| Anísio Santiago. |
O blog História de Salinas não poderia deixar passar em branco o centenário de nascimento de Anísio Santiago, que se comemora no dia 2 de fevereiro de 2012, tido como o mais emblemático produtor da história da cachaça brasileira. A história de vida do lendário produtor da cachaça Havana-Anísio Santiago - reconhecida ícone
da mais legítima bebida brasileira: a cachaça - é interessante sob todos os aspectos. Em vida foi uma lenda tal o respeito e
admiração pela cachaça que produzia. Mesmo após sua morte em 2002, o seu
legado continua uma década depois. Pode-se afirmar que a história da cachaça de Salinas e brasileira se refere a antes e depois de Anísio Santiago.
Por Roberto Carlos Morais
Santiago
Editor do blog
História de Salinas
Anísio
Santiago faleceu no dia 22 de dezembro de 2002, próximo de completar 92 anos.
Passados dez anos de seu falecimento, comemora-se o centenário de seu nascimento
no dia 2 de fevereiro de 2012. A data é digna de registro e comemoração, pois se
trata de um dos personagens mais importantes da história de Salinas, município
onde nasceu, viveu e morreu.
Ressalta-se que a trajetória de vida de Anísio Santiago transcendeu os limites de sua amada
terra. Com seu jeito todo peculiar, soube forjar uma marca de cachaça: a
Havana-Anísio Santiago, cujo método de produção e envelhecimento, ainda mantido
pelos seus sucessores, é referência em todo o país. Pode-se afirmar, sem margem
de dúvida, que Anísio Santiago é o maior personagem da história da cachaça
brasileira. É praticamente impossível discutir o assunto cachaça sem tecer o
seu nome e o seu legado.
A
família Santiago surgiu no município norte-mineiro de Salinas no ano de 1898, final
do século XIX, através do pioneiro José Santiago (1873-1944). Filho de Justino
Santiago e Anna Maria de Jesus, nasceu na cidade mineira de Diamantina,
localizada no Alto Jequitinhonha.
Ainda
jovem, em 1894, José Santiago foi estudar medicina em Salvador. Por razões
desconhecidas desistiu do curso no segundo ano. Segundo Arlindo Santiago (1909-2011),
filho de José Santiago, o motivo da desistência foi a Guerra de Canudos
(1896-1897), ocorrida no interior da Bahia, que mobilizou milhares de soldados
do governo federal para combater o temido Antônio Conselheiro. Em dois anos de
conflito milhares de pessoas morreram.
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| Anísio Santiago. |
Em
1898, mudou-se com a esposa para Salinas, também para trabalhar como professor,
embora não se tenha registro em qual escolar. A convite de um amigo foi
lecionar no povoado de Lagoinha, zona rural do município, isso no ano de 1900.
O
povoado de Lagoinha, naquela época, tinha importância estratégica tendo em
vista que era parada obrigatória de pessoas e transportadores de mercadorias em
mulas entre Salinas e Montes Claros.
Em
1903 adquiriu a fazenda Bonfim, próxima ao povoado, onde fixou moradia,
tornando-se produtor rural, além de professor. José Santiago tornou-se pessoa
muito assediada na região pelo fato de ter conhecimento de medicina, além de
ser professor. Em pouco tempo tornou-se uma espécie de líder do povoado de
Lagoinha e região.
Da
união de José Santiago e Virginia Celestina surgiu prole numerosa, fato muito
comum na estrutura familiar do início do século XX. Foram doze filhos: Antônio
Santiago (1897-1950), Maria Santiago (1899-1953), Leôncio Santiago (1901-1945),
Silvio Santiago (1912-1986), Santinha Santiago (1908-2001), Arlindo Santiago
(1909-2011), Anísio Santiago (1912-2002), José Elzito Santiago (1915-1945),
Anita Santiago (1913), Osvaldina Santiago (1917) e Osvaldir Santiago (1919-2007).
Dos doze filhos, somente o primogênito Antônio Santiago nasceu em Medina, sendo
que os demais em Salinas.
José
Santiago veio a falecer em 1944, aos sessenta e sete anos e a sua esposa,
Virginia Celestina, em 1965, aos oitenta e três anos. Foram precursores da
família Santiago em Salinas, cujo tronco da árvore genealógica tem origem na
região de Diamantina.
Da
prole numerosa de José Santiago o destino reservou ao sétimo filho, Anísio
Santiago, trajetória de vida que o tornaria parte da história de Salinas. Nasceu
no dia 2 de fevereiro de 1912, na fazenda Bonfim, zona rural de Salinas. Ali
cresceu e viveu sua infância e adolescência ao lado dos pais e irmãos.
Aos
doze anos de idade, escondido do pai, experimentou beber cachaça pela primeira
vez. Não gostou. Desde então jamais bebeu cachaça em toda a sua vida.
Entretanto, quis o destino que a cachaça tivesse importância fundamental em sua
vida.
O
jovem Anísio Santiago aprendeu vários ofícios. Foi carpinteiro, tropeiro,
comerciante, motorista e fazendeiro. Como tropeiro transportou mercadorias em
mulas entre Salinas e Montes Claros na década de 1930.
De
tropeiro tornou-se motorista de um Ford F-8, que adquiriu no final da década de
1930. Foi um dos primeiros motoristas da região de Salinas e foi testemunha
ocular da modernidade que aos poucos chegava através das estradas empoeiradas e
esburacadas.
Em
1937, aos 25 anos, se casou com Adélia Mendes (1916-2007), então com 21 anos de
idade. Deixou o povoado de Lagoinha e fixou residência na cidade de Salinas,
onde continuou a exercer as atividades de comerciante e motorista.
Alguns
anos depois, em 1942, comprou a fazenda Havana que pertencia a viúva de João Soares, Maria Virgínia Soares, localizada no sopé da Serra dos Bois, distante cerca de doze quilômetros
da sede do município. Para lá mudou com a esposa no ano seguinte. Iniciava-se
nova fase na vida do então jovem Anísio Santiago.
| Fazenda Havana. |
Em
1947, em parceria com o irmão Sílvio Santiago e o amigo Aníbal Gonçalves das
Neves, comprou caminhão Chevrolet Lordmaster, importado dos Estados Unidos. Ele
próprio foi ao Rio de Janeiro buscar o veículo. A viagem durou seis dias. Logo
comprou as partes do irmão e do amigo Aníbal. Com o caminhão comercializava sua cachaça em Salinas, região norte-mineira e sul da Bahia. Como produzia
cachaça de qualidade logo foi adquirindo fama junto ao consumidor. O fato de ser conhecido por onde passava, uma vez que fora tropeiro e motorista de caminhão a partir da década de 1930, facilitava o comércio de seu produto com a entrega "in loco". Este fato não acontecia com outros produtores de Salinas.
Anísio
Santiago teve dois fatores decisivos na divulgação do seu produto: a marca
Havana (pioneira na região de Salinas) e o caminhão que transportava a bebida
diretamente ao consumidor. Com isso saiu na frente dos produtores que
comercializam o seu produto a granel. Na década de 1960, vários produtores de
Salinas começaram a identificar o seu produto por meio de marcas, de olho no
sucesso da cachaça de Anísio Santiago. Viam nele uma referência no processo de
produção de cachaça de qualidade, uma vez que a marca Havana tinha grande
aceitação na região e a sua fama estava ultrapassando fronteiras. Em função
disso logo surgiram várias marcas como a Piragibana, do produtor Ney Corrêa; a
Indaiazinha, do produtor Waldete Romualdo; a Seleta, do produtor Miguelzinho de
Almeida; a Teixeirinha, do produtor Felismino Teixeira; a Asa Branca, do
produtor Juventino Queiroz; a Sabiá, do produtor Juca Marcolino; a Estrela do
Norte, do produtor Purdêncio Francisco dos Santos; e a Pulusinha, do produtor
Narciso Dias Corrêia., dentre ouras.
| Rótulo antigo da cachaça Havana. |
Com isso, Salinas foi aos poucos
preenchendo lacuna no mercado de cachaça deixado pelos produtores de Januária.
Na década de 1970, Salinas foi se impondo regionalmente como grande produtora
de cachaça. O clima, solo e a variedade de cana Java, que se adaptou muito bem
ao clima da região, foram fatores decisivos em todo o processo.
Na década de 1990, a cachaça de Salinas
passou por novo e vigoroso processo de expansão da produção, culminando no
aumento significativo de marcas em função da implantação do Pró-Cachaça, pelo
governo mineiro, em 1992, visando estimular o aprimoramento da cachaça
artesanal mineira. E deu certo. O Pró-Cachaça, em pouco tempo, revolucionou
toda a estrutura da cadeia produtiva da cachaça artesanal produzida em todo o
território mineiro, e em Salinas não foi diferente.
Atualmente existem mais de 50 marcas
de cachaça produzidas no município. A produção anual já ultrapassa quatro milhões de
litros por safra. Tornou-se na importante região produtora de cachaça
artesanal de Minas Gerais e do Brasil. Em 2006, foi responsável por 45,87% de
toda a arrecadação de ICMS, imposto de circulação de mercadorias e serviços de
competência estadual, em todo o território mineiro. O processo de
diversificação da economia brasileira ao longo nas últimas décadas vem forjando
e incrementando atividades econômicas de produtos típicos da cultura do Brasil
no mercado com forte impacto nas economias locais. Salinas encontrou no
agronegócio da cachaça uma atividade econômica que vem mudando o perfil de toda
a sua economia, contribuindo para o seu desenvolvimento sócio-econômico.
Reconhecendo a cachaça como importante atividade econômica e cultural do município, o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, assinou Decreto Municipal nº. 3.728/2006, reconhecendo a marca Havana como ícone da cachaça salinense com o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas em face de sua reconhecida história, qualidade e notoriedade no mercado brasileiro e no exterior. Por meio do decreto, fato inédito no Brasil, o poder executivo municipal reconheceu o feito espetacular do produtor Anísio Santiago.
Anísio Santiago foi empresário local que conquistou o mundo não por altas cifras em faturamento e sim pela excelência de qualidade de um produto que foi e continua sendo concebido por método de produção ainda não decifrado pelos produtores de Salinas e de outras regiões de Minas Gerais e do Brasil. O segredo é guardado pelos filhos que vem mantendo o processo de produção pelo mesmo método de origem. Anísio Santiago ultrapassou a barreira de empresário rural norte-mineiro que deu certo. Mais que isso, se tornou no símbolo de bebida que faz parte da história brasileira desde o século XVI, na década de 1530, quando o português Martin Afonso de Souza construiu engenhos na Capitania de São Vicente para a produção de açúcar e cachaça.
Reconhecendo a cachaça como importante atividade econômica e cultural do município, o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, assinou Decreto Municipal nº. 3.728/2006, reconhecendo a marca Havana como ícone da cachaça salinense com o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas em face de sua reconhecida história, qualidade e notoriedade no mercado brasileiro e no exterior. Por meio do decreto, fato inédito no Brasil, o poder executivo municipal reconheceu o feito espetacular do produtor Anísio Santiago.
Anísio Santiago foi empresário local que conquistou o mundo não por altas cifras em faturamento e sim pela excelência de qualidade de um produto que foi e continua sendo concebido por método de produção ainda não decifrado pelos produtores de Salinas e de outras regiões de Minas Gerais e do Brasil. O segredo é guardado pelos filhos que vem mantendo o processo de produção pelo mesmo método de origem. Anísio Santiago ultrapassou a barreira de empresário rural norte-mineiro que deu certo. Mais que isso, se tornou no símbolo de bebida que faz parte da história brasileira desde o século XVI, na década de 1530, quando o português Martin Afonso de Souza construiu engenhos na Capitania de São Vicente para a produção de açúcar e cachaça.
A Fazenda Havana, onde é produzida a
bebida, se tornou em espécie de reduto sagrado do universo da cachaça
brasileira ao longo das últimas décadas. O jornalista paulista Sidnei Maschio diz
que “Em vários lugares ao redor do mundo, as visitas exigem mesmo um ritual
específico, coerente com a sacralidade que eles encerram. A Fazenda Havana está
nessa lista. A propriedade poderia ser comparada a um templo, pelo papel na
recuperação e na divulgação das melhores qualidades da bebida genuinamente
brasileira. O universo da cachaça tem duas histórias distintas, uma antes e
outra depois da Havana”.
Anísio
Santiago em vida foi uma lenda. Transformou-se no maior ícone da história da
cachaça brasileira. É impossível falar ou escrever sobre cachaça sem tecer
comentário ao seu nome e ao seu feito. Recentemente tem sido lançado vários livros sobre a cachaça brasileira por várias autores. Todos tecem comentários ao seu feito (ver referência bibliográfica abaixo).
O escritor e publicitário Renato Figueiredo, em seu livro "Estava no seu nariz, mas você não viu: descubra por que a cachaça brasileira pode ser muito mais suave e saborosa do que você imagina" (São José dos Campos, edição do Autor, 2011, págs. 87-88), faz a seguinte observação sobre Anísio Santiago:
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| Osvaldo Santiago, encimado pelo retrato de casamento dos pais na fazenda Havana, sucessor na produção da cachaça Havana-Anísio Santiago. |
Mesmo após a sua morte em 2002, ainda
desperta curiosidade em muitas pessoas. Ainda muito se fala e escreve a seu
respeito e do legado que deixou. Deixou grande lição de vida e demonstrou que é
possível crescer e construir uma vida respeitável e obter a admiração de todos.
Sempre permaneceu fiel aos seus ideais e princípios que acreditou serem
verdadeiros.
Para o cachacier Maurício Maia, o centenário de Anísio Santiago é digno de registro e memória. Segundo o cachacier "São poucos os produtores de cachaça no Brasil que conseguem manter a tradição e a qualidade que sempre marcaram as cachaças que ele produzia sem fazer concessões para o mercado e as tentações de aumentar o volume de produção em detrimento da qualidade."
Na opinião do advogado da família de Anísio Santiago, Dr. Cláudio Luiz Gonçalves de Souza, responsável pela espetacular vitória na justiça federal pelo retorno da marca Havana, a data comemorativa de centenário de nascimento de Anísio Santiago "É digna de registro e, por sua vez, deve ser eternizado como o exemplo de um homem, cidadão brasileiro que, com seu trabalho. conseguiu demarcar uma região do país, por vezes esquecida, representada pela cidade de Salinas e localidades em seu entorno, como o berço da produção da melhor cachaça do país". Acrescenta ainda que o legado de Anísio Santiago "Permanece e, por certo, permanecerá; uma vez que seu trabalho pioneiro, realizado ao longo de várias décadas de forma incansável e com muita tenacidade, fez com que toda uma região se tornar-se uma referência na produção e comercialização de cachaça de qualidade, a partir da cachaça Havana que por si só, já é perene".
A seguir, vários depoimentos de degustadores e especialistas sobre o feito de Anísio Santiago.
Depoimentos
“Historicamente, Anísio Santiago
trouxe para Salinas fama e prestígio através da Havana. Soube valorizar a
qualidade e agregar valor ao produto em mais de sete décadas de produção.”
(JOSÉ ANTÔNIO PRATES, prefeito de Salinas).
“Os filhos e netos de Anísio Santiago estão conscientes da responsabilidade de manter a tradição e o padrão de qualidade adquirido em décadas de produção da cachaça Havana-Anísio Santiago. A família tem um compromisso moral que não abrimos mão.”
“Os filhos e netos de Anísio Santiago estão conscientes da responsabilidade de manter a tradição e o padrão de qualidade adquirido em décadas de produção da cachaça Havana-Anísio Santiago. A família tem um compromisso moral que não abrimos mão.”
(OSVALDO MENDES SANTIAGO, filho de Anísio Santiago e atual sucessor na produção da Cachaça Havana-Anísio Santiago).
“A fama da Havana atraiu para Salinas a atenção do Brasil e do mundo. A capital da cachaça tem o dever de reconhecer o seu maior benfeitor.”
“A fama da Havana atraiu para Salinas a atenção do Brasil e do mundo. A capital da cachaça tem o dever de reconhecer o seu maior benfeitor.”
(ISRAEL PINHEIRO, político, político e filho
do ex-governador Israel Pinheiro).
“Anísio Santiago escreveu uma grande história e se tornou uma lenda. Mas há muito mais por trás da saga da produção da cachaça Havana – Anísio Santiago. Para mim uma garrafa de Havana guarda muito mais que uma bebida rara, ela preserva história, memórias e lembranças. Na Fazenda Havana não é produzida apenas uma cachaça. É destilado um sonho, a realização e a perpetuação de um sonho muito antigo”.
“Anísio Santiago escreveu uma grande história e se tornou uma lenda. Mas há muito mais por trás da saga da produção da cachaça Havana – Anísio Santiago. Para mim uma garrafa de Havana guarda muito mais que uma bebida rara, ela preserva história, memórias e lembranças. Na Fazenda Havana não é produzida apenas uma cachaça. É destilado um sonho, a realização e a perpetuação de um sonho muito antigo”.
(JANE SALDANHA,
jornalista).
“Anísio
Santiago é exemplo para produtores e comerciantes de cachaça do Brasil, pois
representa valorização da qualidade da cachaça brasileira”
(OSWALDO
BERNADINO JÚNIOR, empresário no ramo de bebidas, dono da Distribuidora Savana).
“Anísio Santiago é uma lenda para
nós. Do reconhecimento efetivo da Havana soube manter espírito investigativo e
inovador na produção de cachaça, não se deixando deslumbrar pelo lucro que
poderia ter.”
(JOSÉ BONIFÁCIO DOS SANTOS, presidente da Confraria Clube da
Cachaça de Brasília – DF).
“Se cachaça fosse carro, a Havana
seria uma Ferrari.”
(MILTON LIMA, fundador do Cachaças.com).
"Há muitos anos que vários produtores se pautam pela Havana-Anísio Santiago para atingir um mais alto patamar de qualidade. Mas o mito da cachaça havana-Anísio Santiago é que confere à marca o status de ícone da cachaça brasileira."
(MAURÍCIO MAIA, cachacier e chef de cozinha. É autor do blog O Cachacier).
“Pesquisar sobre a cachaça de Salinas, nos últimos cinqüenta anos, forçosamente incluirá a pesquisa da marca Havana. Discorrer sobre essa marca, cuja trajetória é assentada na simplicidade e no capricho quase obsessivo de seu proprietário em manter, ao longo de várias décadas, um elevado padrão de qualidade, invariavelmente requer que se teçam comentários sobre quem a idealizou, cuidou e a construiu.”
(MAURÍCIO MAIA, cachacier e chef de cozinha. É autor do blog O Cachacier).
“Pesquisar sobre a cachaça de Salinas, nos últimos cinqüenta anos, forçosamente incluirá a pesquisa da marca Havana. Discorrer sobre essa marca, cuja trajetória é assentada na simplicidade e no capricho quase obsessivo de seu proprietário em manter, ao longo de várias décadas, um elevado padrão de qualidade, invariavelmente requer que se teçam comentários sobre quem a idealizou, cuidou e a construiu.”
(ELIAS RODRIGUES
DE OLIVEIRA, mestre em Administração Rural).
“Anísio Santiago ia contra as
teorias de marketing. Imagine um político ou um vendedor de bugigangas rejeitar
aparecer na Rede Globo? Ele não ia atrás de ninguém, as pessoas o procuravam
como em romaria, tinha uma personalidade imantada. Inverteu a lógica vulgar e
fez um marketing sólido, mais sólido que a nossa moeda. Apesar de ser proibido
cunhar dinheiro, que é monopólio do estado, cunhou a Havana, pagando com ela
seus empregados e suas compras. Anísio Santiago conseguiu ser uma lenda em
vida, mesmo em cidade do interior onde os comentários são quase sempre
negativos. ‘Aquele é o Anísio da Havana’, diziam orgulhosos os da terra aos
amigos de fora, quando Anísio passava. A marca que criou cresceu e virou
fetiche, invertendo a lógica criador criatura, pois a Havana é que era dele,
sua subordinada”.
(APOLO HERINGER LISBOA, escritor, médico e professor de
medicina da UFMG).
"A Cachaça Havana-Anísio Santiago é uma referência nacional e internacional; é um modo de fazer; um estado de arte. Daí a razão da mesma ser considerada oficialmente “Patrimônio Cultural Imaterial” do município de Salinas, representando dessa forma todo o país. A Cachaça “HAVANA-Anísio Santiago” é um ícone; é um símbolo; é uma referência e ideal de perfeição que toda cachaça artesanal de qualidade aspira alcançar um dia."
"A Cachaça Havana-Anísio Santiago é uma referência nacional e internacional; é um modo de fazer; um estado de arte. Daí a razão da mesma ser considerada oficialmente “Patrimônio Cultural Imaterial” do município de Salinas, representando dessa forma todo o país. A Cachaça “HAVANA-Anísio Santiago” é um ícone; é um símbolo; é uma referência e ideal de perfeição que toda cachaça artesanal de qualidade aspira alcançar um dia."
(CLÁUDIO LUIZ GONÇALVES DE SOUZA, Mestre em Direito Empresarial, Professor Universitário, Escritor e Advogado da Cachaça Havana-Anísio Santiago).
__________
Refefência bibliográfica:
SANTIAGO, Roberto Carlos Morais. O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago. Belo Horizonte: Cuatiara, 2006,
292 páginas.





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