29/01/2012

CENTENÁRIO DE ANÍSIO SANTIAGO

Anísio Santiago.

O blog História de Salinas não poderia deixar passar em branco o centenário de nascimento de Anísio Santiago, que se comemora no dia 2 de fevereiro de 2012, tido como o mais emblemático produtor da história da cachaça brasileira. A história de vida do lendário produtor da cachaça Havana-Anísio Santiago - reconhecida ícone da mais legítima bebida brasileira: a cachaça - é interessante sob todos os aspectos. Em vida foi uma lenda tal o respeito e admiração pela cachaça que produzia. Mesmo após sua morte em 2002, o seu legado continua uma década depois. Pode-se afirmar que a história da cachaça de Salinas e brasileira se refere a antes e depois de Anísio Santiago.


Por Roberto Carlos Morais Santiago
Editor do blog História de Salinas


Anísio Santiago faleceu no dia 22 de dezembro de 2002, próximo de completar 92 anos. Passados dez anos de seu falecimento, comemora-se o centenário de seu nascimento no dia 2 de fevereiro de 2012. A data é digna de registro e comemoração, pois se trata de um dos personagens mais importantes da história de Salinas, município onde nasceu, viveu e morreu.

Ressalta-se que a trajetória de vida de Anísio Santiago transcendeu os limites de sua amada terra. Com seu jeito todo peculiar, soube forjar uma marca de cachaça: a Havana-Anísio Santiago, cujo método de produção e envelhecimento, ainda mantido pelos seus sucessores, é referência em todo o país. Pode-se afirmar, sem margem de dúvida, que Anísio Santiago é o maior personagem da história da cachaça brasileira. É praticamente impossível discutir o assunto cachaça sem tecer o seu nome e o seu legado.

A família Santiago surgiu no município norte-mineiro de Salinas no ano de 1898, final do século XIX, através do pioneiro José Santiago (1873-1944). Filho de Justino Santiago e Anna Maria de Jesus, nasceu na cidade mineira de Diamantina, localizada no Alto Jequitinhonha.

Ainda jovem, em 1894, José Santiago foi estudar medicina em Salvador. Por razões desconhecidas desistiu do curso no segundo ano. Segundo Arlindo Santiago (1909-2011), filho de José Santiago, o motivo da desistência foi a Guerra de Canudos (1896-1897), ocorrida no interior da Bahia, que mobilizou milhares de soldados do governo federal para combater o temido Antônio Conselheiro. Em dois anos de conflito milhares de pessoas morreram.

Anísio Santiago.
Retornando para Minas Gerais, José Santiago foi morar e trabalhar como professor na cidade de Medina, no Vale do Jequitinhonha. Ali conheceu a baiana Virginia Celestina (1882-1965), natural de Urandi, com quem se casou em 1896.

Em 1898, mudou-se com a esposa para Salinas, também para trabalhar como professor, embora não se tenha registro em qual escolar. A convite de um amigo foi lecionar no povoado de Lagoinha, zona rural do município, isso no ano de 1900.

O povoado de Lagoinha, naquela época, tinha importância estratégica tendo em vista que era parada obrigatória de pessoas e transportadores de mercadorias em mulas entre Salinas e Montes Claros.

Em 1903 adquiriu a fazenda Bonfim, próxima ao povoado, onde fixou moradia, tornando-se produtor rural, além de professor. José Santiago tornou-se pessoa muito assediada na região pelo fato de ter conhecimento de medicina, além de ser professor. Em pouco tempo tornou-se uma espécie de líder do povoado de Lagoinha e região.

Da união de José Santiago e Virginia Celestina surgiu prole numerosa, fato muito comum na estrutura familiar do início do século XX. Foram doze filhos: Antônio Santiago (1897-1950), Maria Santiago (1899-1953), Leôncio Santiago (1901-1945), Silvio Santiago (1912-1986), Santinha Santiago (1908-2001), Arlindo Santiago (1909-2011), Anísio Santiago (1912-2002), José Elzito Santiago (1915-1945), Anita Santiago (1913), Osvaldina Santiago (1917) e Osvaldir Santiago (1919-2007). Dos doze filhos, somente o primogênito Antônio Santiago nasceu em Medina, sendo que os demais em Salinas.

José Santiago veio a falecer em 1944, aos sessenta e sete anos e a sua esposa, Virginia Celestina, em 1965, aos oitenta e três anos. Foram precursores da família Santiago em Salinas, cujo tronco da árvore genealógica tem origem na região de Diamantina.

Da prole numerosa de José Santiago o destino reservou ao sétimo filho, Anísio Santiago, trajetória de vida que o tornaria parte da história de Salinas. Nasceu no dia 2 de fevereiro de 1912, na fazenda Bonfim, zona rural de Salinas. Ali cresceu e viveu sua infância e adolescência ao lado dos pais e irmãos.

Aos doze anos de idade, escondido do pai, experimentou beber cachaça pela primeira vez. Não gostou. Desde então jamais bebeu cachaça em toda a sua vida. Entretanto, quis o destino que a cachaça tivesse importância fundamental em sua vida.

O jovem Anísio Santiago aprendeu vários ofícios. Foi carpinteiro, tropeiro, comerciante, motorista e fazendeiro. Como tropeiro transportou mercadorias em mulas entre Salinas e Montes Claros na década de 1930.

De tropeiro tornou-se motorista de um Ford F-8, que adquiriu no final da década de 1930. Foi um dos primeiros motoristas da região de Salinas e foi testemunha ocular da modernidade que aos poucos chegava através das estradas empoeiradas e esburacadas.

Em 1937, aos 25 anos, se casou com Adélia Mendes (1916-2007), então com 21 anos de idade. Deixou o povoado de Lagoinha e fixou residência na cidade de Salinas, onde continuou a exercer as atividades de comerciante e motorista.

Alguns anos depois, em 1942, comprou a fazenda Havana que pertencia a viúva de João Soares, Maria Virgínia Soares, localizada no sopé da Serra dos Bois, distante cerca de doze quilômetros da sede do município. Para lá mudou com a esposa no ano seguinte. Iniciava-se nova fase na vida do então jovem Anísio Santiago.

Fazenda Havana.
Em 1943, estabelecido definitivamente na fazenda Havana, iniciou produção de cachaça em pequeno pequeno alambique que já existia na fazenda dos antigos proprietários. Em pouco tempo a produção de cachaça se tornou na principal atividade econômica. A produção era vendida a granel. Somente em  1946 constituiu empresa e passa a identificar seu produto através da marca Havana, reconhecida como pioneira na região de Salinas. Até então os produtores do município e região produziam e vendiam cachaça a granel aos comerciantes e tropeiros da região desde o final do século XIX.
  
Em 1947, em parceria com o irmão Sílvio Santiago e o amigo Aníbal Gonçalves das Neves, comprou caminhão Chevrolet Lordmaster, importado dos Estados Unidos. Ele próprio foi ao Rio de Janeiro buscar o veículo. A viagem durou seis dias. Logo comprou as partes do irmão e do amigo Aníbal. Com o caminhão comercializava sua cachaça em Salinas, região norte-mineira e sul da Bahia. Como produzia cachaça de qualidade logo foi adquirindo fama junto ao consumidor. O fato de ser conhecido por onde passava, uma vez que fora tropeiro e motorista de caminhão a partir da década de 1930, facilitava o comércio de seu produto com a entrega "in loco". Este fato não acontecia com outros produtores de Salinas.

Anísio Santiago teve dois fatores decisivos na divulgação do seu produto: a marca Havana (pioneira na região de Salinas) e o caminhão que transportava a bebida diretamente ao consumidor. Com isso saiu na frente dos produtores que comercializam o seu produto a granel. Na década de 1960, vários produtores de Salinas começaram a identificar o seu produto por meio de marcas, de olho no sucesso da cachaça de Anísio Santiago. Viam nele uma referência no processo de produção de cachaça de qualidade, uma vez que a marca Havana tinha grande aceitação na região e a sua fama estava ultrapassando fronteiras. Em função disso logo surgiram várias marcas como a Piragibana, do produtor Ney Corrêa; a Indaiazinha, do produtor Waldete Romualdo; a Seleta, do produtor Miguelzinho de Almeida; a Teixeirinha, do produtor Felismino Teixeira; a Asa Branca, do produtor Juventino Queiroz; a Sabiá, do produtor Juca Marcolino; a Estrela do Norte, do produtor Purdêncio Francisco dos Santos; e a Pulusinha, do produtor Narciso Dias Corrêia., dentre ouras.

Rótulo antigo da cachaça Havana.
Outro fator determinante que favoreceu o surgimento de novas marcas em Salinas foi a decadência da cadeia produtiva de cachaça na região de Januária na década de 1960, em razão de ação gananciosa dos produtores que não souberam manter a qualidade e tradição da cachaça ali produzida. Até então as marcas de Januária gozavam de alto conceito junto ao consumidor na região norte-mineira e em todo o Brasil.

Com isso, Salinas foi aos poucos preenchendo lacuna no mercado de cachaça deixado pelos produtores de Januária. Na década de 1970, Salinas foi se impondo regionalmente como grande produtora de cachaça. O clima, solo e a variedade de cana Java, que se adaptou muito bem ao clima da região, foram fatores decisivos em todo o processo.

Na década de 1990, a cachaça de Salinas passou por novo e vigoroso processo de expansão da produção, culminando no aumento significativo de marcas em função da implantação do Pró-Cachaça, pelo governo mineiro, em 1992, visando estimular o aprimoramento da cachaça artesanal mineira. E deu certo. O Pró-Cachaça, em pouco tempo, revolucionou toda a estrutura da cadeia produtiva da cachaça artesanal produzida em todo o território mineiro, e em Salinas não foi diferente.

Atualmente existem mais de 50 marcas de cachaça produzidas no município. A produção anual já ultrapassa quatro milhões de litros por safra. Tornou-se na importante região produtora de cachaça artesanal de Minas Gerais e do Brasil. Em 2006, foi responsável por 45,87% de toda a arrecadação de ICMS, imposto de circulação de mercadorias e serviços de competência estadual, em todo o território mineiro. O processo de diversificação da economia brasileira ao longo nas últimas décadas vem forjando e incrementando atividades econômicas de produtos típicos da cultura do Brasil no mercado com forte impacto nas economias locais. Salinas encontrou no agronegócio da cachaça uma atividade econômica que vem mudando o perfil de toda a sua economia, contribuindo para o seu desenvolvimento sócio-econômico.


Reconhecendo a cachaça como importante atividade econômica e cultural do município, o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, assinou Decreto Municipal nº. 3.728/2006, reconhecendo a marca Havana como ícone da cachaça salinense com o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas em face de sua reconhecida história, qualidade e notoriedade no mercado brasileiro e no exterior. Por meio do decreto, fato inédito no Brasil, o poder executivo municipal reconheceu o feito espetacular do produtor Anísio Santiago.


Anísio Santiago foi empresário local que conquistou o mundo não por altas cifras em faturamento e sim pela excelência de qualidade de um produto que foi e continua sendo concebido por método de produção ainda não decifrado pelos produtores de Salinas e de outras regiões de Minas Gerais e do Brasil. O segredo é guardado pelos filhos que vem mantendo o processo de produção pelo mesmo método de origem. Anísio Santiago ultrapassou a barreira de empresário rural norte-mineiro que deu certo. Mais que isso, se tornou no símbolo de bebida que faz parte da história brasileira desde o século XVI, na década de 1530, quando o português Martin Afonso de Souza construiu engenhos na Capitania de São Vicente para a produção de açúcar e cachaça.

A Fazenda Havana, onde é produzida a bebida, se tornou em espécie de reduto sagrado do universo da cachaça brasileira ao longo das últimas décadas. O jornalista paulista Sidnei Maschio diz que “Em vários lugares ao redor do mundo, as visitas exigem mesmo um ritual específico, coerente com a sacralidade que eles encerram. A Fazenda Havana está nessa lista. A propriedade poderia ser comparada a um templo, pelo papel na recuperação e na divulgação das melhores qualidades da bebida genuinamente brasileira. O universo da cachaça tem duas histórias distintas, uma antes e outra depois da Havana”.

Anísio Santiago em vida foi uma lenda. Transformou-se no maior ícone da história da cachaça brasileira. É impossível falar ou escrever sobre cachaça sem tecer comentário ao seu nome e ao seu feito. Recentemente tem sido lançado vários livros sobre a cachaça brasileira por várias autores. Todos tecem comentários ao seu feito (ver referência bibliográfica abaixo). 

O escritor e publicitário Renato Figueiredo, em seu livro "Estava no seu nariz, mas você não viu: descubra por que a cachaça brasileira pode ser muito mais suave e saborosa do que você imagina" (São José dos Campos, edição do Autor, 2011, págs. 87-88), faz a seguinte observação sobre Anísio Santiago:

Osvaldo Santiago,
encimado pelo retrato de 

casamento dos pais na fazenda 
Havana, sucessor na produção da 
cachaça Havana-Anísio Santiago.
"Até hoje o mito da Havana sobrevive, e é sonho de muita gente que respeita e admira a bebida. Não é difícil perceber que essa humildade de Anísio Santiago ter sido também uma das grandes responsáveis pelo destaque excepcional da marca. Surpreendia o fato de aguardar 10 anos para vender sua bebida, surpreendia o fato de que, mesmo com a fama, ele se conservava reservado e da mesma forma como sempre foi (...). Fato interessante é que a vitoriosa sem mantém até hoje com suas mesmas raízes de humildade, sendo produzida na mesma fazenda de outrora - desta vez pelos filhos e netos do produtor que fez sua fama. Enquanto isso, espalhados pelo mundo, histórias e produtos com inícios parecidos tiveram finais um pouco diferentes. Café, doce de leite, chocolates e até outras bebidas e produtos artesanais hoje viraram mercadoria sofisticada, objetos de estratégia de marketing e revista de luxo, e são vendidos nas melhores boutiques e nos melhores locais. E a Havana-Anísio Santiago também está lá com eles, só que com a mesma embalagem, sem campanhas de marketing nem pirotecnias publicitárias - mas com o mesmo valor de sempre."

Mesmo após a sua morte em 2002, ainda desperta curiosidade em muitas pessoas. Ainda muito se fala e escreve a seu respeito e do legado que deixou. Deixou grande lição de vida e demonstrou que é possível crescer e construir uma vida respeitável e obter a admiração de todos. Sempre permaneceu fiel aos seus ideais e princípios que acreditou serem verdadeiros.

Para o cachacier Maurício Maia, o centenário de Anísio Santiago é digno de registro e memória. Segundo o cachacier "São poucos os produtores de cachaça no Brasil que conseguem manter a tradição e a qualidade que sempre marcaram as cachaças que ele produzia sem fazer concessões para o mercado e as tentações de aumentar o volume de produção em detrimento da qualidade."

Na opinião do advogado da família de Anísio Santiago, Dr. Cláudio Luiz Gonçalves de Souza, responsável pela espetacular vitória na justiça federal pelo retorno da marca Havana, a data comemorativa de centenário de nascimento de Anísio Santiago "É digna de registro e, por sua vez, deve ser eternizado como o exemplo de um homem, cidadão brasileiro que, com seu trabalho. conseguiu demarcar uma região do país, por vezes esquecida, representada pela cidade de Salinas e localidades em seu entorno, como o berço da produção da melhor cachaça do país". Acrescenta ainda que o legado de Anísio Santiago "Permanece e, por certo, permanecerá; uma vez que seu trabalho pioneiro, realizado ao longo de várias décadas de forma incansável e com muita tenacidade, fez com que toda uma região se tornar-se uma referência na produção e comercialização de cachaça de qualidade, a partir da cachaça Havana que por si só, já é perene".

A seguir, vários depoimentos de degustadores e especialistas sobre o feito de Anísio Santiago. 

Depoimentos

Historicamente, Anísio Santiago trouxe para Salinas fama e prestígio através da Havana. Soube valorizar a qualidade e agregar valor ao produto em mais de sete décadas de produção.” 
(JOSÉ ANTÔNIO PRATES, prefeito de Salinas).


Os filhos e netos de Anísio Santiago estão conscientes da responsabilidade de manter a tradição e o padrão de qualidade adquirido em décadas de produção da cachaça Havana-Anísio Santiago. A família tem um compromisso moral que não abrimos mão.” 
(OSVALDO MENDES SANTIAGO, filho de Anísio Santiago e atual sucessor na produção da Cachaça Havana-Anísio Santiago).


A fama da Havana atraiu para Salinas a atenção do Brasil e do mundo. A capital da cachaça tem o dever de reconhecer o seu maior benfeitor.” 
(ISRAEL PINHEIRO, político, político e filho do ex-governador Israel Pinheiro).


Anísio Santiago escreveu uma grande história e se tornou uma lenda. Mas há muito mais por trás da saga da produção da cachaça Havana – Anísio Santiago. Para mim uma garrafa de Havana guarda muito mais que uma bebida rara, ela preserva história, memórias e lembranças. Na Fazenda Havana não é produzida apenas uma cachaça. É destilado um sonho, a realização e a perpetuação de um sonho muito antigo”. 
(JANE SALDANHA, jornalista).

Anísio Santiago é exemplo para produtores e comerciantes de cachaça do Brasil, pois representa valorização da qualidade da cachaça brasileira” 
(OSWALDO BERNADINO JÚNIOR, empresário no ramo de bebidas, dono da Distribuidora Savana).

Anísio Santiago é uma lenda para nós. Do reconhecimento efetivo da Havana soube manter espírito investigativo e inovador na produção de cachaça, não se deixando deslumbrar pelo lucro que poderia ter.” 
(JOSÉ BONIFÁCIO DOS SANTOS, presidente da Confraria Clube da Cachaça de Brasília – DF).

Se cachaça fosse carro, a Havana seria uma Ferrari.” 
(MILTON LIMA, fundador do Cachaças.com).

"Há muitos anos que vários produtores se pautam pela Havana-Anísio Santiago para atingir um mais alto patamar de qualidade. Mas o mito da cachaça havana-Anísio Santiago é que confere à marca o status de ícone da cachaça brasileira."
(MAURÍCIO MAIA, cachacier e chef de cozinha. É autor do blog O Cachacier).


Pesquisar sobre a cachaça de Salinas, nos últimos cinqüenta anos, forçosamente incluirá a pesquisa da marca Havana. Discorrer sobre essa marca, cuja trajetória é assentada na simplicidade e no capricho quase obsessivo de seu proprietário em manter, ao longo de várias décadas, um elevado padrão de qualidade, invariavelmente requer que se teçam comentários sobre quem a idealizou, cuidou e a construiu.” 
(ELIAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, mestre em Administração Rural).

Anísio Santiago ia contra as teorias de marketing. Imagine um político ou um vendedor de bugigangas rejeitar aparecer na Rede Globo? Ele não ia atrás de ninguém, as pessoas o procuravam como em romaria, tinha uma personalidade imantada. Inverteu a lógica vulgar e fez um marketing sólido, mais sólido que a nossa moeda. Apesar de ser proibido cunhar dinheiro, que é monopólio do estado, cunhou a Havana, pagando com ela seus empregados e suas compras. Anísio Santiago conseguiu ser uma lenda em vida, mesmo em cidade do interior onde os comentários são quase sempre negativos. ‘Aquele é o Anísio da Havana’, diziam orgulhosos os da terra aos amigos de fora, quando Anísio passava. A marca que criou cresceu e virou fetiche, invertendo a lógica criador criatura, pois a Havana é que era dele, sua subordinada”. 
(APOLO HERINGER LISBOA, escritor, médico e professor de medicina da UFMG).


"A Cachaça Havana-Anísio Santiago é uma referência nacional e internacional; é um modo de fazer; um estado de arte. Daí a razão da mesma ser considerada oficialmente “Patrimônio Cultural Imaterial” do município de Salinas, representando dessa forma todo o país. A Cachaça “HAVANA-Anísio Santiago” é um ícone; é um símbolo; é uma referência e ideal de perfeição que toda cachaça artesanal de qualidade aspira alcançar um dia."
(CLÁUDIO LUIZ GONÇALVES DE SOUZA, Mestre em Direito Empresarial, Professor Universitário, Escritor e Advogado da Cachaça Havana-Anísio Santiago).



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Refefência bibliográfica:

SANTIAGO, Roberto Carlos Morais. O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago. Belo Horizonte: Cuatiara, 2006, 292 páginas.

19/11/2011

CORONEL IDALINO RIBEIRO

Cel. Idalino Ribeiro (1879-1973).
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)
Por Roberto Carlos Morais Santiago
editor do blog História de Salinas

Coronel Idalino Ribeiro é o maior personagem político da história de Salinas. Foi  chefe político de fato e direito na região de Salinas por quase meio século. Pouco se sabe sobre sua pessoa. Há poucos registros. Poucos livros abordam sobre sua trajetória política como "Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas", de autoria de Abdênago Liboa, e "O Caminho de Volta - A travessia do Deserto", de autoria de Geraldo Paulino Santana. São dois livros interessantes que o blog História de Salinas recomenda para quem deseja entender os meandros da política salinense no século XX.


Idalino Ribeiro, filho de João Nepomuceno e Benevinda Costa Ribeiro, nasceu em Salinas no dia 3 de maio de 1879, no final do século XIX. Sua família é uma das pioneiras de Salinas com raízes em Rio Pardo de Minas. Em 11 de julho de 1904 se casou com Laudelina Chaves, filha única do rico fazendeiro e político José Chaves. Da união teve quatro filhos: Odete Chaves Ribeiro, José Chaves Ribeiro, Osmane Ribeiro e Severina Chaves Ribeiro.

Ainda jovem, com o apoio do deputado Edmundo Blum, que representava a região do Alto Rio Pardo, foi nomeado fiscal de impostos de consumo do Estado com salário de 120$000 réis e mais 5% da renda. A sua área de fiscalização era imensa alcançando os municípios de Salinas, Grão Mogol, Araçuaí, Pedra Azul, Jequitinhonha, até o Salto da Divisa. Ganhou, ainda, patente para negociar fumo. Em sua vida firmou-se como pessoa influente, comerciante e político.

Foi chefe político em Salinas por quase meio século. De 1918 a 1930 foi Agente Executico (cargo equivalente a prefeito atual) que era ocupado pelo presidente da Câmara de Vereadores. De 1930 a 1959, impôs todos os prefeitos (nomeados ou eleitos) do município, quando seu candidato foi derrotado pelo sobrinho e emergente político emergente Geraldo Paulino Santanna. A partir daí entrou em dacadência política.

Em 1923, foi responsável pela construção e inauguração de ponte de madeira ligando o centro ao bairro São Geraldo. O construtor responsável foi o carpinteiro Viroti, de Jequitaí, que ganhava 15$000 por dia, muito dinheiro para a época.

(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)
Em 1928, com a chegada dos primeiros automóveis em Salinas, promoveu a construção da estrada de rodagem de Salinas a Brejo das Almas (atual Francisco Sá) ficando pronta em 1929. O governador Olegário Maciel Dias, de 1931 a 1933, refez a estrada, pagando o conto de réis por quilômetro com intuito de dar serviço para grande número de desempregados que estavam criando problemas para o Estado. O Coronel Idalino Ribeiro financiava a construção sendo reembolsado pelo Governo de Minas posteriormente.

Em 1933, como forma de de demonstração de poder e prestígio político, construiu palacete residencial especialmente para receber o governador Benedito Valadares, que veio participar da inaugração da reforma da estrada que liga Salinas a Brejo das Almas.

No período em que esteve no poder, todos em Salinas, diretamente ou indiretamente, eram influenciados pelo coronel Idalino Ribeiro. A sua palavra era derradeira e decisiva. Por respeito ou medo todos o reverenciavam. Existiam outros coronéis em Salinas em sua época como Bernadino Costa, Procópio Cardoso, Moysés Ladeia. Entretanto, Cel. Idalino Ribeiro estava acima de todos. Dizem que sua ascenção ao poder político em Salinas foi à força com o apoio de jagunços e parte a elite local. O fato é que representou fielmente, na região de Salinas, o papel de chefe oligárquico numa época em que oligarquias familiares eram células importantes no xadrez político da República Velha no Brasil (1889-1930) e da era Getúlio Vargas (1930-1945).

Cel. Idalino Ribeiro faleceu em Belo Horizonte no dia 28 de outubro de 1973, aos noventa e quatro anos. Seguramente figura no rol dos homens mais importantes da história de Salinas.


Artur Mendes, Cel. Idalino Ribeiro, Dr. Anthero Ruas e Antônio Neves.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

05/11/2011

DISTRITO DE BOM JESUS DAS TAIOBEIRAS

Foto histórica do antigo mercado de Taiobeiras.
Fonte da imagem: Avay Miranda.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

Até a primeira década do século XX o povoado de Bom Jesus das Taiobeiras pertencia ao território do município de Rio Pardo de Minas. Estrategicamente localizado, funcionava como entrocamento de rota de tropeiros no transporte de mercadorias para Araçuaí, Montes Claros, Teófilo Otoni, Salinas e sertão da Bahia.

Com isso o povoado cresceu e foi elevado à categoria de distrito pela Lei Estadual nº. 556, de 30 de agosto de 1911 e incorporado ao território do município de Salinas. Como a divisa territorial entre Salinas e Rio Pardo de Minas passava dentro do antigo povoado onde hoje existe a avenida Contorno, muitos moradores lutaram pela incorporação ao território salinense por acharem ser mais vantajoso sob o ponto de vista econômico e político.

Com o passar dos anos o distrito teve grande crescimento e a população local passou a reivindicar a sua emancipação de Salinas. Foi um processo lento, pois a política de Salinas não permitia. Em 1943 a emancipação quase ocorreu. Já aprovada pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, precisava de sanção do governador. O Cel. Idalino Ribeiro, líder político de Salinas, solicitou ao governador que não aprovasse pelo fato que terras da povoação de Matrona seria incorporada ao novo município. Salinas não aceitaria pois seria uma das melhores terras do município salinense.

Carta do Cel. Idalino Ribeiro ao governador confirma o imbróglio. Vejamos:

"Senhor Governador,

Saúde,

Regressando ao Norte do Estado, peço ao prezado amigo e chefe, não consentir que o distrito de Taiobeiras, sem renda, sem gente, sem território e sem nenhum melhoramento, seja elevado a município.

Principalmente, querendo tomar a melhor faixa de terra no que existe no município de nossa Salinas, no nosso distrito da cidade, o melhor que temos.

Abraço, agradecimentos do velho amigo admirador.

Idalino

Capital, 16/11/43"

O pedido do Cel. Idalino Ribeiro foi aceito pelo governador e a emancipação de Taiobeiras não ocorreu gerando enorme insatisfação ao povo taiobeirense. Entretanto, o lento processo de emancipação continuou e concretizou-se uma década depois por meio da Lei Estadual nº.1.039, de 12 de dezembro de 1953, que teve o apoio do emergente político de Salinas, Geraldo Paulino Santanna, que fazia oposição ao Cel. Idalino Ribeiro.

A efetivação da emancipação deu-se no dia 1º. de janeiro de 1954, com a posse do intendente (administrador), Lídio Ituassu, nomeado pelo governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek. Taiobeiras foi o segundo distrito a se emancipar de Salinas. O primeiro foi o distrito de Fortaleza (atual município de Pedra Azul), ocorrido em 1911.

Para quem quer conhecer mais sobre a história de Taiobeiras o blog História de Salinas recomenda a leitura do excelente livro do escritor taiobeirense Avay Miranda intitulado "Taiobeiras: seus fatos históricos".
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Referência bibliográfica:

MIRANDA, Avay. Taiobeiras: seus fatos históricos. Brasília: Thesaurus, 1997, vol. I e II.
SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de volta - A travessia do deserto. Belo Horizonte, 2005, 2ª. edição.

01/11/2011

O PRIMEIRO PREFEITO DE SALINAS

Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho, 
primeiro prefeito (agente executivo) 
da história de Salinas no
período de 1883-1886.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho marcou seu nome na história de Salinas no final do século XIX. Foi um dos sete primeiros vereadores eleitos que tomou posse na instalação da 1ª. Câmara Municipal ocorrida em Rio Pardo de Minas quando da efetivação da emancipação político-administrativa do município de Santo Antônio de Salinas, no dia 19 de janeiro de 1883. O município fora criado pela Lei Provincial nº. 2.725, de 18 de dezembro de 1880.

O vereador Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho foi escolhido presidente da Câmara de Vereadores e, em consequência, também escolhido agente executivo (cargo equivalente a prefeito atualmente) para o período de 1883-1896. 


O fato confere a Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho como o primeiro presidente da Câmara de Vereadores e o primeiro prefeito (agente executivo) da história de Salinas constituindo-se no primeiro mandatário político local.


Ressalta-se que até 1932, na primeira metade do século XX, os municípios brasileiros eram administrados pelos presidentes da Câmara de Vereadores com o apoio de uma junta de conselheiros.

31/10/2011

LIVRO: "OCTACILÍADA: UMA ODISSÉIA DO NORTE DE MINAS" REGISTRA HISTÓRIA DA REGIÃO DE SALINAS

Capa do livro.

O raro livro "Octacilíada: Uma odisséia do Norte de Minas", de autoria do salinense Abdênago Lisboa (1916-1977) foi lançado em 1992 pelo seu filho Apolo Heringer Lisboa. Aborda a trajetória de sua de sua família tendo como epicentro o seu pai Octacílio Lisboa, bem como revela aspectos históricos e culturais de Salinas e região desde os tempos do Império até meados da década de 1970. O livro possui, ainda, fotos históricas e diversas árvores genealógicas de famílias salinenses e outras regiões do Norte de Minas. O blog História de Salinas recomenda leitura a todo salinense que queira conhecer um pouco a história de sua terra... imperdível. O livro merece nova edição pelo seu valor histórico e cultural. O autor Abdênago Lisboa, além de pesquisador, escritor e poeta, foi o primeiro diretor da Escola Agrícola de Salinas.

27/10/2011

DISTRITO DE FORTALEZA DE SALINAS

Imagem do distrito de Fortaleza de Salinas em 1900.
Recenseamento realizado nesse ano identificou 4.342 habitantes no distrito.
Fonte da imagem: Abdênago Lisboa/Apolo Heringer.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

O município de Salinas já foi muito extenso em território. Um dos distritos mais distante de Salinas (sede) era Fortaleza (atual município de Pedra Azul) distante mais de 100 quilômetros. Foi o primeiro a emancipar. O processo de emancipação se iniciou no dia 30 de agosto de 1911, quando da sanção da Lei Estadual nº. 556, criando o município de Fortaleza. No dia primeiro de março de 1912 realizam-se as primeiras eleições. A instalação da 1ª. Câmara de Vereadores do novo município ocorreu no dia 1º. de junho de 1912 em Salinas. Tomaram posse os eleitos: Pacífico Soares de Faria (presidente da Câmara e agente executivo),  João de Lima Pires, Hormino de Almeida, Alcebíades Antunes de Oliveira, Carlos Américo da Cunha Peixoto, João da Costa Fernandes e João da Rocha Medrado. O povoado de Cachoeira de Pajeú também desmembra-se de Salinas e integra o território do novo município de Fortaleza na condição de distrito. Em 1943, após realização de plebiscito, o nome do município é alterado para Pedra Azul.

Hasteamento de bandeira na instalação da 1ª. Câmara de Vereadores de Fortaleza, no dia 1º. de junho de 1912.
A banda que toca é de Salinas.
Fonte da imagem: Abdênago Lisboa/Apolo Heringer.
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26/10/2011

PRIMEIROS AUTOMÓVEIS DE SALINAS

Primeiros automóveis de Salinas, final da década de 1920, século XX. 
Ao fundo prédio da primeira sede do poder-executivo de Salinas.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

Por Roberto Carlos Morais Santiago

O primeiro automóvel a chegar na capital mineira, Belo Horizonte, foi um modelo Popp-Hart Ford, da empresa Trajano de Medeiros, em 1908, no início do século XX. Era símbolo da modernidade e provocou mudança no cenário urbano da capital mineira.

Em Salinas, Norte de Minas, o primeiro automóvel chegou no dia 16 de junho de 1925. Foi um acontecimento histórico de grande impacto na época. Até então o transporte de mercadorias e pessoas era feito por meio animais e carroças com dificuldades de toda ordem. O automóvel foi um Ford oriundo de Brejo das Almas (atual município de Francisco Sá). Custou quatro contos de réis adquirido por Domingos Português. Estava com Domingos o seu patrício Anibal.

O vereador Mendo Correia apresentou projeto na Câmara e fez aprovar lei decretando feriado municipal pelo acontecimento histórico.

A chegada do primeiro automóvel em Salinas foi o fim de um ciclo de uma sociedade e economia que não conseguia prosperar pela falta de contato com o mundo exterior em face da enorme dificuldade de locomoção. Até então produtos chegavam por meio de tropas.

O primeiro automóvel em Salinas foi, também, o início de um novo ciclo de desenvolvimento e prosperidade. Em 1928 deu-se início a construção de estrada de rodagem ligando Salinas a Brejo das Almas (atual Francisco Sá). A iniciativa foi do Coronel Idalino Ribeiro (1879-1973), chefe político e Agente Executivo (equivalente ao atual cargo de prefeito) do município. A estrada ficou pronta em 1929.

O governador de Minas, Olegácio Dias Maciel, refez a estrada entre 1931 e 1933. Com a estrada a região de Salinas passou por radical transformação com grande impacto na economia, cultura e sociedade. Verdadeira revolução de costumes graças ao primeiro automóvel em Salinas em 1925, dirigido por Domingo Português e seu patrício Aníbal.

Atualmente, o único veículo remanescente da primeira metade do século XX existente em Salinas é o velho caminhão Chevrolet Lordmaster, ano 1947, de propriedade da família de Anísio Santiago (1912-2002). Encontra-se em excelente estado de conservação na fazenda Havana. O velho caminhão é testemunha de uma época de ouro que se foi no tempo. Restam apenas lembranças dos mais velhos que tiveram o privilégio de viver uma época de deslumbramento.

DARCY FREIRE

Darcy Freire (1923-1979).
Por Roberto Carlos Morais Santiago

DARCY FREIRE, poeta e escritor, nasceu em Salinas no dia 2 de fevereiro de 1923. Estudou o secundário no Rio de Janeiro, depois Engenharia na Escola de Minas, em Ouro Preto, abandonando a atividade para se dedicar à vida familiar e iniciar a vida literária em Salinas, publicando os jornais “Cidade de Salinas”, “A Bola” e os livros de poesia “Coivaras” e “Conselhos e Canções”, nas décadas de 1950 e 1960.


Foi vice-prefeito de Salinas (1950-1954), ocupando o cargo interino por dois anos, período em que houve florescimento na vida cultural, artística e esportiva na cidade. Na capital mineira ocupou diversos cargos públicos, como diretor do Instituto Estadual de Floresta e assessor em Secretarias do Governo de Minas Gerais.


É patrono da Academia de Letras de Salinas. De grande sensibilidade literária é considerado a mais importante influência sobre a nova geração de poetas e escritores salinenses. Faleceu em 1979. Abaixo, transcrição de um dos muitos poemas que fez.


TERRA DE MINHA VIDA
(Darcy Freire)

Oh! Minha terra, berço meu, Salinas,
Prisma encantado de mil e uma arestas,
Onde a esperança verde das florestas
Sepulta as esmeraldas – turmalinas!
Cascatas sonhadoras, sempre em festas
Carregam prata e sol como meninas
Travessas, e, no prado, as boninas
Mostram baton às flores mais honestas...
Amo a paisagem de ametista e jade,
Que emoldura o meu quadro de saudade...
Oh! Salinas! Oh! Minha Shangri-lá!
Onde ouvi, vez primeira, a voz materna;
Onde senti, no peito, a voz interna,
Onde meu filho me chamou papá...

23/10/2011

PONTE DE MADEIRA SOBRE O RIO SALINAS

A gravura acima, de autoria do pintor salinense Lúcio Carlos Soares, tendo a ponte em primeiro plano, dá uma dimensão de como era o bairro São Geraldo na década de 1920, tendo ao centro a avenida Antônio Carlos.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

A ponte histórica de madeira sobre o rio Salinas, de cerca de 100 metros, ligando o centro ao bairro São Geraldo foi construída em 1922 e inaugurada em janeiro de 1923, na primeira metade do século XX, pelo Coronel Idalino Ribeiro, então chefe político e agente executivo (equivalente ao cargo de prefeito atual).


O construtor da ponte foi o carpinteiro Viroti, oriundo de Jequitaí, indicado pelo engenheiro do Estado, o francês Leo Gilot. Os ajudantes na construção foram José Guimarães, Almerindo Costa e Agripino Costa.


A ponte de madeira foi um grande acontecimento de grande apelo popular. Possibilitou a integração do centro à região do São Geraldo que ficava isolada e de difícil acesso. Na década de 1960 foi demolida e construída nova ponte (atual) por Geraldo Paulino Santana cuja inauguração teve a presença do governador Magalhães pinto. 


Abaixo, imagem histórica de inauguração da ponte com participação da população local. 

Inauguração da ponte de madeira sobre o rio Salinas em janeiro de 1923.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

21/10/2011

A EPOPÉIA DA ESCOLA ESTADUAL CEL. IDALINO RIBEIRO

Por Roberto Carlos Morais Santiago


A construção do prédio da atual Escola Estadual "Cel. Idalino Ribeiro" (antigo Instituto Nossa Senhora Aparecida - INSA) foi épica. Foi iniciada em 1953 pelas irmãs franciscanas tendo como líder a irmã Narcisa Chamone e concluída por etapas. Contou com a colaboração da população salinense e de pessoas influentes como os deputados Clemente Medrado e José Chaves Ribeiro, Geraldo Paulino Santana, Abdênago Lisboa - diretor da Escola Agrícola -  que  cedia o caminhão da escola, dirigido por Anísio Guimarães, para carregar material de construção. Enfim, foi uma construção coletiva em prol da educação. A cidade entrou no espírito solidário para a construção do colégio.

A ideia da construção do colégio se deu em conversa entre Mendo Correa, Dr. Olinto e outros, com a presença do frei Joaquim, da paróquia de Salinas. Chegaram a conclusão que o local ideal seria em terreno dos herdeiros de Catolino Gomes.

O frei Joaquim entrou na conversa e desafiou os participantes a conseguirem o terreno que daria um jeito de construir o colégio. Por fim o terreno logo foi comprado. Frei Joaquim, que era tido como "doido" recorreu à Irmã Noêmia, Superiora Geral da Ordem Franciscana, conseguindo autorização, recursos e estímulo para a grande obra.

A irmã Narcisa Chamone, que chegou a Salinas em 1950, levou adiante o glorioso empreendimento sob orientação da Ordem Franciscana. Com jeito e determinação atraiu para a obra a atenção do povo salinense que deu valiosa contribuição, principalmente as mulheres, que não deixavam faltar nada para as irmãs responsáveis pelo empreendimento. O prédio foi concluído e inaugurado no início da década de 1960 e recebeu o pomposo e justo nome de Instituto Nossa Senhora Aparecida, popularmente conhecido por "INSA" em homenagem às franciscanas.

O "INSA" deu grande impulso na edução no município de Salinas. Ali estudaram gerações de alunos que era administrado pelas irmãs franciscanas. No dia 13 de outubro de 1969, o governador Israel Pinheiro Silva aprova Lei Estadual nº. 5.296 denominando o colégio de "Instituto Nossa Senhora Aparecida" atendendo projeto de iniciativa do deputado estadual Geraldo Paulino Santana.

Por razões políticas o "INSA", até então administrado pelas irmãs franciscanas, foi estadualizado no início da década de 1980. Tanto que no dia 8 de outubro de 1982 foi aprovada Lei Estadual nº. 8.288, assinado pelo governador Francelino Pereira dos Santos,  alterando o nome do estabelecimento de ensino para "Escola Estadual Cel. Idalino Ribeiro de 1º. e 2º. Graus" em homenagem ao grande político da primeira metade do século XX que por mais de 40 anos foi o principal político mandatário na região de Salinas (leia artigo sobre Cel. Idalino Ribeiro no blog).

Encerrado o ciclo das irmãs franciscanas, a nova escola estadual continuou com sua importância histórica no processo de inclusão de saber e cultura da juventude salinense. Atualmente é uma das maiores escolas estaduais de toda a região norte-mineira com mais de dois mil alunos. O legado das irmãs franciscanas continua.