31 de maio de 2016

FALECIMENTO DE OSWALDINA SANTIAGO

Por Roberto Carlos Morais Santiago

A salinense Oswaldina Santiago faleceu em casa aos 99 anos de idade no dia 29 de janeiro de 2016 na cidade norte-americana de Boynton Beach, Flórida. O seu sepultamento ocorreu no Palm Beach Memorial, na cidade de Lantana, também na Flórida.

Filha de José Santiago (1873-1944) e Virgínia Celestina Santiago (1882-1965) nasceu no dia 16 de maio de 1917 no povoado de Lagoinha, zona rural do município de Salinas. Era a caçula de doze filhos e a última a falecer.

Foi casada com José de Abreu Lima e deixou os filhos Geraldo Santiago de Abreu e Mirtes Santiago de Abreu, sete netos (Berenice, Elaine, Elisângela, Fábio, Hadson, Júlio e Neimar) e onze bisnetos (André, Artur, Daniel, Gabriella, Israel, Júlia, Luan, Osvaldo, Rebecca, Sabrina e Scott), deixando um hiato familiar que agora se perpetua com seus sucessores.

A família Santiago surgiu em Salinas no ano de 1898, final do século XIX com os patriarcas José Santiago e Virgínia Celestina Santiago. Ele oriundo de Diamantina, Minas Gerais; e ela oriunda de Urandi, Bahia.



3 de maio de 2016

"EFEMÉRIDES RIOPARDENSES"

Capa do livro.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

O italiano Cônego Newton Caetano de Angelis além de ser padre foi cultor das letras, historiador e exímio pesquisador no Brasil. Deixou ao povo da microrregião de Salinas (Alto Rio Pardo), norte de Minas Gerais, grande obra literária digna de todos os elogios.

O seu livro intitulado “Efemérides Riopardenses” (Salinas: R & S Arte Gráfica, 1998, 4 volumes) traz extensa pesquisa de fatos históricos e genealogia de famílias que povoaram a região de Salinas desde os tempos da colonização lusitana até 1972, final do século XX.

A obra literária é resultado de vinte e sete anos de pesquisa. São citados 2.980 fatos históricos e cerca de dez mil pessoas. Se você é da região de Salinas e quer conhecer seus antepassados pode começar sua pesquisa pelo livro “Efemérides Riopardenses” e vai se surpreender. O livro é riquíssimo em informações históricas sobre a origem dos municípios da região e dos seus pioneiros.

Infelizmente o livro não é encontrado em livrarias. Pouquíssimas bibliotecas da região o possuem. Pelo seu valor histórico merece uma nova edição que poderia ser realizada pelas prefeituras da região em parceria com os familiares do Autor. Fica a sugestão do blog História de Salinas.

1 de maio de 2016

CORONEL IDALINO RIBEIRO

Cel. Idalino Ribeiro (1879-1973).
Por Roberto Carlos Morais Santiago


Coronel Idalino Ribeiro é um dos maiores personagens políticos da história de Salinas. Foi chefe político de fato e direito na região de Salinas por quase meio século. Pouco se sabe sobre sua pessoa. Há poucos registros. Poucos livros abordam sua trajetória política, como "Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas", de autoria de Abdênago Liboa, e "O Caminho de Volta - A travessia do Deserto", autoria de Geraldo Paulino Santana. São dois livros interessantes que o blog História de Salinas recomenda para quem deseja entender os meandros da política salinense no século XX.

Idalino Ribeiro, filho de João Nepomuceno e Benevinda Costa Ribeiro, nasceu em Salinas no dia 3 de maio de 1879, final do século XIX. Sua família é uma das pioneiras de Salinas com raízes em Rio Pardo de Minas. Em 11 de julho de 1904 se casou com Laudelina Chaves, filha única do rico fazendeiro e político José Chaves. Da união teve quatro filhos: Odete Chaves Ribeiro, José Chaves Ribeiro, Osmane Ribeiro e Severina Chaves Ribeiro.

Ainda jovem, com o apoio do deputado Edmundo Blum, que representava a região do Alto Rio Pardo, foi nomeado fiscal de impostos de consumo do Estado com salário de 120$000 réis e mais 5% da renda. A sua área de fiscalização era imensa alcançando os municípios de Salinas, Grão Mogol, Araçuaí, Pedra Azul, Jequitinhonha, até o Salto da Divisa. Ganhou, ainda, patente para negociar fumo. Em vida se firmou como pessoa influente, comerciante e político.

Foi chefe político em Salinas por quase meio século. De 1918 a 1930 foi Agente Executico (cargo equivalente a prefeito atual) que era ocupado pelo presidente da Câmara de Vereadores. De 1930 a 1959, impôs todos os prefeitos (nomeados ou eleitos) do município, quando seu candidato foi derrotado pelo sobrinho e emergente político emergente Geraldo Paulino Santanna. A partir daí entrou em dacadência política.

Em 1923, foi responsável pela construção e inauguração de ponte de madeira ligando o centro ao bairro São Geraldo. O construtor responsável foi o carpinteiro Viroti, de Jequitaí, que ganhava 15$000 por dia, muito dinheiro para a época.

Em 1928, com a chegada dos primeiros automóveis em Salinas, promoveu a construção da estrada de rodagem de Salinas a Brejo das Almas (atual Francisco Sá) ficando pronta em 1929. O governador Olegário Maciel Dias, de 1931 a 1933, refez a estrada, pagando o conto de réis por quilômetro com intuito de dar serviço para grande número de desempregados que estavam criando problemas para o Estado. O Coronel Idalino Ribeiro financiava a construção sendo reembolsado pelo Governo de Minas posteriormente.

Palacete especialmente construído em 1933 pelo Cel. Idalino Ribeiro
para receber o governador Benedito Valadares.
Em 1933, como forma de demonstração de poder e prestígio político construiu palacete residencial especialmente para receber o governador Benedito Valadares que veio participar da inauguração da reforma da estrada que liga Salinas a Brejo das Almas. Por muitos anos a política salinense foi articulada nas salas deste palacete.

No período em que esteve no poder, toda população de Salinas e região, diretamente ou indiretamente, era influenciada pelo Cel. Idalino Ribeiro. A sua palavra era derradeira e decisiva. Por respeito ou medo todos o reverenciavam. Existiam outros coronéis em Salinas de menor expressão em sua época como Bernadino Costa, Procópio Cardoso, Moysés Ladeia. É fato inconteste que o  Cel. Idalino Ribeiro estava acima de todos. Dizem que sua ascensão ao poder político em Salinas foi à força e contou com apoio de jagunços baianos e parte da elite local. 

Representou fielmente na região de Salinas o papel de chefe oligárquico numa época em que oligarquias familiares eram células importantes no xadrez político da República Velha no Brasil (1889-1930) e da era Getúlio Vargas (1930-1945).

Cel. Idalino Ribeiro faleceu em Belo Horizonte no dia 28 de outubro de 1973, aos noventa e quatro anos. Seguramente figura no rol dos homens mais importantes da história de Salinas.


Artur Mendes, Cel. Idalino Ribeiro, Dr. Anthero Ruas e Antônio Neves.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

19 de abril de 2016

SALINAS, DÉCADA DE 1940


1943 - Antigo prédio da prefeitura de Salinas na rua Barão do Rio Branco
onde atualmente existe uma agência bancária do Banco do Nordeste do Brasil.

1943 - Feirantes no antigo mercado velho.

1943 - Antigo mercado velho.
1943 - Caminhão transportando mercadorias e pessoas na estrada de rodagem Salinas - Montes Claros.
1943 - Acidente entre caminhão e dois carros na estrada de rodagem Salinas - Montes Claros.
1943 - Carro atolado na estrada de rodagem Salinas - Montes Claros.
1943 - Visita do Secretário Estadual de Obras Públicas, Demerval José Pimenta 
(sexto da esquerda para direita) a Salinas.

11 de abril de 2016

PRIMEIRO CÓDIGO DE POSTURAS DE SALINAS É DE 1885



Mercado velho de Salinas
(gravura de Rafael Daconti).

Por Roberto Carlos Morais Santiago

O primeiro código de posturas de Salinas foi elaborada e aprovado pela 1ª. Câmara de Vereadores de Salinas sancionada pelo vice-presidente da província de Minas Gerais, Antônio Teixeira de Souza Magalhães, por meio da Resolução provincial nº. 3.369, de 9 de outubro de 1885, na capital Ouro Preto. 

Trata-se de documento histórico de Salinas que revela interessantes aspectos sociais e econômicos do município no final do século XIX, como disposição urbanística, obras públicas, limpeza urbana, saúde pública, segurança pública, moral e bons costumes, zona rural, tributação, dentre outras coisas. Vale dar uma conferida no documento abaixo. Boa leitura!

RESOLUÇÃO PROVINCIAL Nº 3.369, DE 9 DE OUTUBRO DE 1885
(Aprovação provincial do Primeiro código de posturas de Salinas)












21 de fevereiro de 2016

ANTIGO GRUPO ESCOLAR DR. JOÃO PORFÍRIO


Fachada do antigo Grupo Escolar Dr. João Porfírio.


Por Roberto Carlos Morais Santiago

Foto rara de 1915, início do século XX, de fachada do antigo Grupo Escolar Dr. João Porfírio, primeira escola de Salinas. O prédio não existe mais. A centenária escola foi construída entre os anos de 1908 e 1910, onde atualmente encontra-se instalada agência do Banco do Nordeste na rua Barão do Rio Branco. A escola teve custo de cerca de cinco contos de réis do governo mineiro, somados à contribuição do povo salinense que muito queria uma unidade de ensino na cidade. A escola foi instalada no dia 23 de setembro de 1911.
Ao fundo subida da rua Barão do Rio Branco e o antigo Grupo Escolar Dr. João Porfírio.
Foto de 1922 - Inauguração da ponte de madeira.

8 de setembro de 2015

ENTREVISTA NO BLOG QUINTAL DA CACHAÇA

Por Roberto Carlos Morais Santiago
Semana passada (4/9/2015) saiu entrevista do blogueiro que vos escreve concedida a Thiago Tavares, editor do conceituado Blog Quintal da Cachaça sobre o universo da cachaça da região de Salinas. Entre outros assuntos foi abordado aspectos da vida de Anísio Santiago e sobre o livro que conta a saga da sua lendária cachaça Havana que em breve terá sua terceira edição.
Também foi abordado a cachaça Havaninha, produzida por Osvaldo M. Santiago, marca lançada recentemente e que vem tendo boa aceitação no mercado. Outros aspectos históricos que transformou Salinas em região icônica da cachaça artesanal do país é abordado. Nos últimos anos Salinas vem despertando curiosidade por produzir excelente destilado. E não é por menos, pois já são mais de sessenta marcas, maior concentração de marcas do Brasil.
Bom, espero que gostem da entrevista. Para ler basta clicar no link abaixo. Boa leitura!

27 de julho de 2015

EFEMÉRIDES SALINENSES


Por Roberto Carlos Morais Santiago

02/01/1842 - Falece José da Costa Neves, com testamento solene, na fazenda São Pedro, localizada no distrito de Santo Antônio de Salinas. Natural de Porto, Portugal, era filho de Manuel da Costa e Francisca Caetana da Silva.

09/01/1844 - O padre Bernardino Ferreira da Costa, vereador de Rio Pardo, representante do distrito de Santo Antônio de Salinas, pede exoneração do cargo alegando morar no distrito de Salinas, distante 16 léguas de Rio Pardo, ter mais de sessenta anos e padecer de moléstia de supressão de urina. A Câmara de Rio Pardo concedeu a exoneração aceitando os motivos alegados.

09/01/1845 - José Joaquim de Almeida e o 3º Alferes José Pereira de Oliveira e Melo tomam posse no cargo de Juiz de Paz (1845-1849) no distrito de Santo Antônio de Salinas.

09/01/1849 - Claudino Barbosa de Oliveira, Januário da Fonseca Magalhães, José Machado Junior e Ponciano José Esteves tomam posse no cargo de Juiz de Paz (1849-1853) no distrito de Santo Antônio de Salinas.

30/03/1853 - Falece em Minas Novas aos setenta anos o Sr. Hilário, natural de Santo Antônio de Salinas e escravo de Manuel Lopes Penedo. No dia 17 de julho de 1851 foi condenado às galés perpétuas pelo assassinato de Antônio Cardoso de Araújo com uma pancada de machado, crime cometido no dia 12 de março do mesmo ano.

12/02/1858 - Toma posse no cargo de Subdelegado de Polícia do distrito de Santo Antônio de Salinas, Claudino Barbosa de Oliveira.

09/01/1867 - Falece no sítio da Matrona, distrito de Santo Antônio de Salinas, Domingos Moreira de Souza com sessenta e nove anos, casado com Juliana Maria da Conceição. Era natural de Porto, Portugal e filho do Guarda-Mor Lucas Mendes Lourenço e Josefa Maria da Conceição.

19/01/1883 - Desmembrado do município de Rio Pardo pela Lei Provincial nº 2.275, de 18 de dezembro de 1880,  instala-se a 1ª Câmara Municipal de Santo Antônio de Salinas. Eis a ata da instalação: "Termo de juramento e posse aos sete vereadores da Câmara Municipal da Vila de Santo Antônio de Salinas. Aos dezenove dias do mês de janeiro de mil e oitocentos e oitenta e três do ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, às quatro horas da tarde sob a presidência do vereador da Câmara Municipal de Rio Pardo, Conrado Gomes Caldeira, compareceram os Srs. Cap. Carlos Dias Torres, Tte. Donério Ferreira de Araújo, Luiz Ferreira Moneiro, Antônio dos Anjos Silva Sobrinho, Avelino Ferreira de Almeida, Honofre Valente Franco e Mudesto José da Silva, vereadores eleitos para o futuro quadriênio de 1883-1886, com fez certo pelos seus respectivos diplomas, e prestarão sobre o Livro dos Santos Evangelhos, o juramento com as formalidades legais, prometento cumprir com bôa e sã consciência os deveres de seu cargo de vereadores, do qual tomarão posse. E de como assim dicerão, para constar lavrei este termo. Eu, José Cândido Moreira e Souza, secretário interino desta Câmara que este fiz e subscrevi.

04/01/1886 - Nasce no município de Santo Antônio de Salinas, Antônio Alexandrino Borges (Tunico), filho de Clementino Alexandrino Borges e Braselina Perpétua Borges

09/02/1926 - Falece em Conceição do Mato Dentro, Minas, no dia 9 de fevereiro de 1926, o Juiz de Direito aposentado Bazílio da Silva Santiago. Filho de Caetano José da Silva Santiago e Maria José da Silva Maia Santiago, nasceu no dia 2 de março de 1857, na Freguesia do Sacramento da Boa Vista do Recife, Pernambuco. No dia 14 de junho de 1879 casou-se com Elvira de Morais e Silva, em Recife. Formou em Direito em Recife colando grau no dia 11 de novembro de 1882. Aos 31 de janeiro de 1883, entrou em exercício de Promotro de Justiça em Cabrobó, Pernambuco. Aos 29 de novembro de 1886, tornou-se Juiz de Direito da Vila do Calhau (atual município de Araçuaí, Minas). Em Rio Pardo toma posse de Juiz de Direito aos 12 de junho de 1892. Pede sua transferência para a Comarca de Santo Antônio de Salinas, concedida em agosto de 1894. Fica viúvo em 1896. Em junho de 1900 é removido para a Comarca de Januária, mas não aceita a remoção. Desejando ficar mais perto da capital mineira, permutou com o Juiz de Direito de Conceição de Mato Dentro, Dário Augusto Ferreira da Silva. O povo de Salinas tomando conhecimento de sua remoção reúne-se em frente de sua residência, numa manifestação de apreço, pede para que não saia de Salinas. Comovido com tal manifestação de apoio e amizade, diz que Salinas lhe era muito querida, pois ali se achava o túmulo de sua esposa e o berço da segunda (casara-se novamente com Melinda Ferreira Santiago). Deu-lhes permissão de em seu nome, telegrafar desistindo da permuta. Quando foi realizada a transmissão, após longa viagem a Montes Claros, estação mais próxima, o decreto de remoção já havia sido assinado pelo governador de Minas Gerais. Com isso, saiu de Salinas a cavalo com a família no dia 27 de março de 1908, chegando a Conceição do Mato Dentro no dia 21 de abril, vinte e quatro dias depois. Ali exerceu as suas funções de Juiz de Direito até 24 de junho de 1924, quando se aposentou por invalidez.

12/01/1932 - Falece em Rio Pardo o salinense Alvim Alexandrino Borges, filho de Dâmaso Alexandrino Borges e Clemência Pereira Borges. Era solteiro e alfaiate. Foi Escrivão de Paz interino em Rio Pardo.

14/02/1957 - Falece em Salinas aos sessenta e sete anos o Dr. Manuel Agostinho de Oliveira Morais, filho de Torquato José de Oliveira Morais e Ana Florinda de Oliveira Morais. Natural de Mariana (MG), estudou no Seminário de Mariana e formou-se na Faculdade de Direito de Belo Horizonte em 1924. Casou-se em Mariana com Cecília Carvalho Morais e, ficando viúvo, transfere-se para o distrito de Fortaleza de Salinas (atual município de Pedra Azul), depois para o município de Salinas, onde se casou com Clemência Miranda de Morais no dia 12 de fevereiro de 1929. Advogou na Comarca de Salinas de 1931 a 1940. Deixou viúva e os filhos Antônio Filomeno de Oliveira Morais, Ivo Miranda de Morais, Silvia de Oliveira Morais, Célia Miranda de Morais, Murilo Morais, Maria de Lourdes Morais, Aliete Ione Morais, José Miranda de Morais, Lívia Miranda de Morais e Elmo Miranda de Morais.

10 de fevereiro de 2015

O BELÍSSIMO LIVRO "QUASE VERDADE"

Capa do livro.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

O livro "Quase Verdade" (Belo Horizonte: Editora Alfstudio, 2009) é uma belíssima obra literária do escritor salinense Marcos Rodrigues Borges que merece leitura de todo salinense e não salinense. Aborda causos de sua infância e juventude e também da sociedade salinense com um humor extremamente inteligente.

Marcos Borges é filho de Geraldo Borges e Maria Nelly Borges, casado com Valéria Santiago Queiróz Borges e pai dos filhos Artur e Pedro. Atualmente mora em Belo Horizonte, onde fixou raízes. 

O blog História de Salinas parabeniza o autor pela obra literária que engrandece a História do município, como também recomenda o livro pelos incríveis relatos. Quem tiver interesse, entrar em contato com o autor no e-mail mrb.borges@uol.com.br. Imperdível!

JOSÉ AMERICANO MENDES

José Americano Mendes.
Por Roberto Carlos Morais Santiago

A noite de quarta-feira, de 30 de dezembro de 1970, não foi tranquila para os moradores da pacata Salinas, norte de Minas Gerais, que vivia sob a batuta do regime militar. Dias antes participara de eleições para escolha de seus representantes. A cidade não tinha energia elétrica e sua iluminação noturna era muito precária. Depois de certa hora, a cidade imergia na escuridão total. 

Foi nesse clima que o então delegado de polícia do município, José Americano Mendes, fora assassinado com vários tiros na ponte que liga o centro ao bairro São Geraldo. Os autores do terrível crime foram Oséas de Almeida e o filho Evaristo de Almeida. O crime assustou a sociedade salinense e repercutiu no país. Tanto, que foi objeto de reportagem da revista VEJA na época (edição nº. 122, página 14, de 6/1/1971). Eis o teor da reportagem:

“NORTE BRAVIO - Os tiros que se ouviram na noite de quarta-feira da semana passada em Salinas não foram de banditismo comum. Foram tiros de vingança política, disparados por Oséas de Almeida, 56 anos e seu filho Evaristo de Almeida, 22 anos, contra o delegado de polícia local, José Americano Mendes. Das oito balas de revólver calibre 32, cinco atingiram certeiramente o coração do delegado e trouxeram para a população de Salinas lembranças das antigas e violentas guerras de jagunços que decidiram a política local.

A razão direta do assassinato parece ter sido a aposentadoria e demissão dos matadores, pai e filho, dos postos que ocupavam no hospital público local. Eles perderam seus empregos três dias depois das eleições e atribuíram o fato às ligações que mantinham com o deputado eleito Sylo Costa, candidato adversário do deputado Geraldo Santana, poderoso chefe político do município e amigo do delegado assassinado. Em virtude da sua atuação política, José Americano Mendes havia sido afastado da delegacia durante o período eleitoral, mas retornou logo em seguida e, segundo Oséas, foi o causador da sua aposentadoria e também o autor de diversas ameaças contra ele e o filho.

Mas essa não é a única explicação que apareceu para o crime: de acordo com vários depoimentos, Oséas era metido a valentão e teria sido ameaçado pelo delegado por causa da forma como comemorou o seu Natal, trocando placas de casas comerciais e defecando em automóveis.”

14 de abril de 2014

"OCTACILÍADA: UMA ODISSÉIA DO NORTE DE MINAS" REGISTRA HISTÓRIA DA REGIÃO DE SALINAS

Capa do livro.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

O raro livro "Octacilíada: Uma odisséia do Norte de Minas", autoria do salinense Abdênago Lisboa (1916-1977) foi lançado em 1992 pelo filho Apolo Heringer Lisboa. Aborda a trajetória de sua de sua família tendo como epicentro o pai Octacílio Lisboa, bem como revela aspectos históricos e culturais de Salinas e região desde os tempos do Império até meados da década de 1970. O livro possui, ainda, fotos históricas e diversas árvores genealógicas de famílias salinenses e outras regiões do Norte de Minas. O blog História de Salinas recomenda leitura a todo salinense que queira conhecer um pouco a história de sua terra... imperdível. O livro merece nova edição pelo seu valor histórico e cultural. O autor Abdênago Lisboa, além de pesquisador, escritor e poeta, foi o primeiro diretor da Escola Agrícola de Salinas.

19 de fevereiro de 2014

PONTE DE MADEIRA SOBRE O RIO SALINAS

A gravura acima, de autoria do pintor salinense Lúcio Carlos Soares, tendo a ponte em primeiro plano,
dá uma dimensão de como era o bairro São Geraldo na década de 1920,
tendo ao centro a avenida Antônio Carlos.

Por Roberto Carlos Morais Santiago


A ponte histórica de madeira sobre o rio Salinas, de cerca de 100 metros, que liga o centro ao bairro São Geraldo foi construída em 1922 e inaugurada em janeiro de 1923, na primeira metade do século XX, pelo Cel. Idalino Ribeiro, então chefe político e agente executivo (equivalente ao cargo de prefeito atual).

O construtor da ponte foi o carpinteiro Viroti, oriundo de Jequitaí, indicado pelo engenheiro do Estado, o francês Leo Gilot. Os ajudantes na construção foram José Guimarães, Almerindo Costa e Agripino Costa.

A ponte de madeira foi um grande acontecimento de grande apelo popular. Possibilitou a integração do centro à região do São Geraldo que ficava isolada e de difícil acesso. Na década de 1960 foi demolida e construída nova ponte (atual) por Geraldo Paulino Santana cuja inauguração teve a presença do governador Magalhães pinto.

Abaixo, imagem histórica de inauguração da ponte com participação da população local. 

Inauguração da ponte de madeira sobre o rio Salinas em janeiro de 1923.
(Fonte da imagem: Abdênago Lisboa)

16 de dezembro de 2013

SALINAS EM 1932/1933

1932 - Milicianos de Salinas.

1932 - Milicianas de Salinas.
1933 - Tenente E. Mendonça e o escrivão Eleotério na Delegacia de Salinas.

SALINAS EM 1922

1922 - Inauguração de ponte de madeira sobre o rio Salinas.

1922 - Inauguração de ponte de madeira sobre o rio Salinas.
1922 - Cadeia velha de Salinas.

14 de novembro de 2013

SALINENSE EXPERT EM CULTIVARES DE CANA-DE-AÇÚCAR

O mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes é coordenador do
Curso Superior de Tecnologia de Cachaça do IFNMG - Campus Salinas. 

O trabalho do salinense mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes do Instituto Federal Norte de Minas Gerais (IFNMG) - Campus Salinas, expert em cultivares de cana-de-açúcar é digno de registro no blog História de Salinas pela relevância que o assunto merece. Com suas pesquisas se tornou numa das maiores autoridades sobre o assunto. É coordenador do Curso Superior de Tecnologia de Cachaça do IFNMG em Salinas.

Em seus trabalhos de pesquisa com cultivares de cana-de-açúcar, época de plantio, e análise físico-química de cachaça nos cursos de mestrado e doutorado chegou as seguintes conclusões: 

A cana-de-açúcar na modalidade de plantio de inverno, abrangendo os meses de junho, julho e agosto, mostrou-se uma excelente opção para a região de Salinas onde a irrigação suplementar se torna imprescindível para este cultivo. Neste sistema de plantio, colhe-se a matéria-prima de “12 meses” (cana-de-ano), com excelentes indicadores de qualidade e produtividade.

Em um primeiro experimento onde o plantio ocorreu em julho, foram avaliados parâmetros de produtividade e verificou-se que a produção total por hectare aos 352 dias após o plantio foi de 256,35; 205,00; 247,5; 185,43 e 292,50 t/ha das cultivares RB72454, SP79-1011, SP80-1842, JAVA e RB765541, respectivamente.

Em um segundo experimento onde o plantio também ocorreu em julho, verificou-se a interferência da qualidade da matéria-prima em função das épocas de colheita (junho, agosto e outubro) e o tipo de variedade de cana-de-açúcar na composição físico-química das cachaças produzidas nas três épocas supracitadas.

Os resultados apresentados indicaram que a qualidade da matéria-prima das cultivares de cana-de-açúcar, RB72454, SP79-1011, SP80-1842, JAVA e RB765418, não expressaram diferenças significativas quanto ao grau de maturação dentro de cada época de colheita (junho, agosto e outubro), porém todas apresentaram nível de maturação significativamente melhor, para os parâmetros de maturação analisados (Brix do caldo, pol da cana, pureza aparente e açúcares redutores da cana) na segunda e terceira época de colheita (agosto e outubro). 

Os resultados qualitativos das análises físico-químicas por cromatografia gasosa de compostos voláteis das amostras de cachaças apontaram que o tipo de cultivar não interferiu na formação de compostos presentes na cachaça, o que não ocorreu ao avaliar os mesmos compostos por época de colheita, principalmente no que se refere à acidez volátil e álcool n-butílico. Tais substâncias apresentaram um perfil qualitativo significativamente maior na primeira época de colheita (junho) em relação às outras épocas.

Através destes estudos, pode-se atestar que a época de colheita da cana-de-açúcar é determinante para se obter matéria-prima de qualidade e que esta interfere na formação de ácidos durante o processo fermentativo, sendo importante parâmetro para a melhoria das qualidades químicas desta bebida.

Para quem se interessar sobre o assunto e queira saber mais sobre a especialidade do mestre e doutor Oscar William Barbosa Fernandes, o e-mail de contato é: oscarwbf@gmail.com.

23 de outubro de 2013

CACHAÇA DE SALINAS RECEBE REGISTRO DE INDICAÇÃO GEOGRÁFICA

Registro de Indicação Geográfica nº IG200908
concedido pelo INPI.
O Instituto Nacional de Propriedade Nacional (INPI) concedeu à Associação de Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs) , entidade representativa dos produtores de Salinas, registro de Indicação Geográfica (IG200908) - espécie Indicação de Procedência (IP) - para a cachaça com a denominação "Região de Salinas".

A área geográfica compreende 2.541,99 km². Abrange a totalidade dos municípios de Salinas e Novorizonte e parte dos municípios de Taiobeiras, Rubelita, Santa Cruz de Salinas e Fruta de Leite, todos inseridos na microrregião de Salinas, Norte de Minas Gerais.

Assim, a cachaça artesanal produzida nesta região demarcada alcança novo patamar de valorização no mercado, mas também se impõe uma série de responsabilidades. A Apacs fica responsável pela emissão de selos Indicação de Procedência (IP) para os produtores que atenderem os requisitos exigidos para comercializar  seu produto com o selo Indicação de Procedência.

O blog História de Salinas parabeniza a Apacs e seus associados por esta conquista que enche de orgulho o povo de Salinas e região. Um brinde à cachaça da "Região de Salinas".

Selo de Indicação de Procedência.

22 de outubro de 2013

VIRGÍNIA CELESTINA SANTIAGO


VIRGÍNIA CELESTINA SANTIAGO (1882-1965), natural de Urandi, Bahia, é a matriarca da família Santiago no município de Salinas. Filha de Antônio e Severa, teve seis irmãos: Benício, João, José, Júlia, Rita e Sebastiana. Casou-se com José Santiago (1873-1944) em Medina, Vale do Jequitinhonha, no dia 11 de julho de 1896. Dois anos depois, em 1898, o casal chegou a Salinas, final do século XIX, iniciando a saga dos Santiago no município. Saiba mais no
link: http://www.robertocmsantiago.com/visualizar.php?idt=2241201.

15 de setembro de 2013

O PRIMEIRO PREFEITO DE SALINAS

Antônio dos Anjos da Silva 
Sobrinho, primeiro prefeito 
(agente executivo) da 
história de Salinas no
período de 1883-1886.
Por Roberto Carlos Morais Santiago


Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho marcou seu nome na história de Salinas no final do século XIX. Foi um dos sete primeiros vereadores da história do município eleitos que tomou posse na instalação da 1ª. Câmara Municipal ocorrida em Rio Pardo de Minas no dia 19 de janeiro de 1883. O município fora criado pela Lei Provincial nº. 2.725, de 18 de dezembro de 1880.


O vereador Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho foi escolhido presidente da Câmara de Vereadores e, em consequência, também escolhido agente executivo (cargo equivalente a prefeito atualmente) para o período de 1883-1886. 


O fato confere a Antônio dos Anjos da Silva Sobrinho como o primeiro presidente da Câmara de Vereadores e o primeiro prefeito (agente executivo) da história de Salinas constituindo-se no primeiro mandatário político local sob a égide de município emancipado.


Ressalta-se que até 1932, final do período da República Velha, os municípios brasileiros eram administrados pelos presidentes da Câmara de Vereadores com o apoio de uma junta de conselheiros.

28 de abril de 2013

DISTRITO DE BOM JARDIM DAS TAIOBEIRAS

Antigo mercado de Taiobeiras.

Por Roberto Carlos Morais Santiago

Até a primeira década do século XX o povoado de Bom Jardim das Taiobeiras pertencia ao território do município de Rio Pardo de Minas. Estrategicamente localizado, funcionava como entrocamento de rota de tropeiros no transporte de mercadorias para Araçuaí, Montes Claros, Teófilo Otoni, Salinas e sertão da Bahia.

Com isso o povoado cresceu e foi elevado à categoria de distrito pela Lei Estadual nº. 556, de 30 de agosto de 1911 e incorporado ao território do município de Salinas. Como a divisa territorial entre Salinas e Rio Pardo de Minas passava dentro do antigo povoado onde hoje existe a avenida Contorno, moradores lutaram pela incorporação ao território salinense por acharem ser mais vantajoso sob o ponto de vista econômico e político.

Com o passar dos anos o distrito teve grande crescimento e a população local passou a reivindicar sua emancipação de Salinas. Foi um processo lento, pois a política de Salinas não permitia. Em 1943 a emancipação quase ocorreu. Já aprovada pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, precisava de sanção do governador. 

Cel. Idalino Ribeiro, líder político de Salinas, solicitou ao governador que não aprovasse pelo fato que terras da povoação de Matrona seria incorporada ao novo município. Salinas não aceitaria pois seria uma das melhores terras do município salinense.

Carta do Cel. Idalino Ribeiro ao governador confirma o imbróglio. Vejamos:

"Senhor Governador,

Saúde,

Regressando ao Norte do Estado, peço ao prezado amigo e chefe, não consentir que o distrito de Taiobeiras, sem renda, sem gente, sem território e sem nenhum melhoramento, seja elevado a município.

Principalmente, querendo tomar a melhor faixa de terra no que existe no município de nossa Salinas, no nosso distrito da cidade, o melhor que temos.

Abraço, agradecimentos do velho amigo admirador.

Idalino

Capital, 16/11/43"

O pedido do Cel. Idalino Ribeiro foi aceito pelo governador e a emancipação de Taiobeiras não ocorreu gerando enorme insatisfação do povo taiobeirense. Entretanto, o lento processo de emancipação continuou e concretizou-se uma década depois por meio da Lei Estadual nº.1.039, de 12 de dezembro de 1953, que teve o apoio do emergente político de Salinas, Geraldo Paulino Santanna, que fazia oposição ao Cel. Idalino Ribeiro.

Centro histórico de Taiobeiras.

A efetivação da emancipação deu-se no dia 1º. de janeiro de 1954, com a posse do intendente (administrador) Lídio Ituassu, nomeado pelo governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek. 

Assim, Taiobeiras foi o segundo distrito a se emancipar de Salinas. O primeiro foi o distrito de Fortaleza (atual município de Pedra Azul) ocorrido em 1911.

Para quem quer conhecer mais sobre a história da região de Salinas o blog História de Salinas recomenda leitura do excelente livro do escritor taiobeirense Avay Miranda intitulado "Taiobeiras: seus fatos históricos". O livro aborda aspectos sociais e políticos de Salinas e Taiobeiras.
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Referência bibliográfica:

MIRANDA, Avay. Taiobeiras: seus fatos históricos. Brasília: Thesaurus, 1997, vol. I e II.
SANTANNA, Geraldo Paulino. O Caminho de volta - A travessia do deserto. Belo Horizonte, 2005, 2ª. edição.

1 de março de 2013

CENSO APURA POPULAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO DE SALINAS EM 1920

Segundo Censo de 1920 realizado pelo Estado de Minas Gerais, a população absoluta do município de Santo Antônio de Salinas foi apurada em 53.666 habitantes em área geográfica de 6.742,98 quilômetros quadrados, assim distribuídos:

POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SALINAS EM 1920

Salinas (sede): 31.651

Santa Cruz: 5.846

Água Vermelha: 10.197

Passagem da Vereda: 5.972

TOTAL: 53.666
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Fonte: LISBOA, Abdênago. Octacilíada: Uma Odisséia do Norte de Minas. Belo Horizonte: Canaã, 1992.