOLAR DR. JOÃO PORFÍRIO


Fachada do antigo Grupo Escolar Dr. João Porfírio.


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Foto rara de 1915, do início do século XX, de fachada do antigo Grupo Escolar Dr. João Porfírio, primeira escola de Salinas. O prédio não existe mais. A centenária escola foi construída entre os anos de 1908 e 1910, onde atualmente está instalada agência do Banco do Nordeste na rua Barão do Rio Branco, ao custo de cerca de cinco contos de réis do governo mineiro, somados à contribuição do povo salinense que muito queria uma unidade de ensino na cidade. A escola foi instalada no dia 23 de setembro de 1911. Poucas décadas depois, interesses econômicos e políticos levaram à demolição do antigo prédio da escola.
Ao fundo subida da rua Barão do Rio Branco e o antigo Grupo Escolar Dr. João Porfírio.
Foto de 1922 - Inauguração da ponte de madeira.

16 de dezembro de 2013

SALINAS EM 1932/1933

1932 - Milicianos de Salinas.

1932 - Milicianas de Salinas.
1933 - Tenente E. Mendonça e o escrivão Eleotério na Delegacia de Salinas.

SALINAS EM 1922

1922 - Inauguração de ponte de madeira sobre o rio Salinas.

1922 - Inauguração de ponte de madeira sobre o rio Salinas.
1922 - Cadeia velha de Salinas.

25 de novembro de 2013

DARCY FREIRE

Darcy Freire (1923-1979).
Por Roberto Carlos Morais Santiago

DARCY FREIRE, poeta e escritor, nasceu em Salinas no dia 2 de fevereiro de 1923. Estudou o secundário no Rio de Janeiro, depois Engenharia na Escola de Minas, em Ouro Preto, abandonando a atividade para se dedicar à vida familiar e iniciar a vida literária em Salinas, publicando os jornais “Cidade de Salinas”, “A Bola” e os livros de poesia “Coivaras” e “Conselhos e Canções”, nas décadas de 1950 e 1960.

Foi vice-prefeito de Salinas (1950-1954), ocupando o cargo interino por dois anos, período em que houve florescimento na vida cultural, artística e esportiva na cidade. Na capital mineira ocupou diversos cargos públicos, como diretor do Instituto Estadual de Floresta e assessor em Secretarias do Governo de Minas Gerais.

É patrono da Academia de Letras de Salinas. De grande sensibilidade literária é considerado a mais importante influência sobre a nova geração de poetas e escritores salinenses. Faleceu em 1979. Abaixo, transcrição de um dos muitos poemas que fez.


TERRA DE MINHA VIDA
(Darcy Freire)

Oh! Minha terra, berço meu, Salinas,
Prisma encantado de mil e uma arestas,
Onde a esperança verde das florestas
Sepulta as esmeraldas – turmalinas!
Cascatas sonhadoras, sempre em festas
Carregam prata e sol como meninas
Travessas, e, no prado, as boninas
Mostram baton às flores mais honestas...
Amo a paisagem de ametista e jade,
Que emoldura o meu quadro de saudade...
Oh! Salinas! Oh! Minha Shangri-lá!
Onde ouvi, vez primeira, a voz materna;
Onde senti, no peito, a voz interna,
Onde meu filho me chamou papá...

14 de novembro de 2013

SALINENSE EXPERT EM CULTIVARES DE CANA-DE-AÇÚCAR

O mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes é coordenador do
Curso Superior de Tecnologia de Cachaça do IFNMG - Campus Salinas. 

O trabalho do salinense mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes do Instituto Federal Norte de Minas Gerais (IFNMG) - Campus Salinas, expert em cultivares de cana-de-açúcar é digno de registro no blog História de Salinas pela relevância que o assunto merece. Com suas pesquisas se tornou numa das maiores autoridades sobre o assunto. É coordenador do Curso Superior de Tecnologia de Cachaça do IFNMG em Salinas.

Em seus trabalhos de pesquisa com cultivares de cana-de-açúcar, época de plantio, e análise físico-química de cachaça nos cursos de mestrado e doutorado chegou as seguintes conclusões: 

A cana-de-açúcar na modalidade de plantio de inverno, abrangendo os meses de junho, julho e agosto, mostrou-se uma excelente opção para a região de Salinas onde a irrigação suplementar se torna imprescindível para este cultivo. Neste sistema de plantio, colhe-se a matéria-prima de “12 meses” (cana-de-ano), com excelentes indicadores de qualidade e produtividade.

Em um primeiro experimento onde o plantio ocorreu em julho, foram avaliados parâmetros de produtividade e verificou-se que a produção total por hectare aos 352 dias após o plantio foi de 256,35; 205,00; 247,5; 185,43 e 292,50 t/ha das cultivares RB72454, SP79-1011, SP80-1842, JAVA e RB765541, respectivamente.

Em um segundo experimento onde o plantio também ocorreu em julho, verificou-se a interferência da qualidade da matéria-prima em função das épocas de colheita (junho, agosto e outubro) e o tipo de variedade de cana-de-açúcar na composição físico-química das cachaças produzidas nas três épocas supracitadas.

Os resultados apresentados indicaram que a qualidade da matéria-prima das cultivares de cana-de-açúcar, RB72454, SP79-1011, SP80-1842, JAVA e RB765418, não expressaram diferenças significativas quanto ao grau de maturação dentro de cada época de colheita (junho, agosto e outubro), porém todas apresentaram nível de maturação significativamente melhor, para os parâmetros de maturação analisados (Brix do caldo, pol da cana, pureza aparente e açúcares redutores da cana) na segunda e terceira época de colheita (agosto e outubro). 

Os resultados qualitativos das análises físico-químicas por cromatografia gasosa de compostos voláteis das amostras de cachaças apontaram que o tipo de cultivar não interferiu na formação de compostos presentes na cachaça, o que não ocorreu ao avaliar os mesmos compostos por época de colheita, principalmente no que se refere à acidez volátil e álcool n-butílico. Tais substâncias apresentaram um perfil qualitativo significativamente maior na primeira época de colheita (junho) em relação às outras épocas.

Através destes estudos, pode-se atestar que a época de colheita da cana-de-açúcar é determinante para se obter matéria-prima de qualidade e que esta interfere na formação de ácidos durante o processo fermentativo, sendo importante parâmetro para a melhoria das qualidades químicas desta bebida.

Para quem se interessar sobre o assunto e queira saber mais sobre a especialidade do mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes, o e-mail de contato é: oscarwbf@gmail.com.

1 de novembro de 2013

LIVRO DE 1869 É ADQUIRIDO POR SALINENSE EM 1874

Livro raro de 1869.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

Até a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o francês era a principal língua estrangeira estudada no país. O inglês não tinha a influência de hoje. Em Salinas não era diferente. 

A prova disso é o livro "Nouveau Dictionnaire Portugais-Français", edição de 1869 (século XIX), 1238 páginas, autoria de José Ignácio Roquete. Originalmente foi adquirido no dia 12 de dezembro de 1874 por um salinense desconhecido (seu nome está rasurado no livro). Na época Salinas ainda era distrito de Rio Pardo, pois veio emancipar-se somente em 1880. 

Em 2 de novembro de 1904 o livro foi adquirido por José Santiago (1873-1945) - este o patriarca da família Santiago em Salinas - ao custo de 19.200 réis. Em 1945 o livro passou a ser do filho Arlindo Santiago (1909-2011). Pai e filho foram pessoas muito cultas em Salinas. Deixaram grande acervo de livros antigos. 

Em 2011 o editor deste blog ganhou o livro oferecido pelo seu tio-avô Arlindo Santiago. Uma relíquia de livro que já possui 144 anos de edição e 109 anos em mãos de um Santiago.

O PRIMEIRO AUTOMÓVEL DE SALINAS

Primeiros automóveis de Salinas. Ao fundo a primeira sede da prefeitura de Salinas, demolida por razões estruturais. Foi construído novo prédio onde por muitos anos funcionou o famoso Elite Clube.



Chega à Salinas, no dia 16 de agosto de 1925, o primeiro automóvel, modelo Ford bigode, conduzido por Domingos Português e seu patrício Aníbal, oriundo de Brejo das Almas - atual município de Francisco Sá. O acontecimento assombrou os salinenses que não conheciam automóveis. Até feriado foi decretado pela Câmara de Vereadores para comemorar data tão importante e singular. 

De Salinas o automóvel seguiu para Jequitinhonha passando por Taiobeiras e Pedra Azul. Tempos depois apareceram em Salinas mais quatro automóveis (Ford bigode) que foram adquiridos por 5:500$000 (cinco contos de réis) cada por Joaquim Correia, Cel. Idalino Ribeiro, Inácio Loyola e Padre Salustiano Fernandes dos Anjos. 

Em 1928, o prefeito Cel. Idalino Ribeiro promoveu a construção de estrada de rodagem ligando Salinas a Brejo das Almas. Ficou pronta em 1929. Entre 1931 e 1933, o Governador do Estado, Olegácio Dias Maciel, refez a estrada pagando um conto de réis por quilômetro no intuito de criar frente de serviço para enorme quantidade de pessoas desempregadas na época. Cel Idalino Ribeiro financiou a construção com recurso próprio, sendo posteriormente reembolsado pelo Governo do Estado.

23 de outubro de 2013

CACHAÇA DE SALINAS RECEBE REGISTRO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

Registro de Indicação Geográfica nº IG200908
concedido pelo INPI.
O Instituto Nacional de Propriedade Nacional (INPI) concedeu à Associação de Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs) , entidade representativa dos produtores de Salinas, registro de Indicação Geográfica (IG200908) - espécie Indicação de Procedência (IP) - para a cachaça com a denominação "Região de Salinas".

A área geográfica compreende 2.541,99 km². Abrange a totalidade dos municípios de Salinas e Novorizonte e parte dos municípios de Taiobeiras, Rubelita, Santa Cruz de Salinas e Fruta de Leite, todos inseridos na microrregião de Salinas, Norte de Minas Gerais.

Assim, a cachaça artesanal produzida nesta região demarcada alcança novo patamar de valorização no mercado, mas também se impõe uma série de responsabilidades. A Apacs fica responsável pela emissão de selos Indicação de Procedência (IP) para os produtores que atenderem os requisitos exigidos para comercializar  seu produto com o selo Indicação de Procedência.

O blog História de Salinas parabeniza a Apacs e seus associados por esta conquista que enche de orgulho o povo de Salinas e região. Um brinde à cachaça da "Região de Salinas".

Selo de Indicação de Procedência.

22 de outubro de 2013

VIRGÍNIA CELESTINA SANTIAGO


VIRGÍNIA CELESTINA SANTIAGO (1882-1965), natural de Urandi, Bahia, é a matriarca da família Santiago no município de Salinas. Filha de Antônio e Severa, teve seis irmãos: Benício, João, José, Júlia, Rita e Sebastiana. Casou-se com José Santiago (1873-1944) em Medina, Vale do Jequitinhonha, no dia 11 de julho de 1896. Dois anos depois, em 1898, o casal chegou a Salinas, final do século XIX, iniciando a saga dos Santiago no município. Saiba mais no
link: http://www.robertocmsantiago.com/visualizar.php?idt=2241201.

4 de outubro de 2013

O EQUÍVOCO HISTÓRICO DA LEI MUNICIPAL Nº 1.126

Por Roberto Carlos Morais Santiago

O dia 4 de outubro é feriado municipal em Salinas. A data é comemorada todos os anos como se fosse a data de emancipação política do município. Tudo por causa da Lei Municipal nº 1.126, de 2 de agosto de 1985, assinada pelo então prefeito Antônio Carvalho da Silva que sancionou a lei reconhecendo esta data como oficial, ainda em vigor.

O blog História de Salinas já abordou esse assunto. Trata-se do maior equívoco histórico de Salinas que já perdura 28 anos desde que foi sancionada. A referida lei diz:

Art. 1º - Fica instituído feriado municipal o dia 4 de outubro de cada ano, data de emancipação política da cidade.

Na verdade, a emancipação política de Salinas não aconteceu no dia 4 de outubro de 1887.  Deu-se de fato no dia 19 de janeiro de 1883 quando da instalação da 1ª Câmara Municipal de Salinas (quadriênio 1883-1886) que ocorreu na Câmara Municipal da Vila do Rio Pardo sob a presidência do vereador Conrado Gomes Caldeira. Neste dia tomaram posse os primeiros vereadores eleitos em face da criação do município de Salinas pela Lei Provincial nº 2.275, de 18 de dezembro de 1880. Na posse, os vereadores de Salinas elegeram Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho o primeiro presidente da Câmara e, consequentemente, tornou-se no agente-executivo (prefeito) e mandatário político do município. Naquela época o presidente da câmara acumulava o cargo de agente-executivo (prefeito) que governava com o apoio de uma junta de conselheiros.

Assim, de fato e direito, a emancipação política e administrativa de Salinas ocorreu no dia 19 de janeiro de 1883, embora juridicamente o município tenha sido criado no dia 18 de dezembro de 1880 pela Lei Provincial nº 2.275, esta a data mais importante da história de Salinas e que deveria ser a sua data oficial. As autoridades de Salinas (poder executivo e legislativo) simplesmente ignoram esta data tão memorável.

Sugere-se que algum vereador de Salinas com lucidez histórica apresente projeto de lei propondo alteração da data oficial do município em respeito ao povo de Salinas que lutou pela criação do município com todas as dificuldades no final do século XIX.

Em rol de 89 municípios que integram a mesorregião Norte de Minas, apenas dez foram criados na época do império brasileiro (1822-1889). Salinas é um deles. O município possui história épica digna de registro. Corrigir a sua data oficial e histórica é o primeiro caminho. O povo de Salinas merece mais respeito pela sua história de luta e pioneirismo.

15 de setembro de 2013

O PRIMEIRO PREFEITO DE SALINAS

Antônio dos Anjos da Silva 
Sobrinho, primeiro prefeito 
(agente executivo) da 
história de Salinas no
período de 1883-1886.
Por Roberto Carlos Morais Santiago


Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho marcou seu nome na história de Salinas no final do século XIX. Foi um dos sete primeiros vereadores da história do município eleitos que tomou posse na instalação da 1ª. Câmara Municipal ocorrida em Rio Pardo de Minas no dia 19 de janeiro de 1883. O município fora criado pela Lei Provincial nº. 2.725, de 18 de dezembro de 1880.


O vereador Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho foi escolhido presidente da Câmara de Vereadores e, em consequência, também escolhido agente executivo (cargo equivalente a prefeito atualmente) para o período de 1883-1886. 


O fato confere a Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho como o primeiro presidente da Câmara de Vereadores e o primeiro prefeito (agente executivo) da história de Salinas constituindo-se no primeiro mandatário político local sob a égide de município emancipado.


Ressalta-se que até 1932, final do período da República Velha, os municípios brasileiros eram administrados pelos presidentes da Câmara de Vereadores com o apoio de uma junta de conselheiros.