10 de fevereiro de 2015

JOSÉ AMERICANO MENDES

José Americano Mendes.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

A noite de quarta-feira, de 30 de dezembro de 1970, não foi tranquila para os moradores da pacata Salinas, norte de Minas Gerais, que vivia sob a batuta do regime militar. Dias antes participara de eleições para escolha de seus representantes. A cidade não tinha energia elétrica e sua iluminação noturna era muito precária. Depois de certa hora, a cidade imergia na escuridão total. 

Foi nesse clima que o então delegado de polícia do município, José Americano Mendes, fora assassinado com vários tiros na ponte que liga o centro ao bairro São Geraldo. Os autores do terrível crime foram Oséas de Almeida e o filho Evaristo de Almeida. O crime assustou a sociedade salinense e repercutiu no país. Tanto, que foi objeto de reportagem da revista VEJA na época (edição nº. 122, página 14, de 6/1/1971). Eis o teor da reportagem:

“NORTE BRAVIO - Os tiros que se ouviram na noite de quarta-feira da semana passada em Salinas não foram de banditismo comum. Foram tiros de vingança política, disparados por Oséas de Almeida, 56 anos e seu filho Evaristo de Almeida, 22 anos, contra o delegado de polícia local, José Americano Mendes. Das oito balas de revólver calibre 32, cinco atingiram certeiramente o coração do delegado e trouxeram para a população de Salinas lembranças das antigas e violentas guerras de jagunços que decidiram a política local.

A razão direta do assassinato parece ter sido a aposentadoria e demissão dos matadores, pai e filho, dos postos que ocupavam no hospital público local. Eles perderam seus empregos três dias depois das eleições e atribuíram o fato às ligações que mantinham com o deputado eleito Sylo Costa, candidato adversário do deputado Geraldo Santana, poderoso chefe político do município e amigo do delegado assassinado. Em virtude da sua atuação política, José Americano Mendes havia sido afastado da delegacia durante o período eleitoral, mas retornou logo em seguida e, segundo Oséas, foi o causador da sua aposentadoria e também o autor de diversas ameaças contra ele e o filho.

Mas essa não é a única explicação que apareceu para o crime: de acordo com vários depoimentos, Oséas era metido a valentão e teria sido ameaçado pelo delegado por causa da forma como comemorou o seu Natal, trocando placas de casas comerciais e defecando em automóveis.”

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