1 de fevereiro de 2012

GERALDO PAULINO SANTANNA

Geraldo Paulino Santanna.
O salinense Geraldo Paulino Santanna foi um dos mais expoentes políticos da história de Minas Gerais. A sua trajetória política se iniciou em Salinas ao derrotar nas urnas em 1958, para prefeito, candidato apoiado pelo até então líder político da região, Cel. Idalino Ribeiro.


Por Roberto Carlos Morais Santiago
editor do blog História de Salinas


Durante mais de meio século o político salinense Geraldo Paulino Santanna testemunhou os bastidores da política de Salinas e Minas Gerais. Foi vereador, prefeito, deputado estadual e secretário de estado. Serviu vários governadores de Minas Gerais, muitos deles adversários entre si. Cumpriu missões sigilosas, fez arranjos e alianças políticas. Foi um autêntico político de bastidor e teve participação em importantes momentos da política mineira.

Filho de Olyntho Prediliano Santanna e Dinorah Paulino Santana, Geraldo Paulino Santanna nasceu em Salinas no dia 28 de novembro de 1925. Nasceu numa época em que o Brasil e Minas Gerais respiravam a República Velha. O governador de Minas Gerais era Fernando de Melo Viana (1924-26). No interior de Minas se praticava a velha política coronelista. Em Salinas e região o chefe político era o Coronel Idalino Ribeiro (1879-1973), por mais de 40 anos.

Ainda jovem Geraldo Santanna cursou o primário em Salinas, na Escola Estadual “Dr. João Porfírio”, entre 1934-37. Estudou o ginásio no “Dom Silvério”, em Sete Lagoas, entre 1938-42. O científico foi concluído no tradicional “Afonso Arinos”, em Belo Horizonte, nos anos de 1943-44.

Retornou para Salinas como contínuo e funcionário do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Logo foi transferido para Curvelo, onde deixou o emprego e retornou à terra natal.

Novamente em Salinas, com a ajuda do avô Basílio Ferreira Paulino, passou a exercer atividade rural no ramo de compra de animais na região para revender em Itabuna, Bahia. O avô Basílio foi importante na sua vida, uma vez que foi co-responsável pela sua criação, educação, trabalho e lhe deu suporte em suas ações. Era fazendeiro e militar. Em 1911 foi agraciado com o título de Capitão Cirurgião da Guarda Nacional, concedido pelo presidente da República, Hermes da Fonseca.

Em 1946, aos 21 anos, casou-se com Maria (...) com quem teve seis filhos. Após o nascimento do primeiro filho, o avô Basílio resolveu passar para o neto a fazenda Bela Vista, distante seis quilômetros de Salinas, que dividia, pelo rio Salinas, com a fazenda Barreiro, de propriedade do deputado Chaves Ribeiro, filho do Coronel Idalino Ribeiro, chefe político de Salinas e região.

Certo dia, com a intenção de ir até a sede da fazenda Barreiro, deparou-se com a porteira da fazenda destruída e havia ali uma cerca de arame farpado impedindo passagem de transeuntes. Entendeu que o acesso àquela fazenda estava fechado.

Naquele período, todos viviam em torno do conceito de orientação do Coronel Idalino Ribeiro, cuja palavra era derradeira para todos. O jovem Geraldo Santanna dirigiu-se ao coronel e relatou o fato da porteira quebrada na entrada da fazenda do filho Chaves Ribeiro no que impedia o trânsito de pessoas pela estrada velha. O coronel prometeu resolver o problema.

Entretanto, o jovem Geraldo Santanna ficou desconfiado e achou que a interdição da estrada por meio do bloqueio da porteira da fazenda Barreiro tinha sido obra do próprio coronel. Não satisfeito e desconfiado, pouco tempo depois resolveu vender a fazenda Bela Vista ao primo Moacir Ribeiro, também sobrinho do coronel Idalino Ribeiro.

O episódio da porteira da fazenda Barreiro foi determinante na vida do jovem Geraldo Santanna. Passou a observar os bastidores da política local e os seus principais atores como Coronel Bernardino Costa, Coronel Procópio Cardoso, Coronel Moisés Ladeia e o próprio Coronel Idalino Ribeiro. Certa vez foi chamado pelo Coronel para uma repreensão, pois este ficara sabendo de sua simpatia pela atividade política do Coronel Procópio Cardoso. Não obstante as ameaças e próximo o pleito eleitoral, resolveu se candidatar a vereador pela oposição.

Eleito vereador e empossado (1951-55) iniciou atividade parlamentar fazendo forte oposição à política situacionista chefiada pelo Coronel Idalino Ribeiro, cujo prefeito de Salinas era Miguel de Almeida (1951-55). O seu primeiro grande ato político foi o pedido de transcrição nos anais da Câmara Municipal de Salinas de carta do Coronel Idalino Ribeiro ao governador Benedito Valadares pedindo para não consentir a emancipação do distrito de Taiobeiras. Eis o teor da carta:

“Sr. Governador,

Saúde,

Regressando ao norte até 22 corrente, peço ao prezado amigo, não consentir que o distrito de Taiobeiras, sem renda, sem gente, sem território bom, e sem nenhum melhoramento, seja elevado a município. Principalmente, querendo tomar a melhor faixa de terreno que existe no município de nossa Salinas, a melhor que temos.

Abraços agradecimento do velho amigo admirador,

Idalino

Capital, 16/11/43.”

__________
(Fonte: SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto. Belo Horizonte: 2004, página 69).



A emancipação de Taiobeiras ocorreu em 1953, com o apoio da Câmara Municipal de Salinas e da liderança do jovem vereador Geraldo Santanna. O episódio demonstrou novo contorno na política coronelista de Salinas que teria muitos desdobramentos a partir de então.

Alguns anos depois, foi eleito prefeito de Salinas (1959-63) sucedendo o prefeito Cândido José da Costa (1955-59). Surgia no município nova liderança política que resultou na decadência política do então todo poderoso político local, o temido Coronel Idalino Ribeiro, que até então reinava absoluto com mãos de ferro a política de Salinas e região por mais de quarenta anos a partir de 1918 até meados da década de 1950. O jovem político Geraldo Santanna encerrava o ciclo dos políticos coronéis.

A sua trajetória política foi intensa. Em Salinas foi vereador (1951-55) e prefeito por duas vezes (1959-63 e 2000-03). No plano estadual foi deputado por três vezes (1967-71, 1991-95 e 1995-99), chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas (1956); diretor-superintendente da Cemig (1964); assessor do governador pela Secretaria de Estado de Assuntos Municipais (1963-64 e 1983-85), secretário de estado da Secretária Extraordinário de Estado para Assuntos Políticos (1986-87), secretário de estado da Secretaria de Estado de Minas e Energia (1987), presidente da Cemig (1987-88), secretário de estado da Secretaria de Estado de Assuntos Municipais (1989-90).

Teve participação no alto escalão dos governos de Bias Fortes (1956-60), Magalhães Pinto (1961-66), Israel Pinheiro (1966-71), Rondon Pacheco (1971-75), Aureliano Chaves (1975-78), Francelino Pereira (1979-83), Tancredo Neves (1983-84), Hélio Garcia (1984-87), Newton Cardoso (1987-91), Hélio Garcia (1992-96), Eduardo Azeredo (1996-99) e Itamar Franco (1999-00).

Como homem público foi condecorado com a Ordem do Mérito Legislativo, Medalha Santos Dumont, Medalha da Inconfidência, Medalha de Mérito da Defesa Civil de Minas Gerais, Medalha Alferes Tiradentes e Diploma de Colaborador Emérito do Exército nacional.

O seu último ato político foi ser prefeito de Salinas pela segunda vez (2000-05) em coligação política nunca admitida em Salinas com o rival Péricles Ferreira dos Anjos. Não completou o mandato. Renunciou ao cargo no dia 13 de janeiro de 2003 e passa o cargo ao vice-prefeito Péricles Ferreira dos Anjos. Encerra-se ciclo político de um dos homens mais influentes de Minas Gerais da segunda metade do século XX. O último ato político foi mensagem ao presidente da Câmara Municipal de Salinas:

“Salinas, 13 de janeiro de 2003.

Excelentíssimo senhor vereador presidente da Câmara Municipal de Salinas,

1. Da Renúncia

Venho renunciar, como de fato renunciado tenho, ao mandato de prefeito municipal de Salinas, cujo término seria em janeiro de 2005.
Ato unilateral, resultante de vontade própria, independe de apreciação dessa E. Casa, cujo término seria em janeiro de 2005.

2. Da declaração de Bens – Acompanha a presente Declaração de Bens, na forma do que escreve a lei. Permito-me ressaltar que, se comparada à afeita por ocasião de minha posse, há de se concluir que, embora em pequena escala, meu patrimônio decresceu.

3. Das grandes obras – Ao assumir em fevereiro de 1959 a prefeitura de Salinas, o fiz com a missão, reiteradamente reclamada por Bernardino Costa, de lutar pela implantação e consolidação da “liberdade” em nossa região, a que logramos ter relativo êxito ao final daquele nosso mandato. A aquisição agora do Edifício Cel. Idalino Ribeiro para sede da prefeitura, a par de seu grande valor material, foi inspirada sobretudo no seu valor histórico, pois dali emanava o poder absoluto e incontestável de uma época.

Ao assumir em 2000 a candidatura a prefeito de Salinas, o fiz para atender ao clamor da população, bem interpretado na convocação do ilustre deputado Péricles Ferreira dos Anjos, juntos, estabelecer um “basta” ao vendaval de corrupção que abateu a moral e a ética na sucessão de responsáveis pela administração municipal, cujos desvios de conduta e de conceitos se transformaram repentinamente numa ‘cultura’. Não descuramos da difícil tarefa e a própria sociedade, na sua grande maioria, já dá sinais de que nos entendeu e aplaude seus primeiros resultados. Por isso e também por ser titular da iniciativa o deputado Péricles Ferreira, todos confiamos em que, certamente, ele completará a missão de restabelecer a moralidade e o respeito à coisa pública em nossa região (...).

3.2 No campo das realizações materiais, ao longo desses anos que se passaram, a par das obras de esgoto sanitário que só agora se desencadeiam na cidade, dotamos nossa terra de água doce e energia elétrica em abundância, de comunicação telefônica e rodoviária com o País, e, com a construção das primeiras passarelas sobre o rio Salinas, e o projeto de avenidas sanitárias ao longo de nossos rios; e, sem descuidarmos da recuperação e preservação de nossos mananciais, e com a perspectiva de construção de grande e moderno mercado na Praça ‘São Miguel’, do bairro São Geraldo, completamos a ‘sinalizar’ da direção para a qual a cidade deva também se desenvolver, não estando fora de propósito, com isso, a inserção da área que contorna a grande barragem sobre o rio Salinas, no seu contexto.

4 . Afinal, aos Senhores vereadores que entenderam e colaboraram aos que também não o fizeram por terem pleitos pessoais por nós contrariados, às novas lideranças e à sociedade em geral, nossa esperança é a de que como parte de um pensamento novo, ou melhor, ‘contemporâneo do futuro’, caminharão na busca do Poder, sem que dele pretendam se servir, mas para servir ao bem comum, e assim, inibindo, pela ação rejuvenescida e corajosa, aos que dele só pretendem gozar e usufruir.

Atenciosamente,

GERALDO PAULINO SANTANNA”

Encerrado o ciclo político, escreveu livro de memórias sobre a sua vida e os bastidores da política. O livro é um raro documentário sobre a intimidade do poder político em Salinas e Minas Gerais em suas várias facetas.

Geraldo Paulino Santanna foi um político de raras habilidades. O seu livro revela a intensidade e magnitude de sua vida pública em detalhes e sem pudor. Foi um dos mais emblemáticos personagens da política contemporânea mineira dos últimos tempos. José Monteiro de Castro, por quem Geraldo Paulino Santana tinha especial apreço sintetiza o político salinense ao fazer o seguinte comentário:

Acompanho a vida pública e particular, o comportamento e o trabalho do Santanna há muitos anos; senão o melhor, está entre os mais completos auxiliares que um Governador de Minas já conheceu; posso testemunhar que ele não se permite intimidades com nenhum governante a que serve, por mais tentado que seja; soube tratá-los, a cada um deles, de forma quase institucional, com extrema lealdade, respeito, dedicação e competência, com independência equilibrada, o que lhe permite ser sempre franco, mesmo quando precisa advertir o governante sobre as conseqüências desfavoráveis de algum ato; por tudo isso é ouvido com atenção e igual respeito. O comportamento de Santanna como auxiliar de governadores diversos, até opositores entre si, é a comprovação do que enfatizou a Rainha Vitória (Inglaterra), quando encerrou suas homenagens ao falecido Disraeli: ‘Les róis aiment celui qui parle juste’ (Os reis amam aqueles que lhes dizem a verdade na hora justa, na hora certa)”.

Autobiografia de Geraldo Paulino Santanna.
O livro de memórias “O Caminho de Volta – A Travessia do Deserto” (Belo Horizonte: 2005, 444 páginas, 2ª edição), de autoria de Geraldo Paulino Santanna é um raro e interessantíssimo documentário para quem deseja entender os bastidores da política do município de Salinas e Minas Gerais a partir da década de 1950. Eis alguns depoimentos do livro:


Geraldo Santanna é uma singular figura de cidadão e homem público. Tem dado a Minas Gerais, com dedicação, sobriedade, coragem, correção e argúcia, nos postos mais distintos, contribuição inestimável, que não se resume à sua Salinas inolvidável, mas alcança todo o Estado”. (OSCAR DIAS CORRÊA, Ministro aposentado do STF, professor de Economia Política pela UFMG e UFRJ, membro da Academia Brasileira de Letras).

Foi na vida pública que conheci Geraldo Santanna, tenaz combatente que prestou eficientes serviços ao governo do saudoso companheiro José de Magalhães Pinto. Nesta fase pude testemunhar a sua capacidade de aglutinação política, com inteligente e arguta coordenação para conciliar tendências partidárias concorrentes, tendo em vista o objetivo maior de conquistar espaço, consolidar apoios e prestigiar Minas Gerais”. (RONDON PACHECO, Governador de Minas Gerais, 1971-1975).

Li, de uma só sentada, o livro ‘O Caminho de Volta’. Conheço poucas obras que relatam com tão ricos detalhes a história política de Minas Gerais (...). Poucos políticos vivos podem relatar com riqueza de detalhes (...) a história dos últimos 50 anos do nosso Estado”. (LUIZ TADEU LEITE, Prefeito de Montes Claros).

Momentos decisivos da história do Brasil foram protagonizados por homens que, a partir de Minas, e com peculiar competência, fizeram inicialmente a política de âmbito municipal. É no município que está guardado o interesse fundamental das pessoas a quem um governo deve servir; a partir daí, aprende-se lidar com os problemas sociais na órbita estadual e federal. Os bons políticos levam para os cargos públicos, conhecimento do que deve ser feito na busca do progresso, mas também sentimentos e aspirações, às vezes dolorosas, do povo. Sua atitude na vida pública não busca interesse pessoal, repleta que deve estar desse patriotismo que somente as lembranças da terra da infância sabem construir. Geraldo Paulino Santanna fez esse caminho para a vida pública. Saindo de Salinas para o centro do poder no Estado, manteve a obrigação de comportar-se como sertanejo autêntico, de trato ladino e bem humorado”. (OSWALDO ANTUNES, Jornalista).

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de Volta - A Travessia do Deserto. Belo Horizonte: 2004, 2ª. Edição, 444 páginas.




21 de outubro de 2011

A EPOPÉIA DA ESCOLA ESTADUAL CEL. IDALINO RIBEIRO

Por Roberto Carlos Morais Santiago


A construção do prédio da atual Escola Estadual "Cel. Idalino Ribeiro" (antigo Instituto Nossa Senhora Aparecida - INSA) foi épica. Foi iniciada em 1953 pelas irmãs franciscanas tendo como líder a irmã Narcisa Chamone e concluída por etapas. Contou com a colaboração da população salinense e de pessoas influentes como os deputados Clemente Medrado e José Chaves Ribeiro, Geraldo Paulino Santana, Abdênago Lisboa - diretor da Escola Agrícola -  que  cedia o caminhão da escola, dirigido por Anísio Guimarães, para carregar material de construção. Enfim, foi uma construção coletiva em prol da educação. A cidade entrou no espírito solidário para a construção do colégio.

A ideia da construção do colégio se deu em conversa entre Mendo Correa, Dr. Olinto e outros, com a presença do frei Joaquim, da paróquia de Salinas. Chegaram a conclusão que o local ideal seria em terreno dos herdeiros de Catolino Gomes.

O frei Joaquim entrou na conversa e desafiou os participantes a conseguirem o terreno que daria um jeito de construir o colégio. Por fim o terreno logo foi comprado. Frei Joaquim, que era tido como "doido" recorreu à Irmã Noêmia, Superiora Geral da Ordem Franciscana, conseguindo autorização, recursos e estímulo para a grande obra.

A irmã Narcisa Chamone, que chegou a Salinas em 1950, levou adiante o glorioso empreendimento sob orientação da Ordem Franciscana. Com jeito e determinação atraiu para a obra a atenção do povo salinense que deu valiosa contribuição, principalmente as mulheres, que não deixavam faltar nada para as irmãs responsáveis pelo empreendimento. O prédio foi concluído e inaugurado no início da década de 1960 e recebeu o pomposo e justo nome de Instituto Nossa Senhora Aparecida, popularmente conhecido por "INSA" em homenagem às franciscanas.

O "INSA" deu grande impulso na edução no município de Salinas. Ali estudaram gerações de alunos que era administrado pelas irmãs franciscanas. No dia 13 de outubro de 1969, o governador Israel Pinheiro Silva aprova Lei Estadual nº. 5.296 denominando o colégio de "Instituto Nossa Senhora Aparecida" atendendo projeto de iniciativa do deputado estadual Geraldo Paulino Santana.

Por razões políticas o "INSA", até então administrado pelas irmãs franciscanas, foi estadualizado no início da década de 1980. Tanto que no dia 8 de outubro de 1982 foi aprovada Lei Estadual nº. 8.288, assinado pelo governador Francelino Pereira dos Santos,  alterando o nome do estabelecimento de ensino para "Escola Estadual Cel. Idalino Ribeiro de 1º. e 2º. Graus" em homenagem ao grande político da primeira metade do século XX que por mais de 40 anos foi o principal político mandatário na região de Salinas (leia artigo sobre Cel. Idalino Ribeiro no blog).

Encerrado o ciclo das irmãs franciscanas, a nova escola estadual continuou com sua importância histórica no processo de inclusão de saber e cultura da juventude salinense. Atualmente é uma das maiores escolas estaduais de toda a região norte-mineira com mais de dois mil alunos. O legado das irmãs franciscanas continua.

4 de outubro de 2011

LEI PROVINCIAL Nº. 3.485 QUE ELEVOU À CATEGORIA DE CIDADE A VILA DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS FAZ 124 ANOS

Salinas na década de 1920. A casa da esquina foi a antiga residência do Coronel Idalino Ribeiro com o famoso jenipapeiro à sua frente. (fonte da imagem: Abdênago Lisboa)










Hoje é dia de festa em Salinas. Comemora-se 124 anos de elevação da Vila de Santo Antônio de Salinas à categoria de cidade. Foi no dia de 4 de outubro de 1887, no final do século XIX, ainda no II Império de D. Pedro II. Embora não seja a data mais importante esta é reconhecida pelo poder público municipal de Salinas como a data da emancipação de Salinas o que é um erro histórico. A data oficial deveria ser 19/01/1883, quando da instalação da 1ª. Câmara Municipal ou 18/12/1880, quando da criação do município pela Lei Provincial nº. 2.725.

De qualquer forma a data é digna de registro pela sua importância histórica. O reconhecimento de cidade veio do governo da província de Minas Gerais através da Lei Provincial nº. 3.485, de 4/10/1887, assinada pelo presidente da Província, Luiz Eugênio Horta Barbosa, em Ouro Preto, na então capital mineira.


VILA DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS
É ELEVADA A CATEGORIA DE CIDADE

O Dr. Luiz Eugênio Horta Barbosa, Presidente da Província de Minas Gerais: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial decretou, e eu, sancionei a Lei seguinte:

Art. 1º - A cidade do Calhau denominar-se-á cidade do “Araçuaí”.

Art. 2º - A sede da freguesia de Morrinhos, município da Januária, fica transferida para a povoação e distrito de Santo Antônio da Manga, no mesmo município.

Art. 3º - Ficam elevadas a categoria de cidade as vilas da Boa Vista do Tremedal, da comarca do Rio Pardo, e Santo Antônio de Salinas, da de Grão Mogol.

Art. 4º - Fica transferida da freguesia de Santana de Contendas, município de Montes Claros, para a de Nossa Senhora das Dores da Januária, a fazenda do “Bom Sucesso”, pertencente aos herdeiros do tenente coronel Manoel Caetano de Souza e Silva e de Francisco de Paula Fogaça.

Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir, tão inteiramente como nela se contém.

O Secretário desta província a faça imprimir, publicar e correr.

Dada no Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais, aos 4 de outubro de 1887.

Luiz Eugênio Horta Barbosa
Presidente do Estado

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31 de julho de 2011

RUA RAUL SOARES

Rua Raul Soares, região central de Salinas, década de 1980.
Ao fundo o novo mercado recém construído.

26 de julho de 2011

Tributo à Salinas

Manoel Alves dos Anjos.
O blog História de Salinas recebeu de Manoel Alves dos Anjos, 72 anos, pedido especial no sentido de publicar poema, de sua autoria, em homenagem à Salinas, sua terra natal.

Nasceu em Salinas no dia 15 de dezembro de 1939, na primeira metade do século XX. É filho de João Pedro de Bessa (in memmorian) e Teodomira Alves de Jesus. Quando jovem foi professor em uma escola pública em Salinas. Nos momentos de lazer, foi um bom “tocador” de viola. Seguindo os passos de milhares de salinenses em busca de uma vida melhor, em 1969 se mudou para São Paulo para nunca mais voltar. Casou e constituiu família. Após 42 anos de ausência, desconfiado de que não teria outra oportunidade de rever sua amada terra fez belíssimo poema em homenagem à Salinas. Parafraseando o escritor salinense Danilo Borges, quem deixa Salinas esquece sua alma na amada terra. O poema do Sr. Manoel está aí para confirmar a tese. Boa leitura!


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Lembranças de minha querida Salinas

(Manoel Alves dos Anjos)


Sou filho do Norte de Minas Gerais, a terra do ouro e dos cafezais, oh Minas querida você é demais, és rica em ferro e outros metais, seus rios e campos e coqueirais, são coisas da infância que não voltam mais!

Eu me lembro à casinha onde eu morava, os amigos de infância com quem brincava a primeira escolinha onde eu estudava minha professora que eu tanto adorava.

Depois fui crescendo na zona rural, brincando na areia do rio bananal, à água branquinha parecia cristal, os pássaros cantando como se fosse um recital.

Eu amava tanto aquele lugar que nem percebia o tempo passar, se eu pudesse fazer o tempo parar, de novo eu queria recomeçar...

Às vezes o destino, é cheio de maldade, às coisas da infância transformam em saudade, a lembrança de tudo dói mais com a idade, principalmente distante da realidade...

Eu nunca esqueço o povo mineiro, pois é um povo hospitaleiro, você almoça e janta não precisa dinheiro, ali está o exemplo do bom brasileiro!

O doce de leite, o queijo mineiro, se tornara conhecido até no estrangeiro, quem que não gosta do feijão tropeiro, do requeijão, e do bolo caseiro?..

Ai que saudade da terra querida, onde á alegria faz parte da vida, eu sinto saudade até da comida, a carne de sol, rapadura e batida...

A terra querida, onde nascemos, é algo na vida, que nunca esquecemos, foi ali que nascemos, e ali crescemos, os bons momentos que lá vivemos os amigos de infância jamais esquecemos...

Eu sinto saudade daqueles amigos, que há muito tempo, ali eu deixei, o tempo passa não volta mais, mas com saudade eu te lembrarei da minha casinha e dos meus amigos e da mocidade que ali passei.

Eu montava a cavalo, e ali passeava das festas juninas, é que gostava, em todas as festas em que chegava, a namoradinha ali já estava, minha prenda querida que tanto adorava, a noite inteira, com ela eu dançava.

Adeus Salinas, terra onde nasci, minha linda cidade onde vivi, suas praças e ruas eu não esqueci, tudo isto é saudade que eu sinto de ti.

Hoje estou vivendo aqui bem distante, do meu recanto, eu recordarei, quando a saudade afoga o meu peito, não tem outro jeito, eu te lembrarei e você Salinas querida, no meu coração te guardarei.

Ó Salinas querida, eu quero dizer que esta homenagem eu fiz prá você e nunca na vida vou esquecer, esse berço adorado que me viu nascer.

3 de julho de 2011

Falece produtor da cachaça Teixeirinha

A cachaça Teixeirinha,
do produtor Felismino Teixeira
Costa, foi produzida em Salinas
na década de 1970.
Faleceu em Montes Claros, dia 29 de junho de 2011, aos 79 anos, o produtor da antiga cachaça Teixeirinha, Felismino Teixeira Costa. Natural de Salinas, nasceu no dia 23 de abril de 1932, filho de Paulo Teixeira Costa e Josefa Maria do Rosário. Separado de Carlota Auxiliadora Brito, deixou os filhos Felismino Teixeira Costa Filho, Geraldo Cesar Costa, Maria Auxiliadora Costa, e Paulo Raimundo Costa. Foi enterrado no cemitério municipal de Salinas no dia 30 de junho de 2011. 

O blog História de Salinas externa condolências à família pela enorme perda.

19 de junho de 2011

Cachaça Havana retorna para família de Anísio Santiago



Por Roberto Carlos Morais Santiago

Justiça seja feita! Em ato histórico a justiça federal por meio do juiz da 8ª. Vara Federal em Belo Horizonte, Dr. Renato Martins Prates, proferiu sentença favorável, publicada no Diário Oficial da União, de 07/06/2011, restabelecendo direito de uso da marca Havana ao produtor de cachaça Indústria e Comércio de Aguardente Menago (Havana) Ltda. que pertence a família de Anísio Santiago (1912-2002). Trata-se de decisão histórica uma vez que a disputa judicial pela marca Havana tinha como oponente a empresa multinacional Havana Club Holding produtora do rum Havana Club que pertence ao grupo francês Pernot Ricad, um dos maiores produtores de bebidas do mundo. A família de Anísio Santiago já vinha comercializando a cachaça como o nome Havana desde 2005, por meio de liminar concedida pela justiça estadual expedida pelo juiz da Comarca de Salinas, Dr. Evando Cangussu Melo. Desde então a disputa pela marca Havana foi parar na justiça federal que culminou em setença favorável aos herdeiros de Anísio Santiago, embora ainda caiba recurso.

A cachaça Havana é pioneira em Salinas. Surgiu em 1946 com o produtor Anísio Santiago, primeiro produtor de cachaça de Salinas a formalizar a produção de cachaça com a marca Havana, constituindo-se, desde então, na mais famosa marca de cachaça artesanal brasileira em face de sua qualidade e notoriedade. Tornou-se produto lendário no mercado de bebidas no Brasil.

Osvaldo Santiago exalta eufórico a conquista do direito de reaver a marca Havana em caráter definitivo. O sucessor de Anísio Santiago diz que “A marca Havana é um patrimônio econômico e cultural da família que luta para manter a tradição do patriarca Anísio Santiago. Temos um pacto de família em manter inalterado o processo de produção e comercialização da cachaça produzida na fazenda Havana que vem desde a época do meu pai.”

Em face do imblóglio da marca Havana, desde 2001 a marca Havana também é comercializada sob a marca Anísio Santiago. Agora, a família de Anísio Santiago possui duas marcas dignas representantes da mais genuína bebida basileira: a cachaça.

O jornal Estado de Minas traz reportagem do jornalista Luiz Ribeiro contando a saga da família de Anísio Santiago para reaver a marca Havana em definitivo. Também o jornal O Tempo traz interessante reportagm da jornalista Helenice Laguardia abordando o assunto. Vale conferir.

18 de junho de 2011

Literatura da região de Salinas

O livro aborda interessantes
aspectos da história e cultura da região.

Acabo de ler o interessantíssimo livro "Corografia do Município do Rio Pardo", de autoria de Antonino da Silva Neves, lançado pelo Arquivo Público Mineiro em 1908, relançado em 2008, comemorando o centenário da edição original do livro.


Trata-se de livro que aborda a história, cultura, relevo, povoamento e geografia da região do Alto Rio Pardo (atual microrregião de Salinas) até o início do século XX.


O livro é pouco conhecido do público. Com o relançamento bem que poderia ser distribuído em bibliotecas municipais e estaduais dos municípios da região com intuito de levar ao público jovem informações históricas e culturais.


O autor Antonino da Silva Neves foi pessoa de cultura refinada. Natural de Lençóis do Rio Verde (atual município de Espinosa) morou em vários países (Egito, Grécia, Índia, Japão, México, Turquia). Faleceu em Calcutá (Índia) a 31 de março de 1928, onde está sepultado. Seguramente foi um dos homens mais inteligentes da região norte-mineira.

14 de junho de 2011

Centro antigo de Salinas

Centro antigo de Salinas em 1959. Ao fundo o prédio do Fórum.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa/Apolo Heringer)
Praça do mercado velho, década de 1930.

Praça do mercado velho de Salinas em 1959. 
A imagem diz tudo: nostalgia de uma época de ouro. Ah! Salinas!
Fonte da imagem: Abdênago Lisboa/Apolo Heringer.



13 de junho de 2011

Leitor elogia blog História de Salinas

Caro leitor, abaixo mensagem de elogio ao blog História de Salinas enviada pelo salinense Eduardo Duarte e Araújo, graduando em Comunicação Social (Relações Públicas) no Centro Universitário Newton Paiva, em Belo Horizonte:
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Caro Roberto Santiago,

É com grande prazer e admiração que escrevo este e-mail felicitando-lhe e me sentindo feliz, também, por saber que Salinas conta com um blog tão rico quanto o seu. Antes, devo me apresentar: me chamo Eduardo, tenho 22 anos e sou salinense, embora hoje more em Belo Horizonte, onde curso Comunicação Social (habilitação em Relações Públicas) pelo Centro Universitário Newton Paiva.

Por ter apenas 22 anos, sinto uma carência em informações sobre os tempos mais antigos da nossa cidade, uma vez que as próprias informações disponíveis por lá são de difícil acesso. Sempre busquei saber um pouco mais sobre a história política e econômica de nossa Salinas e sentia uma lacuna muito grande em termos de acesso a informação. Lacuna esta que veio a ser preenchida por seu blog e seus textos, que além de muito ricos em detalhes, são também bem escritos e organizados. Eu, enquanto graduando em comunicação, sempre tive interesse em blogs e sites, assim como tenho interesse em escrever, algo que faço com frequência, embora em outro viés, o esportivo, com três blogs ao qual colaboro.

Deixo meus votos para que siga trilhando este caminho e nos brindando com a história de Salinas, tão arraigada à própria história de sua família.

Ao ler os textos do seu blog, fico imaginando porque nas nossas escolas municipais não podemos ter uma matéria sobre a história de Salinas? Seria de grande mais-valia para a formação de nossos cidadãos o conhecimento acerca da história de nosso município, pois um povo que conhece e valoriza sua história é um povo que tende a andar pra frente, respeitando o passado e construindo um futuro melhor, algo que espero para Salinas.

Meu cumprimentos,


Eduardo Duarte e Araújo

11 de junho de 2011

Blog História de Salinas fazendo sucesso

Para minha surpresa e alegria deparei com um texto do jornalista José Prates, 84 anos, no site montesclaros.com comentando meus textos sobre a história de Salinas e região. Serve de estímulo para continuar escrevendo, pesquisando, enfim, procurando trazer à tona o passado de Salinas que é digno de registro. Eis o texto que merece ser lido:

A história de Salinas, segundo Roberto Carlos Santiago

José Prates

Chegou-me um e-mail enviado por Roberto Carlos Morais Santiago que me conta um pedaço da história de Salinas, uma pequena cidade do Norte de Minas, perto de Montes Claros, cujo Prefeito Municipal é nosso xará, o que nos honra. Não conheço a cidade, nunca fui até lá, mas, conhecia a sua influência nas atividades comerciais e agrícolas, como, também, política nas cidades em torno, algumas desmembradas da própria Salinas e depois emancipadas, como foi o caso de Taiobeiras.

Roberto Carlos fala no Coronel Paulino Santana, cuja influencia política eu suponho ter conhecido quando militava no jornalismo montesclarense em 1953. Lembro-me que nessa ocasião entrevistei um político salinense de grande influencia que se encontrava em Montes Claros. Estávamos à véspera da candidatura Juscelino a Presidência da Republica e esse político salinense tinha encontro marcado com os políticos montesclarenses para conchavos que incluíam pedidos ao dr. Juscelino, então Governador de Minas. Estavam organizando uma comissão de políticos locais para ir a Belo Horizonte, com essa finalidade.

O que achei interessante e que me trouxeram saudades pela lembrança de minha terra, cidade pequena, encravada no sertão baiano, foram as fotografias do casario. Parece que são cópias de uma cidade para outra porque se nos apresentam iguais na beleza poética e no romantismo que empresta ao lugar. A Praça do Mercado que não chamávamos de Praça, mas, simplesmente, o Largo do Mercado; o largo da Igreja; o largo da Camara e outros largos que se tornaram Praças com direito a nomes de vultos da historia do lugar. Foto linda, linda, mostrando casas baixas, “pegadas” uma na outra, caiadas de branco e muitas janelas com vidraças bem desenhadas. O velho Mercado está lá esperando o sábado para abrigar os feirantes que vêm de longe com os burros arcados sob o peso das bruacas cheias de mercadorias para venda. Outra foto mostra um pátio do mercado lotado de feirantes e compradores indo de barraca em barraca. É o passado lindo e inocente. Hoje não existe mais isso porque o supermercado chegou e fechou a ”feira” que o “povo da roça” fazia, trazendo seus produtos no lombo dos animais.

Hoje, em nossos dias, o que resta daquele tempo de sonhos e poesia com as cidades mais parecendo cidades de presépio, em telas gigantes, são as lembranças que não se apagam nos que nasceram e viveram nesse ambiente de sonhos. Restam-nos escritores como Roberto Carlos que buscam o passado, esmiuçando cada pedaço da história que alegrou nossos antepassados. Vai-nos contando a saga dos que com seu trabalho e dinamismo, fizeram a historia que mostra aos jovens de hoje que, naquele tempo, com algumas exceções, a política partidária era feita visando o interesse social, o bem da comunidade.
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(José Prates, 84 anos, é jornalista e Oficial da Marinha Mercante. Como tal percorreu os cinco continentes em 20 anos embarcado. Residiu em Montes Claros, de 1945 a 1958, quando foi removido para o Rio de Janeiro, onde reside com a familia. É funcionário ativo da Vale do Rio Doce, estando atualmente cedido ao Sindicato dos Oficiais da Marinha Mercante, onde é um dos diretores)

25 de maio de 2011

Arlindo Santiago, 102 anos de vida!

Arlindo Santiago.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

            Existem pessoas que nascem para viver muito. Parecem que são eternas. O tempo passa e teimam em seguirem vivendo até quando Deus permitir. O meu tio-avô  Arlindo Santiago é uma delas. Com 102 anos de vida, nasceu numa terça-feira de 25 de março de 1909, na fazenda Bonfim, zona rural de Salinas, próximo ao povoado de Lagoinha. 
            É filho de José Santiago (1873-1944) e Virgínia Santiago (1882-1965), patriarcas da família Santiago em Salinas. É irmão do meu avô Anísio Santiago (1912-2002), o produtor da famosa cachaça Havana. De uma família de doze irmãos, vivos somente ele e sua irmã Osvaldina Santiago de Abreu, 94 anos, que mora em uma pequena cidade no interior da Flórida, Estados Unidos.
            Tio Arlindo ainda mora na fazenda Bonfim, atualmente de sua propriedade, que foi adquirida pelo seu pai em 1903, ou seja 108 anos atrás. Outro dia fiz uma visita e todo alegre esticou uma prosa. Foi logo perguntando:
- Carlos, você fala inglês?
- Não tio, não falo! - Respondi.
- Sinto falta de alguém para praticar a língua inglesa. As minhas vistas estão cansadas para ler.  O jeito é praticar falando mesmo. Mesmo assim tá difícil - Fala resignado. 
Puxei assunto para os seus livros. Possui muitos guardados, em sua maioria adquiridos pelo seu pai, meu bisavô. Pergunto:
- Tio, soube que possui muitos livros. Poderia me mostrar?
- Uai Carlos, não sabia que gostava de livros antigos. Vem cá e lhe mostro - Responde levantando. 
Com dificuldade caminha lentamente para um quarto ao lado da sala. O acompanho com a curiosidade de um adolescente.  Ao adentrar me espanto com grande quantidade de livros antigos, alguns da época do império. Estavam amontoados em caixas e uns poucos jogados no chão. O primeiro livro que peguei foi um sobre o Código Civil Brasileiro de 1916 em bom estado de conservação. A quantidade de livros impressiona. São livros de literatura francesa, inglesa, medicina, direito, agrimensura, enfim, livros de todos os tipos.
Proseando, tio Arlindo diz que a maioria foi adquirida pelo seu pai que sempre gostou de livros.
- O meu pai era pessoa culta para os padrões da época. Nascido em Diamantina estudou medicina por dois anos em Salvador, na Bahia. - Fala olhando fixamente para algum ponto tentando relembrar fatos tão distantes.
- Ele desistiu do curso por causa da guerra de Canudos. Por isso retornou para Minas, na cidade de Medina, onde ficou dois anos e casou-se. Em 1898 mudou-se em definitivo para Salinas - Confidencia olhando fixamente para mim.
Tio Arlindo sempre morou na fazenda onde nasceu. Estudou no povoado de Lagoinha. Na década de 1920 fez curso de madureza (equivalente ao ginasial) na cidade de Araçuaí, distante mais de cem quilômetros de Salinas. Naquele tempo não existia automóvel. O percurso era feito em montaria de cavalo com amigos que também estudavam lá. Segundo ele a vida naquela época era difícil para todos, mas eram felizes. Por muitos anos foi professor e dono de um armazém no povoado de Lagoinha. Atualmente está aposentado. Casou duas vezes e teve mais de dez filhos.
Percebe-se em suas conversas que é de outro mundo, de outra época. Fala com riqueza de detalhes como foi o povoamento da região de Salinas no século XIX e início do século XX, dos donos das primeiras fazendas, dos migrantes da Bahia que sempre aportavam na região em busca de um bom lugar para viver, longe da seca do sertão baiano.
A visita ao tio Arlindo foi muito proveitosa. Fui presenteado com alguns livros antigos que guardo com carinho em minha residência. Não dou nem empresto a ninguém. Afinal, fui agraciado com um Código Civil de 1918, um dicionário de língua alemã do século XIX, um livro de agrimensura de 1907, um livro de gramática francesa de 1952, um livro de literatura francesa de 1899 intitulado “Chateabriand”, um livro de discursos de 1893 e um dicionário de português-francês de 1869. Esse dicionário é interessante, pois foi comprado pelo meu bisavô José Santiago por 19.200 réis. Aliás, todos os livros foram comprador pelo meu bisavô, exceto o de gramática francesa de 1952, este adquirido pelo próprio tio Arlindo.
Nem precisa dizer que os livros são interessantíssimos. Mas, tem mais. Na maioria dos livros consta inúmeras anotações, recados, cartões, cartas e algumas notas antigas de dinheiro. Foi numa dessas anotações que descobri a data de nascimento e casamento do meu bisavô José Santiago. Uma informação valiosa contida em livros que hoje são raros pela sua antiguidade.
Ah, tio Arlindo. Os seus 102 anos de vida representam um estilo de vida rural que vem sendo apagado pela modernidade que nos escraviza no tempo e no espaço. Feliz é o senhor que vive serenamente, que mineiramente aprecia o cotidiano, que observa a vida passar diante de seu olhar mais que centenário.
Tio Arlindo, diante de tudo isso somente posso agradecer pela bela pessoa que é e lhe desejar ainda muitos anos de vida.

17 de maio de 2011

Rótulos antigos de cachaça de Salinas

Rótulos de cachaça, expressão da cultura da região de Salinas.
Salinas possui atualmente mais de 60 marcas de cachaça registradas no município e outras dezenas em municípios vizinhos. O atual status da cachaça de Salinas no mercado brasileiro deve-se às marcas pioneiras como Havana, Piragibana, Indaiazinha, Asa Branca, Canarinha, dentre outras. Poucas ainda estão no mercado e se tornaram marcas ícones da legítima cachaça de Salinas. A mais emblemática marca que permanece fiel às suas origens é a famosa Havana, produzida desde 1943, reconhecida Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas em 2006, fato inédito no Brasil. Os rótulos antigos acima expressam a mais importante cultura da região de Salinas que lhe tem dado projeção nacional e internacional: a cachaça.

13 de maio de 2011

Lei Áurea faz 123 anos

Lei Imperial nº. 3.353, de 13/05/1888,
assinada por Isabel, princesa do Brasil.
Sabe-se que havia muitos escravos no município de Salinas e região até 1888, final do século XIX. Com suor, sangue e lágrimas os escravos de Salinas deram sua contribuição no processo de formação territorial e do povoamento da região. A contribuição dos negros em Salinas é visível, basta observar as pessoas, os costumes, a cultura, a miscigenação.

Pouca gente sabe, mas a lei que libertou formalmente os escravos faz, hoje, 123 anos. Trata-se da  Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão no Brasil. Foi precedida pela lei n.º 2.040 (Lei do Ventre Livre), de 28 de setembro de 1871, que libertou todas as crianças nascidas de pais escravos, e pela lei n.º 3.270 (Lei Saraiva-Cotejipe), de 28 de setembro de 1885, que regulava "a extinção gradual do elemento servil".

Foi assinada por Dona Isabel, princesa imperial do Brasil, e pelo ministro da Agricultura da época, conselheiro Rodrigo Augusto da Silva. O Conselheiro Rodrigo Silva fazia parte do Gabinete de Ministros presidido por João Alfredo Correia de Oliveira, do Partido Conservador e chamado de "Gabinete de 10 de março". Dona Isabel sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II do Brasil em viagem ao exterior.

O projeto de lei que extinguia a escravidão no Brasil foi apresentado à Câmara Geral, atual Câmara do Deputados, pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva, no dia 8 de Maio de 1888. Foi votado e aprovado nos dias 9 e 10 de maio de 1888, na Câmara Geral.[2]

A Lei Áurea foi apresentada formalmente ao Senado Imperial pelo ministro Rodrigo A. da Silva no dia 11 de Maio. Foi debatida nas sessões dos dias 11, 12 e 13 de maio. Foi votada e aprovada, em primeira votação no dia 12 de maio. Foi votada e aprovada em definitivo, um pouco antes das treze horas, no dia 13 de maio de 1888, e, no mesmo dia, levado à sanção da Princesa Regente.

Foi assinada no Paço Imperial por Dona Isabel e pelo ministro Rodrigo Augusto da Silva às três horas da tarde do dia 13 de maio de 1888.

O processo de abolição da escravatura no Brasil foi gradual e começou com a Lei Eusébio de Queirós de 1850, seguida pela Lei do Ventre Livre de 1871, a Lei dos Sexagenários de 1885 e finalizada pela Lei Áurea em 1888.

O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia, somente em 9 de novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234.

7 de maio de 2011

Mercado velho de Salinas

Mercado velho de Salinas em 1978.
(Foto: Abdênago Lisboa)


O Mercado velho de Salinas foi construído e inaugurado em 1910 no mandato de Virgílio Avelino Grão Mogol, então presidente da Câmara de Vereadores e Agente Executivo (cargo equivalente ao de prefeito atual). Aos sábados, a população do município e região se aglomerava para comercializar produtos da terra. Não existe mais. No local foi construída uma praça que não tem o glamour  do antigo mercado. A imagem acima é apenas uma lembrança do passado.

14 de fevereiro de 2011

Disputa pela marca "Havana" completa dez anos

Patrimônio Cultural 
Imaterial de Salinas.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

O litígio entre a família de Anísio Santiago (1912-2002), produtora da principal marca de cachaça de Salinas - a "Havana" - e o fabricante do rum Havana Club, que pertence ao grupo francês Pernot Ricad, um dos maiores produtores de bebidas do mundo, completa uma década sem solução.

Osvaldo Santiago,
sucessor de Anísio Santiago
na produção da cachaça
Havana/Anísio Santiago.
Desde 2001 a família de Anísio Santiago tenta reaver de forma definitiva a marca "Havana" que é reconhecida como uma das principais marcas de cachaça artesanal brasileira. Os herdeiros de Anísio Santiago comercializam a marca "Havana" por meio de liminar concedida pelo Juízo da Comarca de Salinas confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) desde 2005. Atualmente o litígio está na 8ª. Vara Federal em Belo Horizonte, sendo réu do processo a empresa Havana Club Holding e o Instituto Nacional de Propriedade Nacional (Inpi). O processo encontra-se em fase de sentença.

A disputa da marca "Havana" é exemplo clássico da omissão do poder público brasileiro em não proteger o produto cultural brasileiro. A cachaça é um produto genuinamente brasileiro produzido desde o século XVI - no período colonial - mas, ainda não recebeu a devida valorização que merece, infelizmente. Ao longo das últimas décadas, a cachaça Havana - que também é comercializada como "Anísio Santiago" em razão desse imbróglio - tornou-se marca ícone da legítima cachaça artesanal brasileira.

Em agosto de 2009, a cachaça Havana/Anísio Santiago foi eleita pela conceituada revista "Playboy" (edição nº. 411) como a melhor cachaça artesanal brasileira. Poucos meses depois, em fevereiro de 2010, a marca novamente foi eleita em primeiro lugar no ranking de cachaça da também conceituada revista "Veja" (edição nº. 2.152, de 17/02/2010).

O jornal Correio do Estado traz interessante reportagem onde aborda a dificuldade em reaver a marca "Havana" para quem de direito: a família de Anísio Santiago. A marca "Havana" é ícone de Salinas - reconhecida em 2006 por Decreto Municipal nº. 3.728, assinado pelo prefeito José Antônio Prates - como patrimonial cultural imaterial do município.

4 de fevereiro de 2011

Presidente Dilma ganha cachaça Havana de presente

Momento histórico - A presidente Dilma Rousseff, quando esteve em Montes Claros em outubro 2010, no processo eleitoral, ganhou de presente uma garrafa de cachaça Havana e Anísio Santiago, além de exemplar do livro O Mito da cachaça Havana-Anísio Santiago, de autoria do salinense Roberto Santiago.
Foto: Itamaury Teles

Relíquia da cachaça Havana

Relíquia histórica: nota fiscal  do produtor da cachaça Havana, emitida no dia 20 de setembro de 1965.
Anísio Santiago foi o primeiro produtor de cachaça a legalizar seu alambique com a marca Havana, em 1946.
(Imagem: Roberto Santiago)

Futebol de Salinas

Time da Escola Agrícola de Salinas, década de 1970.
Foto: Valdomiro Afonso (Mirão)

Time da zona rural do Pequi, década de 1970, em um amistoso no estádio Darcy Freire, em Salinas.
O goleiro é Osvaldo M. Santiago e o primeiro agachado à esquerda é Detão.
(Fonte da imagem: Roberto Santiago)