20 de março de 2017

CACHAÇA HAVANA, 74 ANOS DE HISTÓRIA

1943-2017: 74 anos de história da principal
marca de cachaça artesanal do Brasil.
Por Roberto Carlos Morais Santiago


Tradicionalmente a produção de cachaça na região de Salinas se inicia no mês de junho e se estende até dezembro. O solo e clima da região propicia a produção de cachaça em fazendas escondidas em colinas e serras da região. Nas últimas décadas a cachaça de Salinas alcançou tamanha projeção que é reconhecida como a "Capital Mundial da Cachaça de Alambique". Salinas virou sinônimo de cachaça e faz parte da história da cachaça brasileira. Recentemente ganhou um museu da cachaça construído pelo governo de Minas Gerais. Tem, ainda, um festival anual de cachaça que atrai grande número de turistas ávidos por degustar as mais de sessenta marcas ali produzidas. Atualmente, o agronegócio da cachaça em Salinas já representa cerca de um terço da economia do município.

Ao dar início da produção de cachaça nas fazendas da região, uma terá motivo especial para comemorar: a fazenda Havana, que fica no sopé da Serra dos Bois, entre os municípios de Salinas e Novorizonte. A produção de cachaça teve início em 1943 e, desde então, se transformou numa espécie de reduto sagrado da cachaça brasileira. Da fazenda Havana sai a cachaça mais antiga de Salinas e região: a Havana. A projeção nacional e internacional da cachaça de Salinas teve início nesta fazenda de propriedade do produtor Anísio Santiago (1912-2012). A cachaça de Anísio Santiago fez tanto sucesso que estimulou outros fazendeiros seguirem o mesmo caminho. 

Nestes setenta e quatro anos de produção de cachaça, Anísio Santiago e filhos criaram método de alambicagem e envelhecimento da cachaça Havana, agora também com a marca Anísio Santiago, até hoje não decifrado pelos concorrentes. E, mais, se tornou numa das marcas de cachaça mais caras do país. Ainda assim, a produção continua restrita. A família de Anísio Santiago vem mantendo o mesmo método de fabricação forjado pelo patriarca. As marcas de cachaça Havana e Anísio Santiago é exemplo de sucesso. A longevidade da produção é prova inconteste disso. Bom para Salinas e para a cachaça brasileira. Marcas históricas como a Havana são importantes para o agronegócio da cachaça no Brasil. Serve de referência para outros produtores. Ao longo de sete décadas de produção a cachaça Havana vem demonstrando que é possível fazer sucesso, ainda que a estrutura de produção seja pequena e que o alambique esteja instalado longe dos lugares de consumo.



A cachaça Havana é reconhecida no país e no exterior como um das mais tradicionais marcas de cachaça do Brasil. É apreciada por degustadores, especialistas e personalidades somente em determinadas ocasiões. É guardada como se fosse um tesouro dada a sua preciosidade. Centenas de reportagens em livros e revistas em diversas épocas registraram o feito histórico da cachaça produzida por Anísio Santiago. 

Osvaldo Santiago, filho e sucessor de Anísio Santiago diz que a "tradição e qualidade da cachaça Havana-Anísio Santiago permanecem. Sabemos da importância histórica da cachaça produzida em nossa fazenda. Não abrimos mão do legado deixado pelo nosso pai. Buscamos o centenário da nossa cachaça com esmero e capricho. Muita gente não entende, mas não buscamos riqueza. A fazenda Havana continua do mesmo jeito que ele deixou"

O jornalista Sidnei Mashio recentemente fez belo artigo sobre a fazenda Havana para o site Cachaças.com onde diz que o universo da cachaça tem duas histórias distintas: uma antes e outra depois da fazenda Havana. Preservar a fazenda é manter intacta parte da história da cachaça brasileira.

É com esse espírito de preservação histórica que a cachaça Havana vem se mantendo no tempo e no espaço em busca do seu centenário. O tempo virou companheiro inseparável dessa magnífica marca de cachaça produzida com esmero e capricho na fazenda Havana. Anísio Santiago faleceu em 2002 aos noventa e um anos, mas o seu feito continua sendo perpetuado pelos  filhos. Um exemplo de empreendimento familiar que se perpetua ao longo do tempo num país em que a maioria das empresas fecham no primeiro ano de funcionamento.

O blog História de Salinas parabeniza a família de Anísio Santiago. Afinal, setenta e três anos de produção é um feito espetacular que merece registro e comemoração. Deus protege quem trabalha e produz com honestidade.

Depoimentos

"Historicamente, Anísio Santiago trouxe fama e prestígio para a cachaça de Salinas através da Havana. É um dos maiores patrimônios culturais da nossa terra." (JOSÉ ANTÔNIO PRATES, ex-prefeito de Salinas).

"A fama da Havana atraiu para Salinas a atenção do Brasil e do mundo. A capital da cachaça tem o dever de reconhecer o seu maior benfeitor." (ISRAEL PINHEIRO FILHO, engenheiro, político e filho de Israel Pinheiro, ex-governador de Minas Gerais).

"São poucos os produtores de cachaça no Brasil que conseguem manter a tradição e qualidade. Anísio Santiago soube produzir sem fazer concessões para o mercado e as tentações de aumentar o volume de produção." (MAURÍCIO MAIA, cachacier).

"Anísio Santiago é referência aos produtores de Salinas, pois viam nele um expoente no processo de produção de cachaça artesanal de qualidade." (ANTÔNIO EUSTÁQUIO RODRIGUES, produtor de cachaça em Salinas sob as marcas Boazinha, Saliboa e Seleta).


"A cachaça Havana é a Ferrari das caninhas." (MILTON LIMA, cachacier e estudioso da cachaça).

__________

Referência bibliográfica:

SANTIAGO, Roberto Carlos Morais. O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago. Belo Horizonte: Cuatiara, 2006.





Um comentário:

Aires: Poeta por gosto e por pirraça disse...

Aires José Pereira é mineiro de Salinas, poeta por gosto e por pirraça que acredita nas palavras transformadoras de homens e de espaço. Assim abro minha pequena biografia nos livros de poesias que já publiquei. Mas não é sobre isto que quero falar. Quero falar, na verdade, que hoje tenho orgulho de ter nascido neste magnífico município brasileiro considerado capital mundial da cachaça.
Abraços a todos, Aires José Pereira é prof. da UFT, possui 12 livros publicados, é coautor do Hino Oficial de Rondonópolis e membro da Academia de Letras de Araguaína e Norte Tocantinense.